Chelsea, 3 – Sporting 1: Mourinho encerra o sonho leonino

Os “leões” despediram-se da Liga dos Campeões com uma derrota por 3-1 frente ao Chelsea, com a noção clara de que terá sido em Maribor que hipotecaram um merecido apuramento.

André Martins entrou aos  70 minutos para o lugar de João Mário, numa fase em que o desfecho da partida já estava traçado (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
André Martins entrou aos 70 minutos para o lugar de João Mário, numa fase em que o desfecho da partida já estava traçado (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

O Sporting CP surgiu em Londres disposto a sonhar e com bastantes alterações: Jonathan como defesa- esquerdo, Diego Capel a extremo-esquerdo, Carrillo pela direita e Ricardo Esgaio a ocupar a lateral direita. No ataque, Slimani apareceu como ponta-de-lança apoiado no meio-campo por Adrien e João Mário. Marco Silva procurava assim contrariar o previsível ascendente “azul” regressando ao clássico 4-3-3 leonino. O Sporting tentou ombrear com um Chelsea que, mesmo sem colocar velocidade, demonstrava desde o primeiro minuto não pretender facilitar. Os pupilos de Mourinho criaram sempre mais perigo, sobretudo através do talentoso germânico Andre Schurrle, que para lá do segundo golo dos “blues” fez um total de quatro remates e três passes para ocasião para os companheiros.

No meio campo do Chelsea, Matic mantinha o equilíbrio quase perfeito a nível defensivo com Obi Mikel, enquanto o “maestro” Cesc Fábregas organizava todo o momento ofensivo da sua equipa. Por sua vez o egípcio Salah e Schurrle iam protagonizando frequentes movimentos de rotura, em parceria com Diego Costa, por vezes apoiados por Filipe Luís, o elemento defensivo que mais se incorporou nas ameaças ao último terço leonino. Pelos “leões” seria Carrilo a demonstrar-se um dos mais inconformados (dois remates, dois passes para ocasião e ainda cinco cruzamentos), ainda que sem apresentar a mesma influência e acutilância que havia demonstrado dias antes no Bessa. O peruano perdeu a bola por 29 ocasiões, o que sendo habitual num extremo não deixa de ser o registo mais elevado de todos os jogadores presentes em Stamdford Bridge esta quarta-feira. Já o espanhol Capel mostrou alguma verticalidade e intensidade de jogo, mas foi sempre inconsequente nas suas acções e por vezes até ausente (apenas 17 passes, com 59% de eficácia).

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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O “leão” ausente

No plano defensivo era visível a falta de experiência de Ricardo Esgaio, sobretudo tendo em conta o nível de exigência da partida. Ainda assim, apesar das falhas defensivas nas quais demonstrou frequentes erros de posicionamento, o nazareno conseguiu dar alguma profundidade ao seu corredor fazendo quatro cruzamentos. Paulo Oliveira foi o melhor central dos “leões”, pois ganhou cerca de 73,3 % dos duelos (Maurício atingiu apenas os 66%). Numa noite em que os de Alvalade necessitavam de algo mais, foi precisamente um dos seus esteios, William Carvalho, a mostrar-se mais ausente: o médio venceu apenas 20% dos duelos disputados, mantendo apenas um nível positivo (ainda que longe do que é capaz de atingir), o de 84% de eficácia na distribuição de jogo para os companheiros.

Jonathan, a esquerda das “pampas”

Jonathan foi, sem dúvida, o “leão” em destaque na amarga noite de Stamdford Bridge: intensidade de jogo, técnica apurada e ainda um assinalável “pulmão” foram características evidenciadas pelo argentino no jogo desta quarta-feira. Ainda que a fase defensiva não seja o seu forte, Jonathan efectuou seis alívios, quatro desarmes e três intercepções durante a partida. De um total de 14 duelos o defesa-esquerdo ganhou metade destes e ainda cerca de 67 % dos duelos aéreos disputados Mas foi a atacar que Jonathan mais “brilhou”, efectuando seis cruzamentos para a área e 39 passes, 26 deles para o meio-campo adversário (com dois passes para ocasião). O argentino foi ainda o sportinguista mais rematador (cinco remates), um deles resultando no único golo leonino da noite. O Sporting despede-se assim da Liga dos Campeões após disputar o apuramento de uma forma clara, para lá de algumas previsões mais pessimistas iniciais. Os “leões” transportam as suas aspirações agora para a Liga Europa com a sensação clara de que, numa certa noite em Maribor, terão hipotecado o sonho de um apuramento que fizeram por merecer.