Por incrível que pareça, o Benfica não está morto na luta pelo campeonato e até parece que a sua condição oficiosa de outsider ainda o pode favorecer.

Tenho para mim que Rui Vitória já passou o seu cabo das tormentas e que, devagarinho, vai levando a água ao seu moinho, até porque o tempo se tem encarregado de fazer esquecer as inevitáveis diferenças entre a qualidade de jogo do Benfica actual e do Benfica de Jorge Jesus – que para mim continuam a ser muitas, com vantagem para o treinador do Sporting.

O triunfo em Braga, com uma postura a meu ver inadmissível para um “grande”, e a escorregadela do Sporting na Choupana com o União da Madeira parecem ter revitalizado o clube da Luz. Nem o empate diante do carrasco do “leão” esmoreceu a minha convicção de que o Benfica pode não estar tão distante do tricampeonato como já pareceu há bem pouco tempo.

Agora é tempo de o Benfica aparecer e mostrar condições para reivindicar o seu estatuto de bicampeão nacional. Mas não pode perder a oportunidade, nem o fôlego das boas notícias que o clube da Luz vem acumulando fora das quatro linhas, como o contrato com a NOS ou a distinção conquistada pela sua Academia no Dubai.

O Benfica, se quer realmente ser candidato, tem que ganhar em Guimarães. A meu ver basta isso, sendo que o basta não é pouco pois a equipa de Sérgio Conceição tem mostrado um crescimento acentuado – não de futebol, mas de resultados e, por consequência, de confiança.

Qualquer que seja o resultado do “clássico” entre Sporting e FC Porto, este irá permitir ao Benfica uma lufada de ar fresco desde que some os três pontos num estádio que Rui Vitória conhece como ninguém.

Não será fácil, pois os vimaranenses não vão fazer de Sporting de Braga de Paulo Fonseca. Quero com isto dizer que os minhotos não vão disputar o jogo em todos os centímetros do relvado, mas disputarão todos os lances como se fossem os mais decisivos de sempre.

Talvez o Benfica não mereça ser (tri) campeão se deixar passar esta oportunidade, mas se vencer galga terreno e, na pior das hipóteses, caso o FC Porto saia de Alvalade com os três pontos, vai começar a morder os calcanhares a… Jesus. O empate entre “leões” e “dragões” permitirá aproximar-se e reentrar na luta pelo título e um triunfo leonino deixará os “encarnados” a quatro pontos da liderança e a míseros dois pontos do rival FC Porto. Ou seja, passados (quase) cinco meses de campeonato, uma singela e normal vitória em Guimarães transformará as notícias que vêm alimentando há meses a comunicação social da suposta crise do Benfica num exagero que a classificação desmentirá cabalmente.

Mas, afinal, a surpresa nem é assim tão grande… para quem tem acompanhado o Barómetro GoalPoint sobre o desempenho dos três grandes jornada a jornada. Se acontecer o cenário mais lógico em Guimarães teremos campeonato, diria mesmo um campeonato a prometer emoção até ao fim e com três candidatos.

Mas atenção, será menos surpresa uma vitória vimaranense do que o triunfo ocorrido do União da Madeira sobre o Sporting. É que o futebol tem destas coisas…