Carrillo vs Salvio: Na direita estão as virtudes

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As lesões de Islam Slimani, no Sporting CP, e Júlio César e Nico Gaitán, no SL Benfica, têm dominado os debates sobre quais os mais influentes e que peso as possíveis ausências poderão ter nos desempenhos das duas formações lisboetas no derby de domingo. Limitar a discussão a estes três jogadores é demasiado redutor e não convém esquecer que as duas equipas têm outros executantes capazes de decidir o encontro.

O GoalPoint já destacou a qualidade de Gaitán esta temporada, ou de Nani, mas este derby corre o sério risco de ter outros protagonistas. As comparações são sempre condicionadas por diversos factores, como o estilo de jogo das equipas, mas há números que reflectem a essência dos jogadores. Olhámos para os dois extremos-direitos dos grandes de Lisboa, André Carrillo e Eduardo Salvio, e não deixámos de nos surpreender com os valores de ambos, em especial do peruano.

É pacífico, desde há algumas épocas, o peso e preponderância que Salvio tem na manobra benfiquista, um jogador letal no um-para-um, de drible fácil, velocidade e empenho, que se integra como poucos extremos na grande área contrária – como os golos revelam.  Assume um papel importante também no equilíbrio defensivo a meio-campo. Carrillo tem feito a melhor época ao serviço do Sporting desde que chegou a Portugal e, numa comparação directa, não deixa de surpreender os valores do peruano em comparação com os do argentino. Carrillo equipara-se a Salvio em muitos vectores e ultrapassa-o mesmo em termos de eficácia em diversos parâmetros. Mas vamos por partes.

Tal como o próprio Benfica, Salvio também se assume como competente no último terço, nomeadamente na eficácia de remate (53,1% para 30,6% de Carrillo) e nos golos (7 contra 5), o que corresponde a um aproveitamento de 21,9% (13,9% do “leão”). No meio-campo, Carrillo começa a equilibrar as contas, o que se explica pela maior mobilidade do peruano (parece estranho dizê-lo, mas Carrillo deambula por mais zonas do terreno, tendo acções de jogo em áreas mais diversas). Salvio apresenta melhores valores já no último terço, mais passes por jogo nesta zona (16,2 vs 14,9), mais eficácia neste domínio (76,1% vs 72,9%), mas perde noutros momentos – no global, Carrillo tem ligeira vantagem nos passes certos (80% para 79,4%), soma mais passes para ocasião (1,7 contra 1,5 por jogo) e tem mais uma assistência que Salvio (5 para 4).

Carrillo agiganta-se, curiosamente, num dos aspectos que mais críticas lhe valeram no passado: a defender. Mais recuperações de bola por jogo – 4,6 vs 3,9 -, mais intercepções – 0,7 vs 0,6 -, mais desarmes – 2 vs 1,1 – e com maior eficácia – 86,8% vs 84,2%, e menos perdas de bola – 16,3 de Carrillo, 18,8 de Salvio. Números que dão que pensar.

Quanto ao drible, imagem de marca de ambos, Salvio é quem mais tenta este gesto na Liga, mas tem uma eficácia baixa de 29,8%, enquanto Carrillo só tem menos sucesso neste capítulo do que o portista Yacine Brahimi (41% do peruano, 42,2% do argelino). É caso para dizer que as duas equipas estão muito bem servidas na ala direita. Qual deles poderá desequilibrar a balança?

Os mais eficazes no drible na Liga NOS

JogadorDribles tentadosDribles conseguidosEficácia (%)
Yacine Brahimi1024342,2%
André Carrillo1054341%
Eduardo Salvio1414229,8%
Hernâni1082725%
Rafa1132824,8%

Derby: Confira o desempenho comparado de Sporting e Benfica na Liga, na véspera do confronto.

Pedro Tudela
Pedro Tudela
Profissional freelancer com 19 anos de carreira no jornalismo desportivo, colaborou, entre outros media nacionais, com A Bola e o UEFA.com.
GoalPoint

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