Pela primeira vez desde 2011, Cristiano Ronaldo falhou a marca “mínima” dos 50 golos num ano, entre clube e selecção. Ficou longe? Nem por isso, por quedou-se a somente um tento dos “mínimos”, com 49, dois deles obtidos no último jogo que disputou em 2018, frente à Sampdória.

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Tendo em conta a idade (está a cerca de um mês de fazer 34 anos) e a mudança não só de clube como também de Liga, a sua marca constitui tudo menos um falhanço, provando, aliás, a eficaz gestão de carreira que tem feito desde que ultrapassou a barreira dos 30.

Mas se para muitos falar de Ronaldo se limita à contabilização de golos, nós temos a obrigação de analisar um pouco mais a fundo. Decidimos, por isso, colocar lado a lado o desempenho do último Ronaldo “blanco” (2017/18) e o do novo Cristiano “vecchio”, no que de 2018/19 já foi disputado, de modo a identificar as pistas do que mudou, para melhor e para pior, na nova vida de CR7 dentro das quatro linhas.

Jogue onde jogar, Cristiano quer é rematar

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Um primeiro olhar sobre o comparativo dos principais indicadores confirma que Ronaldo pouco ou nada perdeu, ao abrir a nova porta transalpina. O seu desempenho na Liga italiana continua a caracterizar-se pela mesma propensão para o remate, ainda que com menor aproveitamento (11% convertidos em golo pela Juventus, contra 15% no Real em 17/18).

A ligeiramente menor taxa de concretização de Ronaldo poderá ter uma explicação mais… táctica. O Cristiano “juventino” regressou, até agora, a terrenos mais característicos das suas origens (flanco esquerdo ofensivo), mas também mais distantes da presença mais constante na área, que viveu no último ano em Madrid e que resulta bem clara nos mapas de acções com bola de ambas as fases.

Apesar de igualmente rematador, o Ronaldo “bianconero” faz agora menos um remate a cada 90 minutos dentro da área adversária (logo mais um de média/longa distância), mas nem por isso com menor qualidade. A sua taxa de remates colocados não só se mantém, como aumentou marginalmente, de 52% para 53%.

O Ronaldo mais “extremado” de Turim tem também mais bola que o último Ronaldo de Madrid. Mesmo descontando acções de bola parada, Cristiano vai somando cerca de 53 acções com bola a cada 90 minutos, contra 46 na época passada. Mas o Ronaldo italiano com mais bola não se reflecte na frequência do drible ou no cruzamento: é no passe, quantidade e eficácia, que Cristiano está mais participativo, tanto no seu meio-campo como no adversário. Temos assim um Ronaldo com mais posse e que até a perde sensivelmente menos: 20% de posses perdidas até agora, contra 23% em Madrid.

No capítulo do jogo aéreo, a Serie A parece trazer outros desafios ao português, que disputa o mesmo número de duelos pelo ar (2,2 contra 2,1, embora naturalmente ligeiramente menos na área adversária), mas vence-os com menor regularidade (cerca de 38%, contra 52% em Espanha, na última época).

Por fim o “serviço” aos companheiros. Fazendo o mesmo número de passes para finalização (uma média de 1,5 a cada 90 minutos), criando ocasiões flagrantes pelo passe também com igual cadência (0,3), Ronaldo já igualou, em 19 partidas, o número de assistências que totalizou em 27 na La Liga 17/18, prometendo assim uma época mais rica neste capítulo.

E a Champions? Está difícil…

Curiosamente, é precisamente na prova na qual provavelmente tanto Cristiano como a Juventus colocaram todos os “votos” do seu casamento que o português está menos brilhante.

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É certo que a expulsão e consequente castigo logo a abrir a prova não facilitaram o arranque, mas as 0,7 acções para golo a cada 90 minutos na presente edição da prova estão muito longe do registo bombástico (1,4) de 2017/18. Sendo na eficácia de remate que Cristiano mais caiu (mantendo a cadência), o português está, no entanto, bem mais activo na colocação de bolas para remate dos colegas, o que pode também aqui vir a resultar num CR7 mais generoso no capítulo das assistências: está a uma de igualar o registo da época passada.

Conclusão? Aos 34 ainda temos Ronaldão

Olhando os números, tudo indica que, salvo algum imprevisto físico, Cristiano Ronaldo não só vai cumprir o esperado neste primeiro capítulo (ano) “bianconero”, com até melhorar alguns indicadores mais inesperados para um jogador que se foi especializando na entrega de golos, ao longo dos anos. Cristiano pode já não ser o desconcertante miúdo de Old Trafford ou sequer um líder de produção estatística, mas continua a ser uma máquina goleadora regular que aparentemente não acusa a troca da brisa espanhola pelos ares transalpinos.

Resta saber se a Juventus poderá contar com o nível “Champions” de Cristiano a partir de Fevereiro. Nós cá estaremos para, não só ir acompanhando as novidades, como para fazer o devido balanço, lá para Maio.