Braga 19/20 | Raio-X a “guerreiros” ambiciosos ⚽

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A época do Sporting de Braga tem sido uma verdadeira epopeia. Na paragem da Liga NOS, em Março, os “arsenalistas” reflectiam a imagem de uma equipa temida, capaz de oito vitórias seguidas em todas as competições e dez encontros sem perder no campeonato (série que se mantém), bem como de triunfos em catadupa frente aos “três grandes”, um deles garantindo-lhe a vitória na final da Taça da Liga, ante o FC Porto. Porém, este sucesso recente esconde uma temporada de altos e baixos.

O Braga leva quatro treinadores desde o arranque da época 19/20. Abel Ferreira saiu ainda na pré-temporada, chegando para o seu lugar Ricardo Sá Pinto. O antigo internacional luso comandou a equipa até Dezembro, deixando como legado uma extraordinária campanha na Liga Europa, mas uma irregularidade na Liga NOS que manteve a equipa a meio da tabela. O seu despedimento abriu a porta a uma fulgurante passagem de Rúben Amorim pelo banco “arsenalista”, que teve como pontos altos a conquista da Taça da Liga e a subida ao terceiro lugar do campeonato. De repente, o Sporting levava o jovem técnico para Alvalade, numa altura em que somava nove triunfos e um só empate na Liga portuguesa e exibições de grande nível. A solução estava dentro de casa, com António Salvador a apostar em Custódio, antes do advento da pandemia.

O que ficou para trás foi um misto de frustrações e alegrias extremas, mas, acima de tudo, períodos de futebol de ataque vertiginoso que teve vários protagonistas. Vamos tentar saber quais foram e qual o contributo dos mais relevantes, num raio-x que não esquece o colectivo.

A radiografia ao SC Braga

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Ao longos dos meses, os diversos técnicos dos minhotos implementaram ideias bem distintas. Principalmente a partir do reinado de Rúben Amorim, os “arsenalistas” adoptaram o esquema de três centrais como o favorito, garantindo consistência na defesa, mas também liberdade aos seus laterais, Ricardo Esgaio e Nuno Sequeira, para apoiarem o ataque.

João Palhinha e Fransérgio asseguram a solidez na zona central do “miolo”, com Francisco Trincão, Galeno e Ricardo Horta, como extremos mais interiores, e o perigoso Paulinho a conferirem à equipa um poder ofensivo que é, no fundo, uma das imagens de marca da equipa. Os 41 golos marcados fazem dos minhotos o terceiro melhor ataque e o rótulo de formação ofensiva nota-se também nas estatísticas acumuladas.

Um dos melhores indicadores para medir a competência na construção ofensiva é os expected goals (xG). A favor, o Braga tem o segundo registo mais elevado (47,1), apenas atrás do Benfica, embora com aproveitamento real em golos abaixo desse valor. Contas feitas, os “arsenalistas” têm menos 6,1 tentos do que era expectável tendo em conta esta métrica. Mas os registos ofensivos positivos não se ficam por aqui.

Grande volume ofensivo

Os “guerreiros” foram a equipa que mais rematou (16,0 por jogo) no campeonato, mas também a que mais enquadrou os seus disparos (6,0). Além disso foi a formação que dispôs de mais ocasiões flagrantes (2,8) e também a que assinou mais passes para finalização, nada menos que 12,6, sendo que 10,2 foram de bola corrida, também máximo da Liga.

O Braga manteve sempre a bitola alta quanto à capacidade de entrar na área contrária, registando 8,7 passes para finalização nesta zona fundamental do terreno, mais do que qualquer outro emblema. E também nos passes de ruptura – as entregas a rasgar as defesas para o espaço vazio -, ninguém registou mais, uns extraordinários 1,3, sendo que 0,8 foram eficazes.

Também nos momentos defensivos a equipa da Pedreira esteve bem, com excelente reacção à perda de posse, expressa em apenas 35,4 metros de circulação progressiva permitidos aos seus adversários, o segundo melhor valor, apenas atrás do FC Porto. E foi mesmo a equipa que mais acções defensivas eficazes no meio-campo e último terço realizou, com uma média de 21,7. Quanto aos xG contra, o Braga é apenas a oitava neste parâmetro, com 29,9, mas compensou esse facto com quase menos quatro golos sofridos do que os esperados. O guarda-redes Matheus teve, aqui, um papel fulcral.

