Cara ou coroa? Cinco confirmações e cinco desilusões do EURO 2020

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Amaratona de 51 jogos do Euro 2020 está prestes a terminar e culminará com a grande final do Wembley entre Itália e Inglaterra. Nesta caminhada até ao derradeiro embate houve jogadores que desiludiram com “performances” abaixo do nível esperado e outros que aguçaram o olhar e rubricaram exibições acima da média. 

Brilho intenso no EURO

Cara ou coroa? No lado da moeda que mais brilhou escolhemos cinco jogadores que estiveram em alta nesta competição itinerante, alguns nomes mais conhecidos e outros que procuram o seu espaço entre a elite do futebol europeu e mundial. Eis os eleitos…

Emil Forsberg – Suécia

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Figura de proa no esquadrão sueco, Emil Forsberg demonstrou toda a qualidade que destila há várias épocas na Bundesliga. O craque do Leipizig foi um dos principais dínamos da selecção nórdica, que caiu nos oitavos-de-final aos pés da Ucrânia, tendo acumulado nas quatro partidas em que actuou quatro golos em oito remates de bola corrida, cinco passes para finalização (bola corrida), 20 passes ofensivos valiosos, atingiu dez dribles eficazes, foi travado em três ocasiões e amealhou ainda cinco acções defensivas no meio-campo dos adversários que os suecos defrontaram na prova. O GoalPoint Rating de 6.91 é um excelente cartão de apresentação do criativo de 29 anos.

Mikkel Damsgaard – Dinamarca

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Como se escreve mágico em dinamarquês? Magi… perdão Mikkel Damsgaard. O avançado com pés de veludo e uma velocidade supersónica foi uma das agradáveis revelações deste Europeu, demonstrando que o presente e o futuro dos dinamarqueses passam por ele. No habitual 1x3x4x3 dos nórdicos, jogou como avançado pelo lado esquerdo, mas com total liberdade de movimentos. Com técnica apurada, dinamitou as defensivas contrárias nos cinco encontros em que actuou, tendo acumulado dois golos num total de sete remates de bola corrida, uma assistência, seis passes para finalização (também de bola corrida), 12 passes valiosos, nove dribles eficazes, seis faltas sofridas e nove acções defensivas no meio-campo contrário. De acordo com a Imprensa especializada, muito dificilmente irá prosseguir a carreira na Sampdoria, tal o rol de pretendentes que tem, apesar do vínculo até Julho de 2024.

Dois laterais e um “tuga” em grande

Depois do pesadelo na ronda inaugural e na segunda jornada, a Dinamarca ressurgiu das cinzas e foi a selecção mais surpreendente da competição, tendo caído de pé nas meias-finais. Além de Kasper Schmeichel e do já citado Damsgaard, vários jogadores da “Dinamáquina” estiveram em foco, entre os quais um destro que brilhou no lado canhoto. Além disso, não obstante a participação inglória dos ainda detentores do título, Renato Sanches foi das poucas excepções lusitanas – a par dos inevitáveis Rui Patrício e Cristiano Ronaldo – que fugiram à mediania que marcou a presença de Portugal. A fechar este top-5 esteve um alemão que tem um pulmão que abre avenidas.

Joakim Maehle – O nome é difícil de escrever e de dizer, mas o futebol do lateral é fácil de encantar até os mais críticos. Maehle é lateral-direito de origem, mas na selecção foi lançado no flanco oposto e encantou, tanto a defender como nos estragos que fez na área contrária. Com 570 minutos, divididos em seis encontros, o jogador da Atalanta foi autor de dois golos, uma assistência, sete passes para finalização de bola corrida, acertou quatro cruzamentos, teve êxito em oito intercepções, acumulou uma eficácia de 62% no que concerne aos desarmes eficazes e um rating de 6.35.

Renato Sanches – O crescimento do médio em termos tácticos é notório. Depois de ter dado um passo de gigante quando trocou, com apenas 18 anos, o Benfica pelo Bayern Munique, “Bulo” deu um passo atrás e, sem os holofotes constantemente ligados, cresceu de forma sustentada no Lille. Peça preponderante nos actuais campeões da Ligue 1, foi das poucas notícias da turma das Quinas, imprimindo força, vontade, aquele futebol selvagem, agora mais refinado e criterioso, que ainda acalentou algumas esperanças lusas, e terminou com um GoalPoint Rating de 6.22. Titular em dois dos quatro embates nacionais, gizou três passes para finalização de bola corrida, orquestrou sete passes valiosos, teve uma eficácia de passe no último terço de 81% (lá está, mais maduro e incisivo na tomada de decisão), entre faltas sofridas e dribles eficazes contabilizou 14 e foi ainda importante em termos defensivos, com sete intervenções no terço intermédio.

