Costa Rica: O “joker” do Mundial

A formação da América Central era vista como uma das mais fracas em prova, mas espantou todos ao bater Uruguai e Itália. Vale a pena um olhar atento.

À partida para o Mundial, um olhar sobre o Grupo D antecipava uma luta titânica entre Itália, Inglaterra e Uruguai pelos dois primeiros lugares, sobrando os despojos para a pouco cotada Costa Rica. Nem o mais optimista costa-riquenho sonharia que, à segunda jornada, o seu país estaria apurado para os oitavos-de-final, após bater o Uruguai e a Itália, repletos de estrelas. “Diziam que era o ‘grupo da morte’, mas agora os ‘mortos’ são outros”, atirou Bryan Ruiz.

Vale a pena olhar para esta equipa de nomes pouco conhecidos do público em geral. Aliás, Bryan Ruiz, do PSV, emprestado pelo Fulham, é mais sonante, tendo já sido associado no passado ao interesse do Benfica. Onde está então o segredo deste surpreendente conjunto? Não está no domínio do adversário, na posse de bola, no futebol de ataque. Está no colectivo e capacidade defensiva.

Clique na imagem para ler em detalhe (foto: Danilo Borges / Portal da Copa / Infografia: GoalPoint)
Clique na imagem para ler em detalhe (foto: Danilo Borges / Portal da Copa / Infografia: GoalPoint)

Ao olhar para os dois jogos disputados, a Costa Rica mostra grande agressividade e concentração a defender. Senão vejamos: frente ao Uruguai e à Itália teve 100% de eficácia nos cortes, 39 ante os sul-americanos e 16 com os transalpinos (mais 21 (!) no total que os seus adversários), e os desarmes também apresentaram números elevados de eficácia (80% – 72,7%, que representam um total de 44, mais 15 que os dois adversários). Esta segurança colectiva tem sequência no passe, com 55 e 63 completos, respectivamente, no terço mais recuado. São poucos, mas representam 94,8% e 98,4% de aproveitamento, o que se reflecte depois em ausência quase completa de erros e perdas de bola em zonas de perigo. No miolo os números continuam altos, 171 e 177 passes certos (81,8% e 81,6% nos dois casos).

Na frente esses números caem abruptamente (49,2% e 52,7%), mas nada que impeça outros valores que fizeram a diferença. Contra o Uruguai, a Costa Rica rematou 13 vezes (contra nove do adversário), sendo que dez desses disparos (76,9%) aconteceram já dentro da grande área. Isto explica a excelente eficácia ofensiva e os três golos marcados nas quatro vezes que alvejaram a baliza com êxito. Frente à Itália os números foram mais modestos, mas ainda assim, dos 11 remates, apenas cinco foram de fora da área. No total mais quatro “tiros” que os dois oponentes. Para tal ajudaram também as muitas recuperações em ataque, mais 11 que Uruguai e Itália, uma prova de agressividade no pressing alto.

Joel Campbell, uma seta apontada

No grupo, para além do inevitável Ruiz (que tem Twente, Fulham e PSV no currículo) destaca-se igualmente Joel Campbel. O jovem de 21 anos pertence ao Arsenal, mas representou o Olympiacos por empréstimo na época passada. Neste Mundial conta com um golo e uma assistência. É veloz, tem técnica e não hesita em rematar à baliza. Christian Bolaños é outro nome a reter e a rever, exímio no passe decisivo.

Que outras surpresas destaca neste Mundial? Que jogadores o têm surpreendido pela positiva? Deixe-nos a sua opinião, obrigado.