A saída de Brahimi parece estar decidida (resta saber para onde). Era clara a necessidade do FC Porto em encontrar alguém que pudesse substituir o argelino na capacidade de desequilíbrio pelas alas e para o efeito chegou Diogo Jota, jovem de 19 anos cedido pelo Atlético de Madrid.

Talento precoce a vários níveis

O percurso de Jota como profissional é ainda bastante curto e marcado pela precocidade. Formado no Gondomar, ainda com idade de juvenil já jogava (e marcava) na equipa de júniores, o que lhe valeu chamadas à selecção de Sub-16 e Sub-17, algo raro num jogador de um clube tão “modesto”.

Nele reparou e bem o Paços de Ferreira, que o contratou para terminar a sua formação, dando nas vistas ao ponto de ser chamado por Paulo Fonseca à equipa principal, ainda no seu último ano de júnior. Na estreia pela equipa principal foi logo titular num jogo da Taça de Portugal, marcou um dos golos do Paços e deixou desde logo promessa para o resto da época. Foi a partir de Janeiro dessa temporada que abandonou definitivamente a equipa de júniores onde já levava 14 golos, terminando a época a titular na equipa sénior, com várias exibições de encher o olho.

Na temporada seguinte, a primeira como sénior, estabeleceu-se como titular indiscutível e apontou 12 golos em 31 jogos, números impressionantes para um jovem de 19 anos a actuar maioritariamente a partir do flanco esquerdo. Foi nessa época de 2015/16 que impressionou o Atlético, a mesma que analisamos de seguida, em comparação com Yacine Brahimi.

GoalPoint | Reforços 2016/17 | Diogo Jota | FC Porto
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Numa apreciação superficial dos números podia dizer-se que Diogo Jota ainda está vários degraus abaixo de Brahimi, mas convém contextualizar vários factores.

Antes de mais é preciso dizer que, apesar de ter caído em desgraça nos tempos recentes, Brahimi é um excelente jogador que ficou (para alguns injustificadamente) associado à má fase do FC Porto. Veja-se, por exemplo, a comparação dos seus números com os de Bryan Ruiz, ou o facto de, com 7,8 dribles eficazes a cada 90 minutos, ter sido o melhor driblador da Champions League de 2015/16.

A fasquia está, portanto, naturalmente elevada para qualquer futuro concorrente ao lugar que por direito era de Brahimi na época passada, mas Diogo Jota deu indicações de que pode atingir um nível semelhante num futuro próximo.

Jota tem apenas 19 anos e jogava numa equipa com um volume de jogo ofensivo muito menor. Ainda assim, em certos aspectos até superou Brahimi, a começar pelos golos que marcou. Para atingir esses 12 golos tirou partido daquela que é, provavelmente, a sua melhor qualidade: a capacidade de remate. Apesar de dispararem o mesmo dentro e fora da área em termos percentuais, Diogo Jota regista uma eficácia bem maior que Brahimi no enquadramento dos remates com a baliza. A diferença na quantidade (0,8) será com certeza esbatida pelo facto de passar a alinhar no FC Porto.

Se na capacidade de drible já se percebeu que Brahimi é quase inigualável na Europa, Diogo Jota não deixa de registar números mais uma vez bastante interessantes. Com um total de 1,8 dribles eficazes a cada jogo, Diogo Jota foi o sétimo melhor da Liga nesse particular e superou nomes como Bryan Ruiz e Nico Gaitán (1,7). Essa capacidade de desequilíbrio fica ainda mais evidente quando percebemos que Diogo Jota foi o jogador que mais grande penalidades conquistou na última época, quatro.

Reforço, sem dúvida

Não havendo Brahimi, Diogo Jota vem acrescentar qualidade, capacidade de desequilíbrio e veia goleadora ao plantel do Porto.

O actual dono do lugar, Otávio, é outro jogador já várias vezes elogiado pelo GoalPoint e que impressiona estatisticamente, mas, até ver, as suas melhores performances foram conseguidas na posição de médio-ofensivo, o que abre espaço para Diogo Jota no flanco, caso e quando Nuno Espírito Santo decida abdicar de um dos dois médios-centro, Herrera ou André André.

Dito isto, o mais previsível é que Diogo Jota não entre directamente para o “onze”, até porque há também Óliver Torres à espreita, mas será certamente das primeiras escolhas para sair do banco quando for preciso mexer com as partidas. A partir daí… depende dele e do que mostrar. A qualidade e o potencial estão lá.

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