Parece que foi ontem que a Liga NOS começou e se faziam apostas sobre quem seriam as figuras deste campeonato. Chegados ao fim da primeira volta, os GoalPoint Ratings são claros quanto a isso, e não haverá muita gente a arriscar opiniões diferentes. Yacine Brahimi, Jonas e Bruno Fernandes foram, cada um na sua equipa, as forças motrizes que têm ajudado a resolver a maioria dos jogos.

Mas se hoje isso é consensual, basta recuar até meio da época passada para nos pasmarmos com a situação individual de cada um. A meio da época 2016/17, Brahimi tinha apenas quatro jogos como titular de um FC Porto que estava a quatro pontos do líder. Jonas tinha ainda menos – apenas três -, mercê da lesão que lhe roubou o início da época. Já Bruno Fernandes alternava a titularidade com o banco numa Sampdoria de meio da tabela.

A vida pode mudar muito em apenas um ano, mas, recuando agora, o mais incompreensível (à excepção do caso de Jonas) é como alguém pode ter achado um dia que Brahimi e Bruno Fernandes não tinham o valor que hoje demonstram. O argelino, nos escassos 417 minutos que tinha de jogo, já apresentava um rating de 7.63, ainda melhor do que desta época, enquanto Bruno Fernandes na Sampdoria era dos melhores sempre que jogava, com um rating de 6.60, nada muito diferente do 6.90 da presente temporada – mesmo actuando num campeonato bem mais complicado. Serve isto para dizer que, se calhar, um olhar mais atento aos números evitaria erros que hoje, olhando para trás, parecem incompreensíveis.

Porém, a Liga NOS 17/18 tem-nos oferecido muito mais craques para além destes três. Neste artigo, vamos apresentar-vos os três melhores jogadores por posição até ao fim da Jornada 17, tal como fazemos habitualmente por esta altura. Desfrute.

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O FC Porto é claro dominador – algo que perceberá melhor as razões lendo este artigo -, colocando todos os seus habituais titulares à excepção do(s) guarda-redes, mas há espaço para mais 12 clubes com pelo menos um representante. No entanto, no “onze titular”, só Ricardo Nunes (Chaves) e Lucas Evangelista (Estoril) quebram a “tirania” dos grandes. Vamos então aos vários sectores.

Baliza amaldiçoada

Ricardo Nunes lesionou-se antes da 10ª jornada, mas mesmo assim ainda garante lugar no “onze ideal”. O veterano do Chaves é terceiro na média de defesas por jogo (3,3) e um de quatro guarda-redes que já defendeu grandes penalidade na Liga NOS. Para além disso, só Charles (Marítimo) tem uma maior percentagem de defesas nos ângulos que Ricardo (60%). Mas há mesmo uma espécie de maldição para os grandes guarda-redes do campeonato. Muriel e Cássio, segundo e terceiro, também se lesionaram com alguma gravidade, e estão neste momento de fora. Rui Patrício é o melhor dos “grandes”, com um GoalPoint Rating de 5.81.

Defesa 100% “azul-e-branca”

Tendo a melhor média de remates permitidos da Europa, não espanta que o FC Porto domine por completo a linha defensiva do “onze ideal”, mas as qualidades deste quarteto não param por aqui. Todos os jogadores são líderes de rankings individuais importantes, algum deles até bastante ofensivos. Ricardo Pereira é o melhor na média de ocasiões flagrantes criadas (0,7 / 90m) e Alex Telles em passes para finalização (3,0 / 90m), enquanto Felipe é rei das intercepções (3,0 / 90m) e Iván Marcano dos duelos aéreos defensivos (84,6% ganhos). Os dois brasileiros já tinham feito parte, aliás, do melhor “onze” da época passada.

Como alternativas à defesa do Porto, destaque para o Benfica, que coloca André Almeida, Luisão e Grimaldo entre as opções, e para o Braga, que tem os dois melhores laterais a seguir a Ricardo Pereira e Alex Telles. Falamos de Ricardo Esgaio (que também joga por vezes a extremo e é rei das assistências) e de Jefferson (o rei dos cruzamentos a par de Alex), ambos curiosamente dispensados pelo Sporting no Verão. Os “leões” colocam apenas Sebastián Coates entre os melhores defesas, algo que também já vem sendo habitual.

Dois tiros em cheio e um patinho pouco feio

No meio-campo, encontramos aqueles que foram, talvez, as duas melhores contratações da época: Bruno Fernandes e Lucas Evangelista. Sobre o médio do Estoril já falámos sobremaneira, ele que foi o único a intrometer-se entre os grandes nas eleições de melhor do mês, prémio que Bruno Fernandes também levou “para casa” em Agosto. O “bombardeiro” de 23 anos é o jogador com mais presenças em “onzes” da jornada, nada menos que oito, metade dos jogos que fez como titular!

