Chakvetadze. C-H-A-K-V-E-T-A-D-Z-E. Giorgi Chakvetadze. O nome não é fácil, mas vamos ouvi-lo tantas vezes nos próximos anos que acabaremos por decorá-lo facilmente.

O “miúdo” tem 19 anos acabados de fazer – nasceu em Agosto de 1999 – e tem vindo a mostrar-se na Liga belga, “terreno fértil” para jovens talentos. O georgiano custou €1,5M ao Gent, oriundo do do Dinamo Tbilisi, e está a ter nesta época o seu ano de grande afirmação. Já soma mais de mil minutos na Pro League (mais do que tinha feito toda a época passada) e cinco internacionalizações pela Geórgia desde o início da época. É muito jovem e está a fazer a sua primeira grande temporada em campeonatos de alto nível, mas os seus números são tão impressionantes que o contrato até 2020 não o deverá conseguir segurar por terras belgas por muito mais tempo.

O georgiano é um médio-ofensivo que tanto pode jogar pelo corredor central como a partir da ala esquerda, e é um autêntico “canivete suíço” naquilo que oferece à equipa com bola, pois faz quase tudo e quase tudo muito bem. Para já, e porque é a primeira coisa que imaginamos num médio-ofensivo, podemos dizer que é um criador nato, com 1,7 passes para finalização de bola corrida por 90 minutos e até 0,5 passes de ruptura – sendo esta última métrica conhecida por ter números particularmente baixos e por habitualmente ter no topo do seu ranking génios como Neymar, Messi ou De Bruyne,

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Chakvetadze está habituado a alimentar os seus colegas, por isso exige o contrário quando está em família

Mas nem só de último passe é feito Giorgi, que mostra precisão mesmo no momento de construção avançada da equipa: falha apenas 15% de passes curtos com os pés e soma 77% de passes certos no último terço. Apesar de ter 1,83m, é ainda assim bastante ágil e muda de velocidade com facilidade, tornando-se também em alguém que pode progredir em posse com destreza. Os seus 2,2 dribles completos por 90 minutos são um bom sinal disso mesmo, sendo que mais de metade são conseguidos já no último terço.

Golos e remate de qualidade

Por fim, os seus sete golos esta temporada – quatro pelo Gent, três pela sua selecção – não são de estranhar para quem observa o jovem craque: faz 2,1 remates por cada 90 minutos, 1,2 desses na dentro da área. Torna-se um perigo para defesas contrárias não só pela forma como corta em diagonal do corredor esquerdo para zona de remate – foi assim que marcou o primeiro golo da história da Liga das Nações – , como pela forma como chega à área. Mantendo uma técnica de remate de enorme qualidade independentemente da opção, enquadra 54% dos disparos com os pés na área e 27% dos tiros de fora desta, para além de 0% de remates muito desenquadrados.

Exactamente por ter esta facilidade de chegar à área, combinada com a capacidade de drible, beneficia de iniciar jogos a partir do lado esquerdo do ataque, de onde pode “ganhar balanço” para atacar as zonas centrais. No entanto, seja por dentro ou por fora, Chakvetadze tem as mesmas arestas a limar: o momento sem bola. A falta de acções defensivas – apenas 0,5 interceções, 0,3 bloqueios de passe e 1,5 desarmes – fazem com que os seus colegas tenham de trabalhar extra para compensar a sua passividade quando a oposição tem a bola. Para além disso, pode tornar-se um obstáculo para uma possível transferência futura, se tivermos em conta a quantidade de grandes equipas que fazem da pressão alta uma parte fundamental do seu sistema de jogo.

As fraquezas no seu jogo são naturais para um futebolista de 19 anos a fazer a sua primeira época numa Liga de qualidade, mas aquilo que traz com bola é de louvar e faz com que seja um talento de enorme potencial. Tem tudo para ajudar a carregar a sua selecção até um patamar nunca antes visto, como já se tem visto na boa campanha da Geórgia na Liga das Nações – e pelo caminho tornar-se conhecido o suficiente para que o seu nome se torne popular no Scrabble.

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Uma das grandes exibições de Chakvetadze esta época