C hegados que estamos a meio da época na Liga NOS, será difícil para um espectador atento dizer que o FC Porto não é um justo líder. Os “dragões” têm mais pontos, mais golos marcados, menos golos sofridos, e até o sucesso na Liga dos Campeões consubstancia a qualidade e consistência apresentada no campeonato, que, apesar das diferenças serem curtas, não tem paralelo em nenhum outro clube.

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Mas mais do que analisar aquilo que nos diz a classificação, convém perceber porquê que isso acontece. No último jogo, contra o Vitória de Guimarães, o FC Porto esteve a perder pela primeira vez esta época no campeonato, mas isso durou apenas 35 minutos. Pela enésima vez, o FCP dominou por completo o jogo, fez 16 remates dentro da área contra apenas dois dos vimaranenses, e acabou por vencer com facilidade, até mais do que aquela que o resultado mostra. Essa facilidade de chegar à área contrária e de evitar que os adversários o façam, é o “segredo” básico de qualquer equipa de sucesso. A eficácia é importante, claro, mas ao longo de uma época quem cria mais e permite menos situações perigosas, estará sempre mais perto de vencer. Ora, o Porto de Sérgio Conceição é líder europeu em ambas as vertentes.

Acima de Paris e Manchester

No que toca a remates dentro da área, os “dragões” apresentam uma média de 13,3 a cada jogo. As equipas mais próximas: Bayern (12,1), Paris SG (12,0) e Real Madrid (11,9), fazem, ainda assim, menos um remate que o Porto a cada jogo, dentro das áreas adversárias. Apesar de ter menos posse de bola que Rio Ave ou Benfica, a capacidade deste Porto em chegar a zonas de perigo, seja por intermédio das rupturas de Brahimi e Corona, dos cruzamentos de Alex Telles e Ricardo, ou da potência de Marega e Aboubakar, é impressionante e acompanhada por uma qualidade defensiva de igual nível.

É que no outro extremo do campo, os “azuis-e-brancos” permitem apenas 3,4 remates dentro da área a cada jogo. Mais uma vez, este é o melhor registo a nível europeu, acompanhado apenas de perto por Nápoles (3,7) e Manchester City (3,8). Os quatro defesas do FC Porto são, quanto a mim, dos melhores da Europa nas suas posições, e ainda existe Danilo à sua frente, a “filtrar” muito jogo dos adversários.

Se calcularmos a diferença entre remates efectuados e permitidos dentro da área, os números são arrebatadores e altamente significativos.

#EquipaEfectuados na áreaPermitidos na áreaDiferençaClass. Liga
1Porto13,33,49,9
2Bayern12,14,67,4
3Paris SG12,04,77,3
4Man City11,13,87,3
5Benfica11,54,37,1
6Napoli10,53,76,8
9Barcelona11,26,34,9
18Braga8,55,13,4
21Sporting8,35,33,0
112Moreirense4,48,2-3,815º
116Hellas Verona5,311,5-6,219º

Remates por jogo nas Ligas Domésticas
Fonte: GoalPoint/Opta

O FC Porto tem uma diferença de quase 10 remates, entre efectuados e permitidos dentro da área. Algo sem paralelo a nível europeu e que, pese embora um grande desequilíbrio no nosso campeonato, deve ser realçado.

A correlação entre este número e a classificação é óbvia. Entre os seis primeiros, estão cinco líderes dos seus campeonatos, e só mesmo o Benfica se intromete nestas contas. O Sporting, mais directo perseguidor do FC Porto, é apenas 21º, e tem uma diferença de apenas três remates, menos de um terço da diferença dos “dragões”.

Os números não são tudo, é certo, mas estes contam grande parte da história do que tem sido a Liga NOS 17/18. Pela maneira com que domina o território dos “rectângulos” o Porto da primeira volta é um justo líder, e quem sabe não merecia até apresentar uma diferença maior para a concorrência.

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Hernâni Ribeiro

Formado em estatística e gestão de informação, e Data Scientist profissional. É Head of Analytics na GoalPoint e ainda administrador do portal foradejogo.net, após ter sido co-responsável do processo de pesquisa oficial portuguesa para o jogo Football Manager.