Com muitos favoritos a cair cedo no Campeonato do Mundo Sub-20, que se realizou na Polónia, surgiu a hipótese de observar um leque de jogadores bem diferentes do espectável, que brilharam mais do que a maioria na competição que terminou com o triunfo da Ucrânia na final sobre a Coreia do Sul.

Por esse motivo, reunimos uma lista de cinco jogadores que estiveram em destaque no certame, dois deles do campeão, um do finalista vencido. Acompanhe-nos e conheça estes jovens que prometem agitar mercados de transferência no futuro.

Lee Kang-In – Coreia do Sul

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Aos 18 anos, o médio sul-coreano que está desde muito novo nos quadros do Valência foi o mais jovem vencedor da Bola de Ouro de um Mundial de Sub-20 desde que Lionel Messi recebeu o prémio individual no torneio de 2005. Lee Kang-In começou a prova como o elemento mais avançado do meio-campo da Coreia, mas assumiu depois, na maior parte dos jogos, a tarefa de avançado mais solto no 3-5-2 da selecção asiática.

Um canhoto com muita qualidade técnica, foi a peça-chave a assumir o jogo em posse da Coreia do Sul – foi mesmo o jogador com mais passes (41,2) e acções com bola (65) da sua equipa, algo relevante por ter iniciado as partidas em zonas tão avançadas do terreno. Nestes momentos procurava oferecer soluções em posse, mostrando muita categoria no passe longo – 64% de eficácia no global e 85% no passe longo para o último terço –, tanto para virar o flanco de jogo, como na procura da profundidade.

O atacante destaca-se no momento de criação, com grande foco nos lances de bola parada: foram 3,1 passes para finalização por 90 minutos, dos quais 2,4 partiram desse tipo de lance. Com toda a liberdade que tinha para se movimentar no terreno, acabava também por ter hipóteses de cair nos corredores, e assim somou 2,9 cruzamentos de bola corrida, com uma eficácia muito elevada de 30%. Na falta de soluções colectivas, consegue sair de situações apertadas com a bola colada ao pé (2,1 dribles completos) e procura com frequência visar a baliza de meia distância – 1,5 remates de fora de área, enquadrando 20%.

Após ter tido participação activa na campanha do Valência na Copa Del Rey, poderá durante a próxima época começar a ter minutos no campeonato e competições europeias com maior frequência – provavelmente como uma das segundas opções a Soler, a partir do corredor direito.

Serhii Buletsa – Ucrânia

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Buletsa fez 20 anos em Fevereiro e já conta com várias boas campanhas na Youth League pelos jovens do Dínamo de Kiev, mas o médio-ofensivo ainda não teve a oportunidade de vestir a camisola principal do gigante ucraniano. As exibições do melhor jogador da campeã Ucrânia neste campeonato do Mundo poderão dar-lhe essa oportunidade nesta próxima temporada.

No 3-4-3 ucraniano, Buletsa operou como um dos dois homens atrás do avançado – a partir da esquerda, abordava os espaços interiores com muita qualidade. Chega a zonas de finalização com muita qualidade – 1,7 remates na área e 0,7 ocasiões flagrantes por 90 minutos – e ainda é um perigo a visar as balizas de bola parada (enquadrou 75% dos 0,7 livres directos que bateu). Um caso sério para acompanhar de perto nos tempos mais próximos.

Denys Popov – Ucrânia

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Tal como Buletsa, Popov fez 20 anos em Fevereiro e ainda jogou 90 minutos pela equipa principal do Dínamo de Kiev antes de ser convocado para o Mundial Sub-20. Nesta competição assumiu o lugar de defesa-central do lado direito no sistema de três defesas da Ucrânia e destacou-se logo por algo pouco habitual num defesa: os golos. Popov facturou por três vezes – na vitória frente aos Estados Unidos, no triunfo ante o Qatar e contra o Panamá. Venceu 78% dos seus 1,6 duelos aéreos ofensivos, fez 0,9 remates de cabeça e foi um autêntico perigo nas bolas paradas.

Em termos posicionais é um jogador muito interessante, tendo sido o segundo defesa-central com mais intercepções da competição (3,1) e o quinto com mais desarmes completos (1,9). Curiosamente, o domínio aéreo que demonstra na área adversária não foi replicado defensivamente, já que venceu apenas 55% dos duelos aéreos defensivos. Tendo em conta a sua impulsão e estampa física (1,86 metros), estes dados deverão nivelar por cima quando o jogador somar mais minutos.

Nas suas acções com bola não é particularmente evoluído, também por consequência de um modelo de jogo que lhe pede com muita frequência o acesso à profundidade ou o recurso ao jogo directo através do passe longo (somou 5,4 por jogo para o último terço, com baixa eficácia). Este será o sector do seu jogo a melhorar se quiser afirmar-se enquanto jogador de uma equipa grande como o Dínamo de Kiev.

José Cifuentes – Equador

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O médio saltou da Universidade Católica do Equador para o CD America no passado mês de Janeiro, mas as exibições de José Cifuentes foram de tamanha qualidade que dificilmente não terá oportunidade de saltar do seu país para outras paragens.

Um médio-centro bastante completo, em posse o camisola 8 caracteriza-se pela forma como avança no terreno: tanto em progressão – 1,9 dribles completos, com 90% de sucesso de drible – como em passe, com 27% das suas entregas a serem direccionadas para a frente e 82% de eficácia de passe no meio campo-contrário. O centro-campista chegou ainda ao último terço com frequência suficiente para fazer 1,4 passes para finalização de bola corrida e enquadrar 43% – incluindo um fantástico golo aos Estados Unidos – dos seus 1,0 remates de fora de área por 90 minutos.

Sem bola transforma-se num recuperador feroz, sendo mesmo o quarto médio com maior média de desarmes completos da competição (2,9), o quinto com mais recuperações de bola (9,5) e um dos que mais recuperações realizou no terço intermédio (5,9). Com a capacidade física para cobrir todo o terreno, é um dos jogadores de elevado potencial a ter em consideração no mercado – ainda para mais tendo em conta que ainda está num clube de pequena dimensão.

Sekou Koita – Mali

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Emprestado pelo Liefering ao Wolfsberger, o jovem Koita – 19 anos, só faz 20 em Novembro – somou cinco golos e quatro assistências no primeiro escalão do futebol austríaco. Mereceu a oportunidade de saltar do satélite Liefering para os gigantes do RB Salzburg e chegou ao Mundial Sub-20 repleto de confiança. Marcou por três vezes, assistiu também três golos e mostrou que é mesmo um avançado difícil de parar.

Capaz de jogar na frente ou a partir de um corredor, somou um enorme volume de remates (4,6 por 90), revelando muita facilidade neste momento de jogo. Em média, 2,5 ocorreram na área e 60% destes aconteceram com os pés e foram enquadrados. Para além do disparo fácil, criou mais para os seus colegas do que qualquer outro avançado – até pela liberdade que teve para se movimentar. Com uma média de 4,4 passes para finalização, 3,5 deles de bola corrida, tornou-se mesmo no jogador do Mundial que mais oportunidades criou.

Um atleta muito intenso, com um número muito saudável de acções defensivas no último terço (1,4), não deixa ainda de ser alguém com uma técnica individual impressionante, revelada na capacidade de drible – 2,5 completos no último terço e 0,7 faltas sofridas na mesma zona. São muitos os talentos nas mãos do grupo Red Bull, mas não seria surpreendente vê-lo a ganhar minutos na equipa de Salzburgo durante a próxima temporada.