(este artigo está escrito em português do Brasil)

Pois Queiroz continua o mesminho!”, foi o que logo pensei ao ver o goleiro iraniano a perder tempo já desde o primeiro tiro de meta no jogo contra o Marrocos. De fato, pareceu que o Irã estava mesmo muito satisfeito com o empate, até que lhe calhou um golo inesperado – em verdade, um autogolo – já no último minuto da partida. E lá se foi Queiroz à liderança provisória do grupo, com a igualdade entre Espanha e Portugal.

Era a minha estreia no Mundial 2018. Como havia planeado a viagem com larga antecedência, com chegada via Helsinque (Finlândia), a enorme distância desde ali até Sochi não me permitiu viabilizar a logística para ir ver o Portugal – Espanha, pelo que fiquei então com o outro jogo da chave, a ser realizado em São Petersburgo, projetada já como a minha primeira parada em território russo.

Afinal, o que vi das duas equipas na primeira partida não me permitiu antever o que aconteceria na segunda rodada.

Da apreensão à loucura

O Marrocos impressionou nos vinte primeiros minutos de jogo, com pleno domínio campal, muita movimentação, intensidade e pressão na saída de bola, criando inclusive algumas ocasiões para gol, mas depois deixou cair o ritmo e o rendimento despencou. Como o Irã também não tinha maiores ambições, o jogo ficou morno, pacato e até sonolento. É verdade que o Irã, apostando nos contra-ataques, desperdiçou uma ocasião claríssima de gol ainda no primeiro tempo, quando um seu avançado esteve em situação de um para um contra o goleiro marroquino. Porém, não fez muito mais que isso. É de se imaginar o que Queiroz pretendia ao buscar o empate contra o Marrocos, num grupo em que ainda iria defrontar Portugal e Espanha. Não serei eu, porém, a adivinhar o que pensa Queiroz.

O ambiente do jogo, contudo, esteve fantástico. Cheguei a São Petersburgo já no dia da partida, pela manhã. Deixei as malas num guarda-volumes na estação de comboio, para poder visitar alguns pontos turísticos pela cidade, uma vez que partiria rumo a Moscou já no início da madrugada. Pela cidade, os marroquinos eram maioria, fazendo muito barulho nas ruas, nos bares e até no metrô. No caminho para o estádio, porém, já foi possível ver que os iranianos não deixariam por menos. E assim foi: estádio muito cheio e dividido praticamente a meio a meio, a par de alguns curiosos como eu mesmo. Os adeptos marroquinos, porém, eram mais constantes e dedicados no apoio, pelo que os sentia mais presentes. Os iranianos pareciam apreensivos – e até mesmo irritados – com a atuação demasiado cautelosa – para não dizer “acovardada” – de sua equipa, mas foram à loucura no momento do gol, a esquecer tudo o que se passara antes.

Após o jogo, fui a um pub na região central da cidade, a tempo de assistir à estreia de Portugal, em companhia especialmente de iranianos e marroquinos. Enquanto estes lamentavam muito a derrota – que, segundo eles, estava a significar praticamente a eliminação precoce -, aqueles estavam radiantes com a vitória inesperada. Os iranianos atribuíam a falta de ritmo apresentada ao fato de não terem encontrado adversários para disputar amigáveis competitivos na preparação à Copa, o que, segundo eles, se deve a um boicote imposto por inimigos políticos. E lhes cai muito bem Queiroz. Apostavam em dois empates nas partidas seguintes, para tentar alcançar a qualificação.

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