O médio Danilo Barbosa é oficialmente jogador do Benfica, reforçando assim um sector que parecia ainda… incompleto. A necessidade “encarnada” de mais um jogador para o miolo já havia sido identificada aquando da análise a André Horta. A resposta chegou de Valência… ou de Braga, consoante o ponto de vista.

O brasileiro de 20 anos tem ainda contrato com os minhotos, que detêm 100% dos seus direitos federativos, mas apenas 10% dos seus direitos económicos. Os restantes 90% são detidos pela Gestifute de Jorge Mendes, que agora coloca o jovem centro-campista no Benfica com o objectivo de perseguir a valorização que não atingiu em Espanha.

“Canarinho” precoce

Danilo é desde muito novo presença regular nas selecções brasileiras factor que levou certamente Jorge Mendes a pagar 4,5 milhões de euros ao Vasco da Gama, ainda antes mesmo de uma estreia pela equipa principal vascaína.

Colocado no Sporting de Braga em 2014/15, Danilo fez uma época positiva (foi aliás revelação GoalPoint), onde ainda com idade júnior foi titular indiscutível no meio-campo de Sérgio Conceição, cumprindo a função de médio mais defensivo num duplo-pivot, juntamente com Pedro Tiba. A época terminaria com “chave de ouro”, com Danilo a ser eleito o segundo melhor jogador do Mundial de Sub-20, na Nova Zelândia.

Tudo isso valeu-lhe uma transferência para o Valência, onde completou a última época, sendo quase sempre titular nas (fracas) fases de Nuno Espírito Santo e Gary Neville, mas perdendo a titularidade no final da época, já com Pako Ayestarán ao comando. É essa época que analisamos de seguida, em comparação com o que fizeram Fejsa e Renato Sanches no Benfica.

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Percebe-se pelos números que Danilo não é um típico médio-defensivo posicional como Ljubomir Fejsa, tendo mais chegada à frente, um pouco como fazia Renato Sanches. Isso nota-se sobretudo na capacidade de condução, expressa ao nível do drible e das faltas sofridas, atributo onde Danilo regista um valor igual à soma da ex-dupla de meio-campo “encarnada”.

Mas se parece óbvio que Danilo não limita o seu jogo a tarefas defensivas, não deixa de ser preocupante que apesar disso registe números tão baixos ao nível da criação de oportunidades. Tanto no Valencia como no Braga, Danilo não somou qualquer assistência, e faz apenas um passe para ocasião a cada dois jogos.

Isso fica a dever-se sobretudo ao seu maior “defeito”, que não é de somenos num centro-campista: a qualidade de passe. Danilo registou na época passada uma eficácia de passe média de apenas 76%, sendo que mesmo no seu próprio meio-campo, o valor sobe apenas para 83%. Essa indicação já tinha sido deixado no Braga, onde apresentava valores ainda mais baixos, 70% e 78% respectivamente. Pela positiva regista-se a evolução, mas ainda assim são números preocupantes para um jogador que actua numa posição tão nevrálgica do terreno.

Defensivamente Danilo acaba por cumprir, tendo em conta que não limita o seu jogo a esse aspecto, mas ainda assim, a diferença para Renato Sanches ao nível das recuperações de bola deve dar que pensar a Rui Vitória.

A precisar de tempo e trabalho

Tendo em conta a idade e alguns sinais positivos que já deixou, Danilo não é uma aposta descabida. No entanto, a frieza dos números diz-nos que Danilo ainda não está preparado para assumir a titularidade no meio-campo do Benfica.

As debilidades ao nível do passe e construção, não aconselham a entrada directa de Danilo num meio-campo de apenas dois elementos.

No caso particular da posição “6” (de Fesja) parece claro que Danilo ainda não tem o que se exige para agarrar o lugar: certeza no passe e qualidade de posicionamento. Caberá a Rui Vitória perceber qual o contexto competitivo ideal para fazer evoluir o brasileiro. Caso consiga melhorar, Danilo já mostrou ter características para se afirmar como um box-to-box completo. Mas com calma.

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