O “clássico” de domingo promete decidir o campeonato, o que por si só não ajuda a promover a competitividade da prova. Quando este se resolve numa espécie de final percebemos que existe um desnível acentuado entre equipas da mesma competição.

Mas, no meu entender, o mais importante prende-se com a pressão que os dois treinadores irão sentir. Jorge Jesus não pode perder um campeonato em que chegou a ter nove pontos virtuais de vantagem sobre os “dragões”. O fantasma dos campeonatos perdidos para Vítor Pereira paira, e muito, sobre os benfiquistas – jogadores, técnicos, dirigentes e, sobretudo, adeptos. Oficialmente nada se sabe sobre a renovação de Jesus, mas, se a mesma ainda não está acordada, com uma derrota por dois golos – o que basta para o FC Porto passar para primeiro – conseguirá Vieira (ou melhor, quererá Vieira?) manter o treinador, o único que lhe conseguiu dar uma regularidade assinalável de títulos e de presenças na alta roda do futebol europeu? A resposta é óbvia: não, apesar de haver um antes e depois de Jesus muito bem circunscrito.

Julen Lopetegui tem o imenso mérito de ter chegado aos quartos-de-final da Liga dos Campeões, mas o futebol é ingrato e na Luz joga a sua tábua de salvação para não chegar ao fim da época com zero títulos. O seu futuro não está em jogo, assim se presume, até porque o investimento feito pelo FC Porto está coberto pelos mais de 20 milhões de euros em prémios da UEFA a que temos de acrescentar a venda de Danilo. Mas o FC Porto devia ter feito mais e com este plantel é difícil admitir uma época sem troféus – o último data do início da temporada passada, a Supertaça. A sua aura junto dos adeptos e da opinião pública será jogada em 90 minutos nos quais uma vitória pela margem mínima não chega, porque, a crer pelos últimos jogos, nem FC Porto nem Benfica perderão pontos nas quatro rondas sobrantes.

E como irão as duas equipas abordar o “clássico”? Em traços largos percebe-se que o 4x3x3 do FC Porto contra o 4x1x3x2 do Benfica dá superioridade de um elemento aos portistas no meio-campo, zona em que tudo se pode decidir, mas a chave estará na maneira como Lopetegui compensará a exposição dos seus dois centrais aos dois avançados do Benfica. Se for um lateral a compensar, hipótese em que não acredito a não ser pela dinâmica pontual de um ou outro lance, os portistas continuam em superioridade mas o mais certo de suceder passa pela compensação de Casemiro ao seu eixo da defesa. E aí Benfica e FC Porto terão dois para dois no meio-campo. Tudo equilibrado, portanto. O que poderá fazer a diferença será o jogo interior dos dois alas das duas equipas. Brahimi e Ricardo Quaresma, do lado do FC Porto, Gaitán e Salvio, pelos “encarnados”, serão determinantes e serão eles a criar episódios de superioridade para desequilibrar um duelo, por si só, bastante equiparado.

Se algum destes futebolistas for no engodo do adversário de dar largura ao seu jogo na maior parte do tempo, dará vantagem ao seu oponente.

Independentemente disso, o FC Porto tem que marcar e o Benfica não sai a zeros da Luz para o campeonato há mais de nove dezenas de jogos. Esperam-se golos, porque o FC Porto quer passar a factura de Munique e o Benfica, empurrado pelos seus adeptos, não deseja rebobinar a cassete de um filme visto por duas vezes.

Os clubes seguirão com a sua vida, agora os treinadores, ambos, têm 90 minutos para mostrarem o que valem e não perderem prestígio. E a verdade é que apenas um será bem sucedido a partir das 17h00 de domingo.