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A acompanhá-los está Pizzi, melhor jogador da Liga NOS 16/17. Apesar da sua forma ter sofrido oscilações esta época, o brigantino parece estar de volta ao seu melhor, conquistando dois prémios MVP GoalPoint nos últimos três jogos. Um olhar mais atento aos seus números também está longe de mostrar um decréscimo de forma acentuado em relação a 16/17, e o facto de estar no “top 5” de ocasiões flagrantes criadas, passes para finalização e passes certos para o meio-campo contrário, comprova que até um Pizzi “menos bom” merece este lugar no “onze”.

Para a posição de médio-defensivo, as segundas opções são Danilo Barbosa e Danilo Pereira. O caso de Danilo Barbosa é o mais curioso, porque depois de não ter vingado no Benfica, acaba por se estar a mostrar um médio bem completo, que poderia ser muito útil aos “encarnados”. Mais à frente, Herrera é outro dos “ressuscitados” da época, enquanto Paulinho (Portimonense) é uma das grandes revelações, na sua estreia na Liga NOS.

Um ataque de luxo

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É aqui que encontramos o melhor jogador da primeira volta: Yacine Brahimi. O argelino é, de muito longe, o maior desequilibrador individual do campeonato, algo que fica bem claro pelo ranking à esquerda. Na arte do drible, só o seu colega de equipa, Corona, tenta fazer-lhe frente, e qualquer outro jogador faz menos de metade dos dribles certos de Brahimi, a cada jogo. Também na eficácia (65%) ele é o melhor, igualado apenas por Rúben Ribeiro. Se a isso juntarmos os cinco golos e seis assistências que já leva, dificilmente se pode discutir a justiça feita pelos GoalPoint Ratings. A sua posição de extremo-esquerdo é a mais “concorrida” do campeonato. Fábio Martins e Acuña aparecem neste pódio, mas ainda tínhamos Shoya Nakajima 6.27 e Rúben Ribeiro 6.26 à porta dos 33.

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O já referido “Tecatito” Corona, que nem sempre é titular no “onze” de Sérgio Conceição, é o melhor extremo-direito do campeonato pela segunda época consecutiva. As comparações com Gelson Martins acabam por vir sempre à baila, mas os números não deixam dúvidas quanto à melhor performance do mexicano. Em tudo o que se pede a um extremo, Corona faz melhor do que o jovem português, e ainda junta a isso uma eficácia defensiva pouco vista e pouco falada. A seguir a Corona surgem Salvio, menos eficaz nas suas decisões mas com um registo de acções para golo (nove) difícil de ignorar, e Raphinha, provável reforço do Sporting.

Para o lugar de ponta-de-lança a concorrência também era imensa, mas Jonas acabou por não dar hipóteses a ninguém. O melhor marcador do campeonato continua a não acusar a idade, e só um inesperado recorde de quatro ocasiões flagrantes falhadas no último jogo em Moreira de Cónegos lhe tirou o prémio de melhor da primeira volta. Sobravam dois lugares para Marega, Aboubakar e Bas Dost, e acabou por ser o holandês a ficar de fora. Pouco se pode apontar ao gigante leonino, mas o facto de participar pouco no jogo para além dos (muitos) golos que marca, acaba por prejudicar o seu GoalPoint Rating.

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Promessas para a Segunda Volta

Por não terem completado o mínimo exigido de 765 minutos, ficaram de fora alguns jogadores que, ao continuarem assim, estarão com certeza na eleição dos 33 finais:

  • João Novais (Rio Ave) 6.92 – Só ganhou a titularidade à 10ª jornada, mas desde então tem impressionado sobremaneira. Já soma sete golos e é o melhor batedor de livres directos do campeonato.
  • Óliver Torres (Porto) 6.32 – A presença no “onze” titular contra o Vitória de Guimarães é uma boa indicação de que Sérgio Conceição voltou a confiar nele. Os seus números, para falar a verdade, nunca indicaram que a confiança se devesse ter perdido, mas Sérgio Oliveira e Herrera também corresponderam bem.
  • António Filipe (Chaves) 6.26 – Se Ricardo Nunes estava muito bem até se lesionar, António Filipe não tem feito pior. Prova evidente disso são os 85% de remates enquadrados defendidos, melhor registo do campeonato, caso tivesse mais 45 minutos.