Brasil – Croácia: Um Oscar para a reviravolta de Neymar

O avançado do Barcelona pegou no jogo e deu-lhe a volta, e teve em Oscar um motor ofensivo que lhe permitiu “abrir o livro”.

A estreia do Brasil no Mundial 2014, frente à Croácia, chegou a estar sob o espectro do drama. Grande parte do susto inicial da “canarinha” deveu-se a alguns equívocos tácticos de Luiz Felipe Scolari e à estratégia acertada de Niko Kovac.

O Brasil surgiu com um futebol muito pausado. E com motivos para isso. A pressão croata sobre os médios-defensivos brasileiros, Luiz Gustavo e Paulinho, cortaram a primeira zona de construção dos da casa. Sem transporte no “miolo”, os defesas-centrais, mais L. Gustavo viam-se obrigados a tentar o passe longo, como mostram os números. Gustavo (56) e Silva (69) foram dos que mais passes efectuaram, juntamente com David Luiz e Dani Alves. Os passes longos de Thiago Silva (9), David Luiz (8) e Gustavo (7) mostram a dificuldade brasileira no transporte de bola. Não espantam, por isso, os números de D. Lovren no centro da defesa croata: 11 alívios completos, 100% de eficácia, um registo impressionante.

clique na imagem para ler em detalhe (fotos: CC / Infografia: Goalpoint)
Clique na imagem para ler em detalhe (fotos: CC / Infografia: Goalpoint)

Tudo mudou com as movimentações de Neymar e Oscar. O avançado do Barcelona começou a recuar no terreno, como comprovam os quatro passes no terço defensivo, na procura de transportar jogo. O jogador do Chelsea começou a cair nas alas, mostrando capacidade de drible (sete, mais do qualquer outro) e rigor no passe (83% de eficácia). Aqui residiu o segredo do triunfo do Brasil. Neymar pegou no jogo e bisou, dando a volta ao marcador. Oscar foi o seu complemento, marcando uma vez e fazendo uma assistência, para além de um esforçado trabalho colectivo – quatro “carrinhos” e três intercepções constituem um dos melhores registos da equipa, incluindo defesas. Oscar foi, no capítulo mais global, o Melhor em Campo, de entre as duas grandes figuras “canarinhas”.

 

Apontamento Táctico

Neste primeiro jogo Scolari decidiu ter uma abordagem que tentasse contornar o nervosismo da estreia. Contudo, ao optar por um duplo pivô defensivo (Luiz Gustavo e Paulinho), a construção baixa da “canarinha” demonstrou ser demasiado lenta e posicional para o bloco compacto e equilibrado dos croatas. Luiz Gustavo tinha ordens para colocar-se no meio dos centrais brasileiros tentando dar largura ao jogo nesta primeira fase do momento ofensivo. Porém, apenas complicou a tarefa dos da casa. Na construção alta, a formação brasileira perdia a hipótese de ter jogadores em quantidade suficiente para baixar o bloco adversário e, sobretudo, ganhar mobilidade e linhas de passe. Apenas Oscar (importantíssimo nesta manobra) e Neymar, ao desmarcarem-se para os corredores laterais e com os defesas brasileiros a fazerem o “inner-lapping”, conseguiram romper esta luta táctica em que a Croácia se superiorizou claramente durante grande parte do jogo.

O “Apontamento Táctico” é assinado por Miguel Pontes.

 

Qual foi para si o homem do jogo no Brasil – Croácia? Que jogadores estiveram acima e/ou abaixo das suas expectactivas? Deixe-nos a sua opinião.