Boavista 0 – Benfica 1: Eliseu desmonta consistência “axadrezada”

No regresso do Estádio do Bessa ao principal escalão português, o Benfica venceu o Boavista pela margem mínima mas sentiu muitas dificuldades.

Gaitán foi dos que mais rematou num jogo mais disputado que bem jogado (foto: J. Trindade / Infografia: GoalPoint)
Gaitán foi dos que mais rematou num jogo mais disputado que bem jogado (foto: J. Trindade / Infografia: GoalPoint)

Boavista e Benfica chegaram à segunda jornada em situações bem distintas. A equipa orientada por Petit deslocou-se a Braga na jornada inaugural, onde foi derrotada por 3-0. Por outro lado, o Benfica recebeu e venceu o Paços de Ferreira por 2-0.

O golo de Eliseu perto do intervalo ditou um Boavista com dupla identidade. Os “axadrezados” transfiguraram-se no segundo tempo e prometem ter argumentos suficientes para, em casa, criarem muitos obstáculos às equipas adversárias.

Os “encarnados” entraram com o habitual 4x1x3x2 com Jara a substituir Enzo Pérez e Talisca a recuar no terreno para assumir o papel do médio argentino. O Boavista entrou em 4x2x3x1 mas foi no momento defensivo que a equipa mais se destacou, alinhando em 4x4x1x1. Uma equipa à imagem do seu treinador, lutadora e que nunca virou a cara à luta. Faltou pouco para o esforço e sacrifício levarem a melhor sobre a falta de experiência.

No primeiro tempo, o Benfica teve grandes dificuldades para construir jogo e impor o seu futebol. O Boavista apresentou um conjunto compacto, com blocos baixos e coesos e um meio-campo que jogou sempre em superioridade perante o sector intermédio do Benfica. Amorim e Talisca, numa fase inicial, e André Almeida e Talisca não tiveram espaço para organizar as acções ofensivas. Talisca tarda em evidenciar-se e é notória a falta de capacidade para fazer esquecer Enzo. O médio brasileiro precisa de maior intensidade, dinâmica e rotatividade para fazer funcionar o meio-campo “encarnado”.

Gaitán influente

Petit escolheu Idris e Tengarrinha para jogarem como “pivots” defensivos. Idris defensivamente esteve irrepreensível com oito duelos ganhos (72,7%). Tengarrinha teve mais liberdade para fazer a ligação entre o meio-campo defensivo e o ofensivo com Diego Lima a fazer o apoio a Bobô. O médio português apresentou uma eficácia de passes de 63,6%. Face à falta de dinâmica no meio-campo do Benfica, na primeira parte a equipa de Jorge Jesus optou jogar pelos flancos, 38,2% pelo corredor esquerdo e 42,3% pela faixa direita. Gaitán e Eliseu foram os jogadores mais inconformados. O novo dono da camisola “10” do Benfica não apresentou uma grande eficácia de passes (62,1%) mas conseguiu desequilibrar juntamente com Eliseu pelo corredor esquerdo. Gaitán foi o jogador mais influente do Benfica em termos ofensivos com quatro cruzamentos feitos, com uma eficácia de 50%. Eliseu completou 39 passes, dos quais 25 no meio-campo adversário com uma eficácia de 76%. O lateral-esquerdo rematou por duas vezes fora da área, sendo que um deles encontrou o caminho das redes. Os remates fora da área foram um padrão no jogo de ambas as equipas. O Boavista apenas realizou dois remates em toda a partida, sendo que os dois foram de fora da área “encarnada”. O Benfica completou dez remates dois quais seis foram fora da área. Um dado que evidencia a consistência defensiva das duas equipas. O Benfica controlou o jogo na primeira parte mas nunca dominou efectivamente o Boavista, com 69,8% de posse de bola, somando ainda uma eficácia de passes de 79,2%.

Na segunda parte, Petit mudou a identidade da sua equipa, apresentando um Boavista mais destemido e com vontade de chegar ao golo do empate. Ofensivamente a equipa soltou-se mais com destaque para o envolvimento ofensivo de Anderson Correia, lateral-esquerdo, que efectuou 20 passes com 70% de eficácia e seis cruzamentos. Do lado do Benfica, André Almeida foi crescendo com o jogo. O médio do Benfica entrou aos 32 minutos para substituir o lesionado Amorim e foi o melhor elemento do meio-campo. Com apenas 60 minutos de jogo, André Almeida foi o segundo jogador com mais passes no Benfica, 38, menos um do que Eliseu, sendo que o aproveitamento foi de 73,7%.

 

A falta de Enzo

Nos 90 minutos, o Boavista apresentou um futebol agressivo mas nunca conseguiu criar oportunidades de golo. Petit adoptou um estilo de jogo mais directo com o corredor direito a ser o mais interveniente no jogo “axadrezado”, com 53,3% dos ataques a serem feitos por esta faixa, contra 21,1% do lado esquerdo e 25,4% no corredor central. O Benfica, fruto do envolvimento dos laterais e pela influência de Gaitán e Salvio, procurou lateralizar o seu jogo com 38,5% dos seus ataques a passarem pelo lado esquerdo, 40% na faixa direita e apenas 21,5% no corredor central, com a ausência de Enzo a fazer-se sentir. O Boavista somou 225 passes contra 401 do Benfica. No segundo tempo, não se verificou uma superioridade da equipa orientada por Jorge Jesus. O Boavista cresceu e fez com que o Benfica apresentasse dificuldades com uma quebra significativa na posse de bola e eficácia de passes (apenas 54,2% de posse de bola e 58,3% de eficácia de passe). O Boavista foi sempre a equipa mais agressiva e isso fez com que o Benfica somasse 179 perdas de bola, contra 170 da equipa da casa.

O Benfica apresentou, ainda, uma elevada falta de capacidade para gerir espaços e tempos a partir do seu sector intermédio. Do lado do Boavista, Yoro e Brito justificavam uma entrada mais cedo na partida pela forma como agitaram o jogo. Petit tem muito trabalho pela frente mas será interessante ver como é que o Boavista irá crescer ao longo da temporada, principalmente jogando em casa no regresso à Primeira Liga.

Realce ainda para um facto curioso. O Sporting, na primeira jornada frente à Académica de Coimbra, conseguiu ter um melhor aproveitamento (73%) de passe que o Benfica no Bessa (71,3%). Um dado que pode lançar o dérbi da próxima semana.