“Clássico”: Os números em confronto no Dragão

A "águia" líder visita um "dragão" no segundo posto, num confronto cujos números fazem prever equilíbrio e emoção. Analisamos o que fizeram até agora os adversários em contenda no próximo domingo.

Clique na infografia para ler em detalhe (foto: João Trindade infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (foto: João Trindade infografia: GoalPoint)

O Porto – Benfica, um “clássico” eterno do futebol português que nos últimos anos (com excepção da época passado) tem ajudado a definir o vencedor da Liga, tem data e hora marcada (14 de Dezembro, 20h00) no Estádio do Dragão. Apenas três pontos separam as duas equipas e ambas têm todas as razões para o querer vencer: os “dragões” pretenderão igualar o Benfica na liderança da Liga e as “águias” gostariam de, certamente, duplicar a vantagem que apresentam para o segundo classificado da prova.

Para lá dos desejos sobram os factos, identificados pelo desempenho das equipas. Para lá do que a classificação nos diz existe um conjunto alargado de indicadores, dos quais apresentamos apenas uma súmula, que nos permitem aferir as forças e fraquezas dos dois “grandes” em contenda (mais tarde publicaremos as fragilidades e pontos fortes observáveis no modelo de jogo das equipas), demonstradas até à 12ª jornada da Liga.

“Dragão” mais sólido a defender

A análise dos números médios acumulados permite identificar um Porto mais sólido, ou pelo menos mais eficaz, na hora de fechar os caminhos para a sua baliza. Ambas as equipas concedem as mesmas veleidades aos seus adversários (uma média de nove remates por partida), mas todos os restantes indicadores apontam maior eficácia dos “dragões”, que interceptam, cortam, aliviam com maior acerto que os “encarnados”, concedendo menos golos (0,4 por partida contra 0,6 do rival lisboeta). A estes dados acresce o facto de os portistas atingirem este desempenho efectuando inclusive menos faltas por jogo que o Benfica, cerca de 14 contra aproximadamente 16 por parte do líder do campeonato.

A luta pelo meio-campo

Olhando os números relativos ao que se passa ou gera na fase de construção, é possível perceber boa parte do que tem caracterizado ambas as equipas e sustentado o seu desempenho. O Porto surge claramente mais dominador na circulação, efectuando o mais elevado número de passes por jogo (562) e com mais eficácia (85%), aproximando-se dos 70% de posse por jogo. No entanto são os “encarnados” os que apresentam maior produtividade e objectividade nos resultados da sua construção, com ligeira vantagem no número médio de passes para ocasião de golo (aproximadamente 12), os quais resultaram mais vezes em assistências para golo (1,8 vezes por jogo). Neste domínio Gaitán surge em claro destaque, como o jogador com mais assistências da prova (sete), apoiado por Enzo Pérez que acumula até agora três passes decisivos na Liga. Estes números acabam por confirmar as tendências que temos vindo a identificar a cada jornada: O Porto domina a circulação como ninguém mas apresenta muitas vezes inconsequência no último terço, enquanto o Benfica, ligeiramente menos controlador, confirma o seu domínio através de um melhor aproveitamento a cada vez que chega com perigo ao último reduto defensivo do adversário.

Goleador versus rematadores

Na hora de decidir o jogo através da sua acção mais definidora, o remate, assistimos a outra divisão de pontos fortes. A norte mora o goleador, Jackson Martínez, com dez tentos, e o segundo maior rematador da prova (42 remates, ultrapassado apenas pelo sportinguista Nani com 43), mas a sul o Benfica acumula 97 disparos divididos por Gaitán, Lima e Talisca, provando uma menor dependência individual e uma maior disseminação da origem do perigo para a baliza contrária. Apesar de Porto e Benfica rematarem em média o mesmo número de vezes (cerca de 16 tiros por partida), os “encarnados” fazem-no com maior qualidade (46% de remates enquadrados contra 38% dos portistas), embora à partida para o “clássico”, as equipas se equiparem no número de golos obtidos e, portanto, no aproveitamento que fazem do número semelhante de ameaças que fazem à baliza adversária.

Aguardamos um “clássico” equilibrado e emotivo, não só pelo desejo natural de um jogo de futebol interessante e disputado, mas sobretudo porque os factos (números) assim o apontam. Aguardemos então pelas 20h00 de Domingo para tirar as dúvidas e efectuar a devida análise de um jogo que não deixa ninguém indiferente.