Do Remate ao Expected Goal: os Rankings do EURO (até agora)

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A fase de grupos já nos deu emoção e nervos a rodos, em especial na última jornada e no grupo de Portugal, com resultados a sofrerem alterações surpreendentes e alguns jogadores a exibirem-se a grande altura, deixando marcas fortes nos jogos e nos nossos registos estatísticos. Finda esta etapa inicial, olhemos para os principais rankings de desempenho individuais (e colectivos)  do EURO 2020, e há vários portugueses entre os destaques, alguns óbvios, outros nem por isso.

Os “mãos de ferro”

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Como referimos na peça do “onze” GoalPoint Ratings da fase de grupos, o turco Uğurcan Çakır já foi para casa, pelo que corre o risco de perder a liderança no número absoluto de defesas (fez 18), visto que dois dos integrantes deste ranking ainda estão em prova, o galês Danny Ward e o português Rui Patrício. Aquele que nos interessa é o quinto mais requisitado, com 11 paradas, duas delas nunca mais nos esqueceremos, realizadas na terceira jornada ante a França, a remates de Paul Pogba e Antoine Griezmann.

Os reis do “tackle” liderados… por um tuga 

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Pois é. Numa das acções defensivas mais difíceis e exigentes num jogo de futebol, que obriga a vencer um duelo com um adversário, o “bode expiatório” que muitos escolheram para a derrota de Portugal frente à Alemanha – cuja teoria desmontámos neste link -, afinal, apresenta números de excelência. Nélson Semedo é o líder isolado no número de desarmes, com 13, mais um que o ucraniano Zinchenko, do Manchester City. Nada mau… para um “passador”.

As “serpentes” do EURO

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Na análise sobre os melhores do EURO também referimos Frenkie de Jong como um dos destaques do torneio. O neerlandês (agora tem de se dizer assim senão amuam) é “rei” dos dribles, e a diferença para a concorrência é grande, com mais cinco que os três concorrentes, todos ainda em prova. O melhor português neste capítulo surge em 19º mas não deixa de ser curioso ser quem é: Renato Sanches entrou na 2ª parte da derrota com a Alemanha e jogou de início frente à Alemanha, rubricando uma exibição promissora e, apesar da utilização parcial, consegue ser o português com mais “ultrapassagens” aos adversários.

Os “UBER Eats” que entregam mais que os demais

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Na segunda jornada, na vitória do País de Gales sobre a Turquia, Gareth Bale criou nada menos que cinco ocasiões flagrantes de golo, fixando um dos dois GoalPoint Ratings mais altos da prova até ao momento. E na realidade foram as únicas flagrantes que construiu em três partidas, suficiente, porém, para para liderar este ranking. O neerlandês Malen surge logo atrás, com quatro, apesar de não ser titular indiscutível dos Países Baixos. Entre os portugueses não existe nenhum “patrício” com mais do que um passe para flagrante, acabando por ser Rafa Silva o destaque, por igualar a concorrência lusa em muito menos minutos que os colegas.

Os “atiradores-furtivos”

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Até é estranho não vermos Cristiano Ronaldo liderar o ranking de disparos, ele que costuma ser o mais rematador das competições onde actua, mas a verdade é que, desta feita, o comandante é o Ballon D’Or de 2020, Robert Lewandowski. O goleador do Bayern e da Polónia terminou a sua participação (foi eliminado) com 12 disparos, mais um que Morata, Depay e CR7. Tirando “Lewangolski”, todos estão ainda em prova e vão, certamente, ultrapassar a estrela da Polónia.

Sangue frio na cara do golo

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Apenas um jogador neste ranking converteu todas as ocasiões flagrantes de que dispôs até ao momento, precisamente o líder. O “laranja” Wijnaldum usufruiu de três destes lances e não vacilou. Cristiano Ronaldo surge novamente nas contas, em quinto, com dois golos em três flagrantes. Todos os cinco estão ainda em prova, pelo que esta “shortlist” vai, certamente, sofrer muitas alterações.

Afinal há mais Moratas

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Um dos temas de conversa neste EURO 2020 é a incapacidade que o espanhol Álvaro Morata tem mostrado na hora de finalizar, mas não é o único. O ponta-de-lança usufruiu de quatro ocasiões flagrantes e desperdiçou três, exactamente o mesmo registo de outros três craques, Immobile, Dumfries e Ramsey, enquanto Harry Kane mandou para “as urtigas” as três de que dispôs, levando muito jogador de Fantasy a inscreve-se no cada vez mais poderoso lobby dos “Lesados de Kane”. O facto de Portugal não ter criado colectivamente muitas ocasiões flagrantes ajuda, mas é sempre bom nâo ver aqui nenhum português.

Expected Goals: não dizem tudo (mas também não mentem)

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O melhor marcador é Cristiano Ronaldo, com cinco golos, e comparando os que marcou com os que “devia ter marcado”, a coisa está até a correr bem. CR7 usufruiu de lances para marcar que acumularam 4,7 expected goals (xG), que é como quem diz, fez mais 0,3 tentos do que devia. Mas como não há golos às fatias, é caso para dizer que está em linha – nota: só em penáltis, Ronaldo contou com 2,6 xG. Voltamos a Morata, que já devia ter três golos marcados, à conta do xG, mas só tem um. Quem não perdoou foi Lewandowski, com três “batatas” em 2,4 xG.

Expected Goals colectivos: os que mais criam (e os que mais “secam”)

Em termos colectivos, importa olhar para o que as equipas têm feito em termos de construção de lances de golo, mas também para o que têm realizado para mitigar as hipóteses de os adversários o fazerem. Retiramos da equação as grandes penalidades para que os dados mostrem mais claramente a qualidade das equipas na construção desses lances. E quem lidera é a Espanha. Já o escrevemos noutros artigos que a “la roja” é a equipa com futebol mais envolvente deste EURO, capaz de criar muitos lances de ataque, e os xG a favor (lá está, sem penáltis) chegam aos 9,1. Em teoria, Espanha deveria ter nove golos marcados mesmo sem as grande penalidades, mas tem apenas seis… com castigos máximos.

Destaque também para os Países Baixos e para os números de Portugal. A formação das “quinas conseguiu construir 4,4 xG sem as grandes penalidades e soma sete golos. Não está mau. Quanto aos expected goals contra, não surpreende que Itália e Inglaterra, ambas sem qualquer golo sofrido, registem apenas 1,3 contra. Isto é que é solidez defensiva. Portugal está em décimo, com 3,9. Há que melhorar isto.

Terminamos com um “clássico” GoalPoint: os líderes individuais em 10 das variáveis mais populares, algumas delas já referidas neste balanço.

Voltaremos aos rankings, mais à frente, e com experança de continuarmos a não só ver portugueses como vê-los evoluir nos registos, o que seria óptimo sinal.

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