Os principais “guerreiros” minhotos

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O “onze” que apresentamos é aquele que melhor reflecte o global da época bracarense, em termos de sistema de jogo, e é composto por aqueles que mais minutos disputaram. Este último facto deixa “no banco” aquela que é, talvez, a principal figura da equipa a nível qualitativo, pois conta com apenas 776 minutos na Liga. Falamos de Francisco Trincão, pelo que é Galeno o homem que surge no lado direito, com Ricardo Horta no esquerdo.

Em conjunto, os dois jogadores valeram 11 golos e oito assistências no campeonato até Março, assumindo-se como peças fundamentais no jogo muito focado nos extremos, característico do Sporting de Braga. Galeno é um desequilibrador por natureza, sendo o quarto jogador com mais dribles tentados (6,2) e o quinto nos completos (2,8), entre futebolistas com mais de 775 minutos disputados (temos aqui como referência os minutos de utilização de Francisco Trincão na Liga). O brasileiro é o segundo com mais dribles por 90 minutos no último terço (4,2), sendo o terceiro em completos (1,7).

Ricardo Horta é o terceiro mais rematador no plantel bracarense, com 3,2 disparos em média, e é o segundo entre os minhotos que mais ocasiões flagrantes criou (0,4), bem como o terceiro em passes para finalização de bola corrida (1,8).

Mas o excelente jogo dos “arsenalistas” pelas alas não se limita aos extremos. O esquema de três centrais permite a Ricardo Esgaio e Nuno Sequeira serem laterais de grande propensão ofensiva, que fazem todo o flanco (sólidos a defender, fundamentais no meio campo até a fechar por dentro e um apoio indispensável no último terço).

Nuno Sequeira é mesmo o jogador da Liga com mais passes para finalização nesta fase (Bruno Fernandes liderava, mas saiu para Inglaterra), com 2,7 por 90 minutos, sendo que 2,2 foram realizados nas grandes áreas contrárias – o que mostra até onde vai o jogo ofensivo do lateral. E no cruzamento é o segundo da prova com mais tentativas (5,3). Esgaio compensa o menor número destes lances com uma maior eficácia (38% de acerto em 4,1), e destaca-se mais nos momentos defensivos, com 3,2 desarmes. Dois elementos fundamentais na manobra minhota.

Um fenómeno chamado Trincão

Não podíamos deixar de destacar Francisco Trincão. Lançado por Sá Pinto e com uma evolução extraordinária sob a batuta de Rúben Amorim, ao ponto de ter sido já contratado pelo Barcelona, por €35M, o jovem extremo é mesmo o jogador com melhor GoalPoint Rating, sendo que, entre homens com mais de 775 minutos de utilização, foi o quarto com mais passes para finalização na Liga por 90 minutos (2,6) e, de longe, o que mais ocasiões flagrantes criou, nada menos que 1,3 (o segundo ainda é Bruno Fernandes, com 0,6).

Os números do jovem não ficam por aqui, apresentando também o segundo valor em passes de ruptura (0,6), extraordinários 45% de eficácia de cruzamento (em 3,7 por partida), sendo ainda o segundo com mais tentativas de drible (6,3) e o que apresenta mais dribles completos (4,1), correspondentes a 65% de eficácia.

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A paragem na Liga NOS aconteceu numa altura de transição para o Sporting de Braga, com a saída de Amorim para a entrada de Custódio. O antigo médio bracarense esteve ao leme da equipa em apenas uma partida do campeonato, conseguindo uma vitória por 3-1 sobre o Portimonense. Nesta primeira amostra, o novo técnico manteve as mesmas ideias de jogo do seu antecessor, fazendo antever que não iria proceder a nenhuma revolução numa equipa que estava a funcionar muito bem. Resta saber o que será o futuro e que efeitos, positivos ou negativos, esta longa paragem terá numa das formações que melhor futebol praticou na Liga NOS 2019/20.

Como tem sido habitual nestes raios-X, terminamos com as fichas de desempenho dos restantes elementos destacados.

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