Gosens – A locomotiva de Bérgamo que deu asas à Alemanha. O ala esquerdo foi a melhor unidade germânica a marcar presença nesta fase final do Euro. Rápido, incisivo e decisivo. A exibição que rubricou ante Portugal ficará na memória, dizimou a defensiva dos comandados de Fernando Santos e foi o principal responsável pelo triunfo da Nationalmannschaft. Em suma, nas quatro partidas em que foi utilizado por Joachim Löw – GoalPoint Rating de 6.06 –  marcou o tal “tento”, fez uma assistência, criou cinco passes para finalização de bola corrida, somou cinco tentativas de desarme e quatro intercepções.

Abaixo das expectativas do mundo da bola

No reverso da medalha, foram vários os craques que se exibiram a um nível abaixo das expectativas. E há nomes bem sonantes.

Kylian Mbappé – França

Antes do pontapé de saída, certamente que o nome do francês estaria na “short list” de putativos candidatos ao título de MVP. As expectativas eram elevadas, mas Mbappé nunca conseguiu ser a estrela guia que os “les bleus” estariam à espera e acabou por afunda-se nos oitavos-de-final diante da armada suíça liderada por Sommer, Xhaka, Seferovic e companhia. 

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Olhando para os números, Kylian não marcou nenhum golo (dez remates de bola corrida em quatro partidas), fez apenas uma assistência, sete passes para finalização de bola corrida, teve uma eficácia no capítulo do drible de 40% (em 25 tentados), sofreu quatro faltas e acumulou quatro acções defensivas no meio-campo contrário. O GoalPoint Rating de 5.6 não reflecte, de todo, o imenso potencial do avançado do PSG. 

Bernardo Silva – Portugal

Após uma temporada em que foi um dos principais cérebros do Manchester City, principalmente quando foi lançado por Pep Guardiola na zona central para pensar o jogo da equipa, Bernardo era tido como um dos “maestros” lusos, mas o tom não foi o melhor e a “sinfonia” desafinou.

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Desterrado no corredor direito, apenas deu um ar do futebol perfumado e refinado que a todos encanta a espaços, denotando falta de frescura física. Os números da folha de serviço de Bernardo apresentam o seguinte: nenhum remate de bola corrida à baliza em 236 minutos, zero assistências, quatro passes para finalização de bola corrida, apenas quatro dribles tentados (eficácia de 60%) e três faltas sofridas.

Trio que mal se viu

Várias foram as selecções e jogadores que ficaram aquém do “buzz” com que iniciaram a prova. Após uma fase de grupos irrepreensível, a “laranja” deixou de dar sumo e caiu com estrondo nos “oitavos”. Já a Turquia foi uma das desilusões e nem na fase a eliminar conseguiu marcar presença. Por sua vez, a Alemanha disfarçou diante de Portugal uma fase descendente que tem vivido após a conquista do Mundial em 2014 e da presença nas meias-finais no EURO 2016.

De Light – Decorria o jogo dos oitavos-de-final entre os Países Baixos e República Checa quando, aos 58 minutos, De Ligt foi expulso após travar com a mão um contra-ataque contrário. O marcador estava a zeros. “Perdemos o jogo e fomos eliminados por minha culpa. Não devia ter feito o que fiz naquele lance. Tínhamos o jogo sob controlo. Como é óbvio, o cartão vermelho fez toda a diferença”, disse no final do encontro o jogador da Juventus. Um lance que marcou a presença do defensor na competição. Utilizado em três dos quatro jogos, foi responsável por uma intercepção, levou a melhor em 75% dos duelos aéreos defensivos em que interveio, acertou 98% dos passes que fez no primeiro terço do terreno e foi 100% eficaz no que diz respeito aos desarmes. 

Çalhanoglu – O estratega foi uma das vítimas do naufrágio turco e, no meio anarquia táctica, nunca conseguiu sair das amarras que “toldaram” o rumo da equipa de Senol Günes no Grupo A. O médio, que há dias trocou o AC Milan pelo rival Inter, acumulou um rating de 5.49 e apenas um remate de bola corrida nos 262 minutos em que esteve em acção, cinco passes para finalização (bola corrida), oito passes ofensivos valiosos, duas acções defensivas no meio-campo adversário e sofreu quatro faltas.

Werner – Apesar dos 12 golos que apontou em 52 partidas oficiais, a época de estreia de Timo Werner no Chelsea ficou marcada por imensas críticas, muito devido aos falhanços – alguns deram azo a “memes” – que protagonizou. Na selecção germânica, a situação não melhorou, com o dianteiro a sentir imensas dificuldades em demonstrar todo o valor que lhe é reconhecido desde os tempos em que começou a brilhar no Leipzig. Neste EURO 2020, nas quatro partidas em que actuou (112 minutos), apenas foi titular nos oitavos-de-final contra a Inglaterra, duelo no qual desperdiçou uma ocasião flagrante de golo. Em suma, fez dois remates de bola corrida, não marcou nenhum golo, saiu da prova sem assistências e com um pobre rating de 4.41.

Leonel Gomes
Leonel Gomes
Amante das letras, já escreveu nos jornais A Bola, Público e o O Jogo, dedicando-se também ao Social Media Management desde 2014. Tornou-se GoalPointer na "janela de mercado" do verão de 2019.