Jogar num Mundial de futebol é o sonho para quase todos os jogadores (e não jogadores) do mundo, mas a cada quatro anos, de cada país que consegue o apuramento, apenas 23 atletas têm a sorte de ser escolhidos. Tite, selecionador brasileiro, já “ofereceu” bilhetes a 15 jogadores, deixando em aberto apenas oito lugares na comitiva da canarinha para a “Copa”.

Para actuar como defesa-central, ou ~”zagueiro”, termo mais popularizado no Brasil, três jogadores têm entrada garantida no plantel. Marquinhos e Miranda, habituais titulares da “Seleção” sob o comando de Tite, e Thiago Silva, um suplente de luxo que poderá mesmo entrar na corrida pela titularidade, são os garantidos, deixando assim espaço para partir à procura de um quarto “zagueiro” para o plantel mundialista.

Lugar aos habituais?

Para além dos três jogadores que Tite já garantiu no grupo, dois nomes serão os principais candidatos a conseguir o lugar, tendo sido os únicos dois defesas-centrais utilizados na Qualificação para o Mundial ou na Copa América. Gil, actualmente ao serviço do Shandong Luneng, e David Luiz, do Chelsea.

O caso de David Luiz é o mais problemático, já que durante o ano de 2018 só por uma vez foi titular em jogos do Chelsea na Premier League, e logo numa pesada derrota sofrida pelos “blues”, 4-1, perante o Watford. Entre lesões e desencontros com as expectativas de Antonio Conte, a pouca utilização poderá levar à exclusão do Mundial.

O que abre as portas para Gil, que inicia a sua terceira temporada na Superliga Chinesa. Na sua utilização na “canarinha”, Gil não destoou, ainda que tenha uma percentagem de duelos aéreos defensivos ganhos (57%) bem menor do que a registada na Liga Chinesa. Em todos os outros dados, mantém o nível da equipa de Tite. Se olharmos para os seus dados na última temporada, a principal preocupação prender-se-á com o ritmo competitivo a que está exposto.

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Sendo certo que Tite não tem encarado como um problema os jogadores a evoluir desta prova, como aconteceu com Paulinho ou Renato Augusto, na verdade os números de Gil acabam por ser mais dificilmente comparáveis com os de jogadores que actuam em competições mais exigentes.

Rodagem na Liga dos Campeões

Dois centrais brasileiros têm tido uma larga rodagem na Liga dos Campeões, nas últimas duas épocas, sendo ambos mais jovens do que Gil. Se a opção de Tite passar por procurar experiência na maior prova de futebol de clubes do mundo, a sua solução poderá passar por escolher entre Felipe, do FC Porto, e Jemerson, do AS Monaco.

O comportamento dos dois centrais bebe, sem dúvida alguma, daquilo que são os modelos das respectivas equipas, mas se pensarmos que aquilo que Tite mais exige aos seus centrais é capacidade de concentração num momento defensivo que, na maioria dos jogos, é poucas vezes colocado à prova, e um controlo de bola de qualidade para participar na primeira fase de construção, a percentagem de passes certos no próprio meio-campo, ambos nos 90% na Liga dos Campeões, está um pouco abaixo da registada na mesma prova por Marquinhos, Thiago Silva e David Luiz (97%).

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Mais agressivo, Felipe supera Jemerson no número de intercepções e na percentagem de duelos aéreos conquistados, com o jogador do Mónaco a superiorizar-se no número de desarmes e foras-de-jogo provocados (1,4 por jogo contra 0,4 de Felipe). Entre todos os centrais analisados, Felipe é o jogador que mais vezes procura os passes aéreos, assumindo maior risco (o que combina com aquilo que lhe é pedido pelo treinador) e nem sempre com o melhor acerto.

O jogador do FC Porto revela uma grande preponderância no processo da sua equipa, sendo muito forte no jogo aéreo ofensivo, o que poderia compensar algum desacerto na qualidade de passe e no tempo de entrada aos lances (28% de desarmes falhados na Liga dos Campeões e 27% na Liga NOS), situação que lhe valeu já uma imagem de jogador duro, em Portugal.

Opção Brasileirão

Outros dois nomes entram ainda nas contas de Tite para esta posição, caso o técnico brasileiro opte por dar oportunidade a um “zagueiro” do Brasileirão. Os dois jogadores que sobressaem neste contexto são Geromel, do Grêmio, e Rodrigo Caio, do São Paulo, que tem em conta o que ambos fizeram na última temporada da Série A brasileira.

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Rodrigo Caio é mais certeiro no passe do que Geromel, provocando mais foras-de-jogo e conquistando, também, maior percentagem de duelos aéreos. Geromel tem um estilo de jogo defensivo mais pro-activo e, arriscando mais, acaba por interceptar mais passes e tentar mais desarmes, o que faz com que ganhe mais duelos, mas… também perca mais.

E o quarto “zagueiro” é…

Ainda não teve oportunidade de mostrar serviço em jogos oficiais, sob o comando de Tite, mas no particular frente ao Japão foi titular e o jogador que aparece como mais provável para ser o quarto “zagueiro” da equipa brasileira no Mundial: o monegasco Jemerson.

Rodrigo Caio foi testado perante a Austrália, em Junho do ano passado, tendo também formado dupla na defesa com Geromel, no encontro de Janeiro de 2017 frente à Colômbia, que contou apenas com jogadores que actuam no Brasil. Os testes estão feitos, mas com dois amigáveis marcados para o mês de Março e com Felipe a ser um dos esteios defensivos do FC Porto, primeiro classificado da Liga portuguesa e presença nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, poderá valer a portista uma experiência na “canarinha” em tempo de decisões quanto ao plantel.