Braga 2 – Benfica 1: “Guerreiros” salvos por Agra

Braga vira o jogo e trava Benfica, impondo a primeira derrota em provas nacionais à formação de Jorge Jesus. “Encarnados” comprometem defensivamente e são penalizados.

Talisca abriu o activo em Braga mas não foi suficiente para evitar a primeira derrota do Benfica (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Talisca abriu o activo em Braga mas não foi suficiente para evitar a primeira derrota do Benfica (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

O Benfica deslocou-se a Braga em jogo a contar para a oitava jornada, depois de Porto e Sporting terem vencido os seus respectivos jogos. Os “encarnados” entraram em campo sob um ambiente quente e intenso, com a obrigação de ganhar para manter a vantagem sobre os rivais, algo que acabou por não se verificar.

O Braga de Sérgio Conceição prometeu e cumpriu quando afirmou que iria complicar as contas ao Benfica.

Os “guerreiros” entraram em 4x3x3 para colocar problemas à aposta tradicional de Jorge Jesus, que não apresentou qualquer novidade no “onze” titular. O Benfica entrou forte na partida com Gaitán e Talisca em destaque pela irreverência que os caracteriza. O brasileiro foi assistido por Eliseu à passagem do segundo minuto e inaugurou o marcador.

As oportunidades foram surgindo e os “encarnados” estiveram mais perto do 2-0 do que o Braga do golo do empate. O Benfica conseguia desequilibrar por todos os corredores e com um bloco alto, obrigando os minhotos a procurar jogar de forma mais directa e a explorar os espaços nas costas. A equipa de Jorge Jesus ganhou muitas bolas no meio-campo defensivo do Braga pela pressão que exercia no último terço do terreno, com a equipa visitada a sentir dificuldades para iniciar a sua primeira fase de construção em segurança.

Equilíbrio

A partir dos 20 minutos, a equipa minhota começou a acertar nas marcações e conseguiu fazer com que o Benfica baixasse a intensidade e o ritmo de jogo. Aos 28, Éder apareceu isolado na cara de Artur e fez o golo do empate numa jogada muito peculiar. Lima teve nos pés o 2-0 e a oportunidade de ampliar a vantagem na sequência de uma transição rápida mas o Braga conseguiu travar a investida do avançado brasileiro e rapidamente colocou a bola no seu meio-campo ofensivo, com Pardo a ter espaço e tempo para poder assistir o ponta-de-lança português.

O jogo ficou mais equilibrado até ao intervalo, com as ambas as equipas a encaixarem no sistema táctico uma da outra depois de um período de adaptação e leitura táctica. Terminados os primeiros 45 minutos, o Benfica controlava a partida mas não apresentava sinais de conseguir dominar o Braga, contrariamente ao que se sucedeu nos primeiros minutos da partida. Os “encarnados” levavam a melhor sobre o Braga com 63,1% de posse de bola, 79,4% de eficácia de passes e 59,2% de duelos ganhos contra 36,9% de posse, 69,3% de eficácia de passe e 40,8% de duelos ganhos por parte do conjunto do Minho.

Jorge Jesus foi o primeiro a mexer. Aos 62 minutos, Samaris deu o lugar a Jonas. O grego foi dos melhores jogadores do Benfica, completando com sucesso todos os 21 passes que realizou. Com esta alteração Enzo e Talisca recuaram no terreno e o Benfica passou a ter mais poder de fogo no ataque, mas defensivamente continuou a sentir dificuldades para quebrar a ofensiva do Braga. Samaris defensivamente conseguiu oferecer maior estabilidade que Enzo e numa altura em que o Braga começou a aumentar o ritmo, forçando Artur a intervir para manter o empate, Jorge Jesus abdicou de uma unidade estável por uma aposta de risco.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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Desgaste

Com esta mexida, o Benfica dividiu-se em dois sectores e desequilibrou-se. Sérgio Conceição aproveitou o balanceamento ofensivo e o desgaste físico que os jogadores “encarnados” demonstraram a partir dos 70 minutos, devido ao encontro europeu, e lançou Salvador Agra aos 72 e Sami aos 80 minutos para os lugares de Rafa e Pardo.

A troca de extremos criou dificuldades a Maxi e Eliseu que passaram a marcar jogadores mais frescos e tecnicamente também evoluídos. A falta de ajuda defensiva por parte de Gaitán e Salvio também agravou os problemas. Numa transição rápida, depois de uma perda de bola do Benfica no seu meio-campo ofensivo, Agra salvou a noite e com um movimento interior rematou para o fundo das redes aos 81 minutos. O Braga não demorou a fechar o caminho para a sua baliza e Custódio entrou aos 83 minutos para o lugar de Ruben Micael. Jorge Jesus não voltou a fazer substituições e o Benfica passou a adoptar um jogo mais directo na tentativa de chegar ao golo do empate. Danilo, aos 91 minutos, recebeu ordem de expulsão e na tentativa final de assalto à divisão de pontos, os “encarnados” esbarram com uma exibição monstruosa de Matheus.

O guarda-redes brasileiro foi a grande figura do jogo ao impedir por diversas situações o golo do empate. No total foram sete defesas de grande qualidade. Ruben Micael e Pedro Tiba também foram unidades de maior destaque no processo ofensivo dos minhotos, com 87% e 80% de eficácia de passes, respectivamente. André Pinto e Aderlan conquistaram mais de 70% dos duelos que disputaram, contribuindo para o sucesso defensivo do Braga.

Do lado do Benfica, Enzo apareceu mais na segunda parte, completando 42 passes durante os 90 minutos, com 88,1% de eficácia. Talisca voltou a ser o jogador mais interventivo da frente de ataque com cinco remates, dois deles à baliza, tantos como Salvio. O extremo argentino, juntamente com Gaitán, apareceram em bom plano no início do jogo mas apagaram-se no desenrolar do segundo tempo. Gaitán completou seis cruzamentos com sucesso. Eliseu e Lisandro venceram 90,9% e 84,6% dos duelos que disputaram mas as dificuldades defensivas foram evidentes, nomeadamente nos corredores laterais em que o Braga conseguiu explorar situações de 1×1 e muitas vezes com sucesso.

O jogo terminou com 61,5% de posse de bola para o Benfica, com as “águias” a disporem de 77,5% de eficácia de passe e 55,6% dos duelos ganhos contra 66,9% e 43,4% do Braga. Os “encarnados” voltaram a demonstrar dificuldades em jogos de maior exigência. Foi assim contra o Sporting, Zenit, Bayer, Mónaco e este domingo frente ao Braga. Com esta derrota, o Benfica soma 19 pontos, mais um que o Porto, dois que o Vitória de Guimarães e três que o Sporting.