Boavista 1 – Sporting 3: “Furacão” Carrillo resolve

Nani lesionou-se e deixou em sobressalto as hostes leoninas, mas André Carrillo entrou para o seu lugar e explorou como ninguém as debilidades boavisteiras nas faixas.

Carrillo saiu do banco para substituir Nani (lesionado) e resolver a partida a favor dos "leões" (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Carrillo saiu do banco para substituir Nani (lesionado) e resolver a partida a favor dos “leões” (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

O Sporting garantiu um triunfo relativamente tranquilo no Estádio do Bessa, ante o Boavista, por 3-1, e é caso para dizer que há males que vêm por bem. Pelo menos momentaneamente. A vida estava difícil para a formação lisboeta e foi dos pés de André Carrillo, no segundo tempo, que os visitantes resolveram a partida. O peruano havia substituído Nani na primeira parte, por lesão do internacional português.

Certamente que o Sporting sentirá falta do seu jogador mais influente, caso a mazela do extremo se prolongue e dite a sua ausência nos próximos jogos. Mas para este contexto específico, a alteração não poderia ter sido mais providencial. O mérito vai inteirinho para Carrillo, uma vez que o jovem extremo sobre aproveitar a passadeira vermelha que o lateral-esquerdo boavisteiro Julian estendeu durante toda a partida – o mesmo verificou-se do lado oposto, ocupado por João Dias. A verdade é que nem Nani, nem Carlos Mané o conseguiram, apenas o peruano mostrou essa capacidade, realizando uma exibição de grande nível.

Mas vamos por partes, pois interessa também realçar Marco Silva. O treinador chegou a Alvalade com uma pesada herança e tentou aproveitar os mecanismos e ideias que Leonardo Jardim deixou implantados no grupo. O 4x3x3 foi sempre o sistema que o jovem técnico adoptou, mas aos poucos parece querer imprimir um cunho pessoal mais vincado, aproximando o futebol do Sporting das suas ideias. Posto isto, e perante um adversário que não tem, nem de perto, argumentos para fazer frente ao emblema de Alvalade, Marco Silva arriscou. Retirou um elemento do meio-campo, no caso João Mário, e assumiu – quiçá a partir daqui de forma mais regular – o 4x4x2, com Fredy Montero ao lado de Islam Slimani. Neste particular a opção resultou, já que Montero foi dos melhores do Sporting no primeiro tempo, com três remates à baliza (um enquadrado) e uma ocupação de espaços entre linhas do Boavista que descompensou o “miolo” da formação portuense.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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Pecados de xadrez

O problema do “leão” esteve noutro lado, na ligação do meio-campo com o ataque, em especial com os extremos. Se em 4x3x3 o Sporting consegue combinações facilmente através de triangulações com Adrien/João Mário e os extremos (com Slimani a ajudar), desta feita, apenas com Adrien no meio, essa ligação foi deficiente durante os primeiros 45 minutos, em especial nos momentos de ataque continuado. A diferença esteve quando o Sporting não tinha a bola. Se o 4x3x3 “axadrezado” conseguia atrapalhar a construção de jogo sportinguista, quando era a vez de atacar os comandados de Petit cometiam dois pecados: demasiadas perdas de bola (total de 181 no final do jogo), e fraco, muito fraco posicionamento dos laterais Julian e João Dias no momento ofensivo.

O Sporting foi inteligente no aproveitar destes dois detalhes, deixando sempre os extremos bem abertos e nos espaços vazios, e quando havia recuperações de bola leoninas, esta chegava rápido a Nani, a Mané ou mesmo ao muito móvel Monteiro. Aos 27 minutos Adrien quase marcou ao concluir um contra-ataque com um remate ao lado e, aos 37, Miguel Lopes – aposta no lugar de Cédric – cruzou na perfeição, e sem oposição, para Slimani cabecear ao poste.

Faltou ao Sporting eficácia para aproveitar as fragilidades boavisteiras, e na primeira parte os melhores foram mesmo Montero e Adrien. O médio efectuou 30 passes com excelentes 93,3% de eficácia – no meio-campo adversário conseguiu 92,9% de acerto em 14 passes. Ao invés, William Carvalho esteve desinspirado na entrega, e só na primeira parte perdeu 12 vezes a bola.

Solução estava no banco

À meia-hora de jogo, Nani sentiu uma dor numa perna e foi substituído por André Carrillo, uma situação que haveria de ser decisiva. Na segunda parte, o peruano abriu o livro, foi pragmático, virtuoso, eficaz, e decidiu o jogo com um golo e duas assistências. Aos 54 minutos foi servido por William Carvalho, fugiu pela direita e “fuzilou” Mamadou Ba. Dois minutos volvidos fintou toda a gente na direita e serviu Mané no coração da área, para o 2-0. E aos 81 rompeu pelo meio e assistiu João Mário para o terceiro. O jogo estava decidido, apesar de Jonathan Silva ter feito autogolo aos 87 minutos.

Carrillo foi, assim, a grande figura da partida. Para além do golo e das assistências, fez ainda três passes para ocasião, teve 79,2% de passes (24) certos e ainda recuperou a bola cinco vezes. Montero terminou com quatro remates, embora só um enquadrado; Adrien Silva fez 52 passes, com 94,2% de acerto – 31 no meio-terreno adversário, com 93,5% de eficácia; William Carvalho esteve bem defensivamente, com quatro desarmes, quatro alívios, três intercepções e 13 recuperações de bola (o máximo da equipa); Miguel Lopes esteve bem no lado direito, com cinco cruzamentos (dois com sequência), cinco entradas, um alívio, quatro intercepções. Do lado boavisteiro, destaque para os quatro remates de Idris (só um enquadrado), os três de Brito (dois no alvo) e os 81,3% de passes certos de Ruben Gabriel, que foi um dos melhores dos da casa na primeira parte, mas saiu no início da segunda.

Colectivamente a surpresa vai para o equilíbrio nos remates: 13 para cada lado, com o Boavista a enquadrar três e o Sporting quatro (três deram em golo!), sendo que a diferença esteve nos disparos na grande área (Sporting 9, Boavista apenas quatro). Os “leões” conseguiram 63,9% de posse de bola contra 36,1% dos anfitriões, e somaram 78,2% de passes certos (em 463) para 57,6% do Boavista (em 250).