Dinamarca 0 – Portugal 1: Ronaldo ainda tinha pólvora

Numa partida equilibrada, mas na qual apenas Portugal deu mostras de realmente ter capacidades para ganhar, Ronaldo fez um golo nos descontos que deu sentido de alguma justiça ao marcador.

Ronaldo voltou a ser decisivo a norte, desta feita na Dinamarca (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Ronaldo voltou a ser decisivo a norte, desta feita na Dinamarca (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

Dinamarca e Portugal anularam-se por completo em Copenhaga até aos descontos, no segundo jogo dos lusos no Grupo I, até que Cristiano Ronaldo resolveu com um cabeceamento a cruzamento de Ricardo Quaresma, quando já toda a gente esperava o empate. Aconteceu no momento certo e quando as duas equipas já não conseguiam manter a mesma qualidade nas marcações e os espaços começavam a aparecer.

Portugal apresentou de início o mesmo sistema que usou em Paris, no amigável ante a França, com Cristiano Ronaldo na frente, acompanhado ou por Danny ou por Nani, que trocavam muitas vezes entre sim, entre a zona central e o lado direito do ataque. As novidades foram mesmo as inclusões de William e Ricardo Carvalho, nos lugares de André Gomes e Bruno Alves, respectivamente.

Esta nova abordagem de Fernando Santos voltou a mostrar flexibilidade, sendo que o 4-4-2 em losango muitas vezes transformava-se em 4-3-3, com três linhas bem definidas, dependendo do momento do jogo. A verdade é que quando Ronaldo, Nani e Danny se colocavam lado a lado, a Dinamarca sentia dificuldades na primeira fase de construção de jogo, com os defesas sem muitas linhas de passe para o seu meio-campo. Quando a bola chegava aos médios, a linha de três, com William Carvalho, Tiago e Moutinho, tratava de fazer de tampão às investidas e combinações em progressão da formação nórdica.

Portugal mais rematador

Assim, a Dinamarca acabou por ter mais bola que Portugal no primeiro tempo, 62,2% contra 37,8%, mas sem criar tanto perigo, excepção para uma bola ao poste de Krohn-Dehli, aos 34 minutos. Ao invés, as movimentações constantes dos portugueses complicavam as marcações contrárias, com combinações e tabelas e várias jogadas de perigo. Não espanta, portanto, que ao intervalo Portugal tivesse sete remates contra quatro dos da casa, três deles na direcção da baliza contra nenhum dos dinamarqueses. Ronaldo e Nani somavam três cada. Porém, tudo sem grande objectividade.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

Nesta altura destacava-se o médio Pierre-Emile Höjbjerg, com 39 passes com um acerto de 97,3%, sendo que 19 aconteceram no meio-terreno luso, com 100% de eficácia. Este foi um dos grandes responsáveis por a Dinamarca ter tido muita bola e ter dado poucas hipóteses a Portugal para construir mais jogo. E teve ainda um desarme, um alívio, uma intercepção e duas recuperações de bola. Do lado português, Moutinho voltou a mostrar grande equilíbrio, embora com menos bola, tendo efectuado 23 passes, com 82,6% de acerto. Daniel Agger foi a trave-mestra dos nórdicos nesta fase, com três alívios, duas intercepções e três recuperações de bola.

O rigor táctico, em especial por parte de Portugal, não foi tão visível no segundo tempo, com alguns momentos de desposicionamento colectivo a abrirem brechas para a Dinamarca explorar, em especial na defesa e meio-campo defensivo. Este facto beneficiou, porém, o ataque, com Ronaldo a ter uma ocasião soberana para marcar, aos 51 minutos, mas Kasper Schmeichel defendeu, com o capitão luso isolado.

Fernando Santos percebeu esta situação e lançou João Mário para o lugar de Nani (algo apagado) e Éder para o de Danny, precisamente para tentar explorar mais os espaços que começaram a aparecer. Ricardo Quaresma foi a última arma lançada, saindo Tiago. Santos mostrou assim que este Portugal tem mais soluções tácticas para as diversas necessidades, e que a selecção está mais consistente, mas em termos ofensivos a Dinamarca continuou sólida. Contudo, perante Ronaldo ninguém se pode sentir a salvo, e o capitão saltou mais alto que todos a acorrer a um cruzamento de Quaresma da direita.

Capitão decisivo

Ronaldo acabou por ser a grande figura da selecção portuguesa, não só pelo golo, mas pelos números totais. Fez seis remates, três deles na direcção da baliza, e fez três passes para ocasião, para além dos 93,1% de eficácia de passe (29). Pepe foi imperial na retaguarda, com dois desarmes, dez alívios, uma intercepção e três recuperações de bola, demonstrando grande ligação com Ricardo Carvalho. William Carvalho seguiu-lhe o exemplo, com dez recuperações de bola, cinco desarmes e três intercepções. Pierre-Emile Höjbjerg continuou em bom nível na Dinamarca, com 65 passes e 90,8% de eficácia no final, dividindo com Schmeichel grande parte dos louros da exibição dos da casa.

A Dinamarca foi mais perigosa na segunda metade, mais por culpa do tal desposicionamento tardio de Portugal do que mérito próprio. Os dinamarqueses voltaram a rematar quatro vezes nesta etapa, terminando assim o jogo com oito, mas nenhum enquadrado com a baliza, pelo que Rui Patrício acabou por ter pouco trabalho. Portugal também fez quatro remates no segundo tempo, mas acabou com 11 no total, cinco deles enquadrados, tendo a diferença maior residido nos que aconteceram dentro da grande área. A equipa de Fernando Santos fez sete nesta zona, contra dois dos contrários.

A turma das “quinas” recuperou um pouco na posse de bola (58,3% para os da casa e 41,7% para os lusos). A Dinamarca continuou a fazer mais passes e terminou com 513, contra 364 de Portugal, mas caiu o acerto na segunda parte, acabando com 79,9% de passes certos (contra 73,4%). No fundo, e pelos números no momento ofensivo, Portugal acabou por justificar totalmente a vitória.