Craque do EURO | Jorginho, o comandante da “squadra azzurra”

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O destino tem destas coisas. Na madrugada de 11 de Julho o Brasil perdia, em casa, uma final da Copa América, vendo o argentino Leo Messi erguer o seu primeiro troféu internacional sénior por selecções, ao invés do conterrâneo que todos esperavam ver de “caneco” na mão, Neymar. Mas algumas horas depois acabariam por ver um filho seu, nascido e criado na anónima cidade portuária de Imbutuba, erguer outra taça continental mas… do EURO 2020 e pela Itália: falamos de Jorge Luiz Frello Filho, conhecido no mundo do futebol como Jorginho.

Sobre a história de Jorginho, de como começou a jogar à bola, a influência do passado futebolístico da sua mãe o que o levou a representar a “azzurra”, recomendamos a leitura deste artigo. Nós avançamos entretanto para o foco nos seus feitos “EUROpeus”, que dão justiça e acerto à sua eleição como Craque do EURO 2020, por parte dos GoalPointers, à frente inclusive do colega eleito paela UEFA como figura do torneio, Gianluigi Donnarumma.

O sinal começou a ser dado logo no arranque do EURO. O jogo de abertura da competição opôs a Itália à Turquia. O triunfo transalpino foi claro e incontestável e Jorginho foi o MVP – o primeiro do certame -, graças a um conjunto de acções e estatísticas revelantes, no equilíbrio que deu à equipa defensivamente, na qualidade extraordinária do passe, quer em zonas recuadas, quer mais à frente, colocando colegas de equipa em situação de fazer golo.

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Este foi o início de uma caminhada fantástica para Itália e para Jorginho, que manteve sempre a qualidade e influência colectiva, com inteligência nas acções e decisões, posicionamento, entrega ao jogo e uma personalidade vincada, que não o deixou tremer nunca – excepto na grande penalidade falhada no desempate ante a Inglaterra, na final -, tornando-o na principal figura da “azzurra”. Assim, o médio terminou o EURO 2020 na liderança – ou perto – de diversas variáveis.

A “varrer” tudo por onde passou

Jorginho terminou o EURO como o máximo de intercepções, e por larga margem – só contra Espanha foram oito, valor mais alto numa só partida. Na tabela Top 5 desta variável, o médio somou 25, mais 11 que o segundo, o francês N’Golo Kanté. Em relação ao gaulês do Chelsea, seu colega de equipa em Londres, a explicação acaba por recair no facto de França ter sido afastada nos oitavos-de-final, pelo que Jorginho teve bem mais tempo para conseguir somar estas acções. Na média por 90 minutos, ambos terminaram empatados na liderança, com 3,2. De notar, contudo (no mapa abaixo), a amplitude territorial da distribuição das intercepções conseguidas por Jorginho.

[ As 25 intercepções (à esquerda) e as 48 recuperações de Jorginho ]

Nas recuperações de posse foi um dinamarquês a liderar, Pierre-Emile Højbjerg, com 51, mas Jorginho surge logo a seguir, com 48. Este são números absolutos, porque em médias por 90 minutos a questão muda um pouco, com outro italiano, Marco Verratti, a liderar com 8,5, acima das 6,2 de Jorginho, mas pouco acima das do dinamarquês (8,1). Ainda assim, e tal como nas intercepções, as recuperações do médio aconteceram um pouco por todo o lado.

Extraordinário no passe… e a levar “pancada”

Destaque absoluto para Paul Pogba no que toca a passes de ruptura, com um máximo de nove, os mesmos de Lorenzo Insigne, mas com menos três jogos disputados. Jorginho é terceiro aqui, com sete, mas terminou com a “medalha” de mais sacrificado em termos de faltas. O médio italiano sofreu 19 em todo o torneio, mais três que o segundo, o espanhol Álvaro Morata (que foi mesmo o mais carregado em média, com 3,3). Jorginho foi alvo de 2,4 faltas por cada 90 minutos, fruto da sua apetência para recuperar a bola e iniciar de imediato a construção italiana. Os adversários perceberam que era essencial travar de qualquer maneira o jogador do Chelsea para manietar o futebol transalpino.

[ À esquerda os 7 passes de ruptura de Jorginho, à direita as 19 faltas sofridas ]

[ Aos 105′ da final, Jorginho ainda “só” tinha sofrido 18 faltas ]

Consistência e fiabilidade

Jorginho foi herói de Itália no desempate por grandes penalidades ante a Espanha, que colocou a “azzurra” na final, graças ao seu pontapé que confirmou o sucesso transalpino. Mas desde muito cedo que era notória a influência e preponderância do médio na caminhada italiana e na qualidade do futebol apresentado pela sua selecção.

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Estes são os números finais do italiano, que terminou com um excelente GoalPoint Rating acumulado de 6.44. Os destaques são muitos, mas olhando para o statscard do jogador, salta à vista a qualidade irrepreensível no passe – algo que já mostrava no Napoli e no Chelsea -, mas não só “para os lados”, contribuindo para a progressão da “azzurra”, inclusive com uma quantidade apreciável de passes ofensivos valiosos (média de 2,9). E também uma entrega que lhe permitiu, não só os números de intercepções que referimos, mas também realizar acções defensivas em zonas bem adiantadas do terreno.

Se quiser conhecer os muitos Craques do Dia do EURO que os GoalPointers foram elegendo, clique neste link.

Pedro Tudela
Pedro Tudela
Profissional freelancer com 19 anos de carreira no jornalismo desportivo, colaborou, entre outros media nacionais, com A Bola e o UEFA.com.