Numa rubrica que aparece com pouca frequência, e que é destinada a destacar jogadores com desempenhemos estatísticos muito acima da média (o último foi Krovinovic, em Abril deste ano), não seria de todo expectável ver surgir, ainda antes do fim da primeira volta, um representante do último classificado da Liga NOS, o Estoril Praia. Mas, da mesma forma que assumimos desde já a anormalidade da escolha, também temos que lhe explicar que Lucas Evangelista está longe de ser um jogador normal.

 

Ao fim de apenas 14 jornadas, só três jogadores foram premiados quatro vezes ou mais com a distinção de melhor em campo em jogos da Primeira Liga. Foram eles Jonas (seis vezes), Bruno Fernandes (cinco) e… Lucas Evangelista (quatro). Se sobre a qualidade dos outros dois não é preciso falar, o mesmo não se pode dizer sobre Lucas. A atestar a “anormalidade” dos seus desempenhos está o facto de dois desses prémios terem sido conseguidos em terrenos extremamente complicados, como foram Alvalade e o Estádio da Luz, isto apesar de a sua equipa ter saído derrotada desses confrontos.

Em comum nas duas imagens, a enormidade de terreno que o estorilista percorre, aparecendo com igual frequência junto de ambas as áreas, assim como números que denotam igual eficácia a nível ofensivo e defensivo. Mas já lá iremos. Para já convém contar um pouco da história de Lucas Evangelista.

Percurso

Formado no Desportivo Brasil, clube ligado à Traffic que se dedica ao desenvolvimento de jovens talentos, Lucas seria contratado pelo São Paulo em 2012, aos 17 anos. A oportunidade para se estrear na equipa principal não demorou a surgir e foi dada por Ney Franco a meio do ano de 2013. Lucas impressionou desde logo, fazendo 19 jogos no Brasileirão essa época, e marcando um golo que diz muito do seu futebol.

Determinação, capacidade técnica e qualidade de remate, estas são algumas das características de Lucas Evangelista que ficaram evidentes desde cedo. O ano de 2014 ainda começou no São Paulo, mas depois de um brilhante torneio de Toulon, que também lhe valeu destaque aqui no GoalPoint, a Udinese viria a pagar €4M pelo seu passe.

Em Itália nunca foi muito feliz. Em três épocas fez apenas dez jogos na Série A, e só um empréstimo ao Panathinaikos, em 2015/2016, fez com que somasse minutos de competição mais significativos. Muito atento esteve o Estoril, que soube trazê-lo para Portugal onde, como já se viu, tem evidenciado todas as qualidades que já se lhe conheciam e até outras que terá desenvolvido na estadia em terras transalpinas.

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