O Benfica sofreu mas venceu (2-0) o Chaves, a única equipa que, tal como os “encarnados”, ainda não registava qualquer derrota na Liga NOS 16/17. A formação da Luz atingindo assim uma marca histórica: a 15ª vitória consecutiva, igualando um feito registado entre 1972 e 73 sob o comando de Jimmy Hagan. Mas o feito foi tudo menos fácil.

A sete chaves

A partida começou como esperado: o Benfica a querer assumir o jogo mas debatendo-se com um adversário de “chaves bem fechadas” na defesa e um contra-ataque bem montado pelos transmontanos, que iam chegando com relativa facilidade ao último terço defensivo “encarnado” – em boa parte devido à permissividade demonstrada pelo “miolo” das “águias” nesta fase do jogo.

No Benfica eram Salvio e Nelson Semedo os mais esclarecidos mas não o suficiente para evitar o “calafrio da época”, quando aos 40 minutos o Chaves levou duas vezes a bola ao “ferro” direito de Ederson, deixando no ar uma sensação de injustiça no marcador ao intervalo, que se percebia nos números: 6-7 em remates, 3-4 em passes para ocasião e três homens da casa na liderança do GoalPoint Ratings: Paulinho 5.9, Battaglia 5.9 e António Filipe 5.8.

Mitro, o salvador

Se lhe dissermos que no segundo tempo o Benfica fez precisamente o mesmo número de remates que no primeiro (tanto no total como enquadrados), não será por aqui que percebe por que razão venceram os “encarnados”, mas a verdade é que os disparos não explicam tudo.

À medida que o Chaves foi perdendo frescura, as melhores soluções benfiquistas foram surgindo, sendo que a “salvação” surgiu na cabeça do incontornável Mitroglou. Aos 69 minutos o grego aproveitou um livre/assistência do “rapaz” que Guardiola anda a acompanhar (Grimaldo) para abrir o activo.

O jogo continuaria animado (e prova disso é que o Chaves até terminou o encontro com mais uma entrada na área adversária que as “águias”) mas nem mesmo a aposta no veterano Vukcevic inverteu o rumo dos acontecimentos. A confirmação chegaria aos 84 minutos, dos pés de Pizzi, que já se havia transfigurado da primeira para a segunda parte.

O jogo terminava sem deixar grandes recordações em termos de qualidade, com uma “vitória de campeão” por parte do Benfica (ganhar mesmo quando pouco se joga) e elogio aos bons indicadores que o Chaves tem deixado, não apenas neste jogo.

Pizzi essencial, até (ou sobretudo) quando se joga mal

Num jogo que não registou ratings dignos de memória, Pizzi acabou por ser o homem em maior destaque, com 6.9, muito por causa de uma segunda parte bem mais conseguida, coroada com o golo da tranquilidade.

Logo a seguir surgem os três homens do Chaves que já no final da primeira parte se vinham destacando (A. Felipe, Battaglia e Paulinho). A prova final de que o Benfica encontrou tudo menos facilidades nesta deslocação.

Outros números:

  • Battaglia 6.6 – O médio-defensivo argentino cumpriu exemplarmente essas funções com dez recuperações de posse e ainda brilhou com a bola, completando cinco das suas sete tentativas de drible e terminando o jogo 92% de passes eficazes
  • Mitroglou 6.0 – Tocou apenas 14 vezes na bola em 90 minutos. O mínimo de um jogador de campo dos três grandes nas últimas três épocas. Mas marcou o “golinho” da ordem
  • Nélson Semedo 5.7 – Completou cinco das suas seis tentativas de drible e ainda ganhou seis faltas, quarto delas nas imediações da área. Defender foi mais problemático
  • Cervi 4.9 – Trinta minutos em campo em que não ganhou nenhum dos seus quatro duelos e perdeu nove vezes a posse de bola. Tem que fazer mais.
GoalPoint | Chaves vs Benfica | Liga NOS 16/17 | Ratings
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GoalPoint | Chaves vs Benfica | Liga NOS 16/17 | MVP
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GoalPoint | Chaves vs Benfica | Liga NOS 16/17 | 45m
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GoalPoint | Chaves vs Benfica | Liga NOS 16/17 | 90m
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