Brasil 2002 vs 2014: a diferença está na pontaria

Scolari regressa ao "mata-mata" no comando do Brasil doze anos após contribuir para o "penta". Analisamos as diferenças entre o Brasil de ontem e o de hoje com Felipão como denominador comum.

Doze anos separam o Brasil de Felipão pentacampeão mundial em 2002 do time comandado pelo técnico brasileiro na Copa do Mundo deste ano. Se no passado a equipa era uma incógnita, a verdade é que agradou e conquistou o título. Hoje, ocorre o oposto: considerada uma das favoritas, a selecção ainda não convenceu.

Terminada a primeira fase do torneio é possível comparar os números e ver as diferenças entre as duas equipes de Felipão. Em 2002, o Brasil venceu os três primeiros jogos, contra duas vitórias e um empate obtidos neste ano.

Clique na imagem para ler em detalhe (foto: Shutterstock / AGIF / Infografia: GoalPoint)
Clique na imagem para ler em detalhe (foto: Shutterstock / AGIF / Infografia: GoalPoint)

A pontaria do jogadores parece ser a principal explicação para a diferença de resultados. Há 12 anos, o Brasil dava em média 14,3 chutes por partida, dos quais 9,3 iam em direcção à baliza adversária (aproveitamento de 65%). Neste ano, o time chuta mais: média de 15,7, mas acerta menos na baliza, com média de 7,7 (aproveitamento de 49%).

Com menos remates à baliza, menos a bola balança as redes. Nos três primeiros jogos de 2002 foram anotados 11 golos, contra sete deste mundial. Ou seja, há 12 anos, o time brasileiro anotava um golo em média a cada 3,9 chutes. Nesta edição, são necessários 6,7.

A concentração de golos em apenas um jogador também explica o pior desempenho da equipa este ano. A dependência que o Brasil tem hoje de seu craque Neymar é maior que a que o time tinha de Ronaldo em 2002. Dos sete golos marcados este ano, quatro (57%) foram do atacante do Barcelona. Há 12 anos, Ronaldo tinha os mesmo quatro golos apontados na primeira fase, mas isso representava 36% do total anotado pelos brasileiros.

Os demais dados analisados (há menos informação disponível sobre o Mundial de 2002) mostram semelhanças entres os dois times de Felipão. Golos sofridos, posse de bola e faltas cometidas são quase os mesmos.