A lesão de Ewerton fez soar o alarme e, de uma assentada, o Sporting garantiu na semana passada duas alternativas ao brasileiro para o centro da defesa. Os nomes não são sonantes, por isso interessa ainda mais perceber se Naldo e Ciani trazem algo que possa descansar os sportinguistas e se têm condições para se afirmar no “onze” de Jorge Jesus.

Antes de mais, e porque é sempre difícil e injusto comparar números defensivos de jogadores de equipas com objectivos bem diferentes, analisámos o tipo de acção em que cada jogador mais incorre, comparando-os com os outros três centrais à disposição de “JJ”. Os números são curiosos:

Gráfico: os 5 centrais do Sporting 2015/16

 

Se é poder de jogo aéreo que o novo treinador do Sporting procura, então provavelmente ficava mais bem servido com o que já tem. Em comparação com os outros três centrais, Naldo e Ciani são aqueles que menos se decidem pelo confronto pelo ar, o que principalmente no caso do francês não deixa de ser curioso visto que está quatro centrímetros acima dos outros. Ciani é dos cinco aquele que mais procura os duelos pelo chão, enquanto Naldo também o faz com frequência mas tem mais tendência a jogar na antecipação.

Mas além das tendências, importa saber a eficácia de cada um dos jogadores por tipo de duelo em que se envolvem, e aí as razões para preocupação aumentam.

Como é possível constatar na infografia anexa, apesar da insistência de ambos os reforços nos duelos pelo solo, a percentagem de vezes em que são bem-sucedidos nesse tipo de acção é no mínimo… preocupante. Enquanto os três centrais que já faziam parte do plantel apresentam uma eficácia a rondar os 72% no desarme, Naldo e Ciani têm 45% e 38%, respectivamente. “Ai Jesus”?

O que pode então ter levado o scouting leonino a apostar nestes alvos? No momento ofensivo ambos têm números piores em quantidade e qualidade do que as soluções actuais. Naldo fez na época passada um remate a cada cinco jogos e só acertou na baliza uma vez, enquanto Ciani, num clube que tal como o Sporting ficou em terceiro, fez metade dos remates/jogo, tanto de Tobias como de Ewerton.

Nem tudo é mau no francês, visto que na eficácia de passe só é batido por Ewerton, no entanto Naldo falha sensivelmente um a cada quatro passes, o que na posição nevrálgica que ocupa é coisa para fazer cair alguns dos cabelos brancos de Jorge Jesus.

Conforme referimos a comparação pura e dura dos números nunca pode constituir a única métrica na hora de optar por um jogador (assim como ignorá-la também não será um caminho avisado). Os dois jogadores que chegam para reforçar o eixo defensivo leonino actuaram em contextos competitivos e tácticos diferentes, cada um com um percurso particular a ter em atenção (Ciani viveu problemas físicos impeditivos na última época, obrigando-nos aliás a optar por dados OPTA relativos à temporada 2013/14 para atingirmos um comparativo mais justo). No entanto, o desempenho comparado parece indicar que nenhum dos reforços parte com uma vantagem significativa face aos centrais leoninos que os recebem, que não o infortúnio que afasta Ewerton da equipa neste arranque de temporada.

A pré-temporada ajudará Jorge Jesus a perceber não só quais as melhores opções e permitirá ao treinador aplicar o seu reconhecido “toque de midas”, potenciando as opções à disposição e/ou devolvendo o melhor desempenho a alguns destes jogadores, como Ciani, cuja melhor fase coincidiu com as últimas épocas na Ligue 1 francesa, antes de rumar a Itália.