Brasil 0 – México 0: Ochoa tranca baliza mexicana

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Ambiente, cor, samba, hino cantado com emoção, estádio cheio. Todos os ingredientes para mais uma vitória brasileira. Porém, na “sopa” festiva da “canarinha” estava uma “aranha”. Não uma mosca, mas um guarda-redes que aparentava ter oito braços e uma elasticidade sem limites. E o México conseguiu travar o Brasil.

Os homens da casa mostraram uma intensidade diferente da partida inaugural com a Croácia, mas voltaram a mostrar as mesmas dificuldades de transição no centro do meio-campo, perante dois “trincos” recuados: L. Gustavo (esteve, ainda assim, em evidência) e Paulinho, este sem capacidade de pressão e transporte de bola. As soluções foram duas: o passe longo desde o terço defensivo – onde se destacaram David Luiz (com 12 completos em 15 tentativas), Gustavo (5 em 5) e Thiago Silva (5 em 6) –; e o ataque pelos flancos. Marcelo (85) e Daniel Alves (74) foram os brasileiros com mais intervenções com bola, contra, por exemplo, Paulinho (40), o médio-centro mais adiantado e teoricamente responsável por uma das fases de construção de jogo.

Clique na imagem para ler em detalhe (foto: Mexsport / Infografia: GoalPoint)
Clique na imagem para ler em detalhe (foto: Mexsport / Infografia: GoalPoint)

Na frente, Neymar foi o protagonista, apesar de não ter marcado. Foi o mais rematador da sua equipa, com três disparos (dois no alvo), foi quem fez mais passes perigosos (quatro) e o segundo com mais dribles, e quem fez mais cruzamentos (sete).

O Brasil teve melhor aproveitamento de passe (84% contra 78%), mais posse de bola (53% – 47%), uma enorme diferença na eficácia nas bolas pelo ar (76% – 24%), 15 remates, seis deles à baliza, mas não conseguiu marcar. Como se explica, mesmo após a entrada de Jô, um “pinheiro” no eixo do ataque?

Guillermo Ochoa, o guardião do México, actualmente sem clube, contrariou as apostas e o historial das duas selecções, impondo um nulo com um punhado de defesas extraordinárias. Foi o homem do jogo, mas teve a ajuda de uma equipa solidária, onde se destacou Rafael Márquez. O antigo jogador do Barcelona, de 35 anos, actuou no eixo da defesa, como que um “líbero”, muitas vezes sendo o primeiro a transportar a bola. Somou quatro recuperações defensivas, quatro desarmes, bloqueou um remate contrário: uma autêntica muralha defensiva e tacticamente irrepreensível no posicionamento e movimentação.

 

Apontamento Táctico

Um jogo diferente mas um filme igual. Neste encontro com o México, Luiz Felipe Scolari, apesar de ter mexido no “onze” inicial, continuou com os mesmos problemas. Por um lado, a construção baixa brasileira manteve-se muita lenta, sendo que depois os “canarinhos” usaram sempre os corredores laterais em detrimento do corredor central. Quando os mexicanos eram apanhados em contrapé, o Brasil explorava as costas dos alas adversários bastante bem. Contudo, quando o México recuperava todas as suas unidades para o momento defensivo, os brasileiros ficavam sem ideias e atacavam com pouco perigo. Bernard mostrou ser mais vertical e criativo que Ramires, porém o Brasil perdeu uma unidade fulcral na defesa, após a saída do ex-benfiquista. E sobretudo, aconteceu por diversas vezes o quarteto defensivo da casa estar completamente à mercê dos remates de meia distância mexicanos.

O “Apontamento Táctico” é assinado por Miguel Pontes.

Considera que o Brasil esteve mais uma vez abaixo das expectativas ou atribui à selecção do México o mérito do empate? Deixe a sua opinião.

Pedro Tudela
Pedro Tudela
Profissional freelancer com 19 anos de carreira no jornalismo desportivo, colaborou, entre outros media nacionais, com A Bola e o UEFA.com.