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Silêncio… A bola voltou a rolar. No futebol “pós-pandemia”, o habitual barulho ensurdecedor no inferno do Signal Iduna Park deu lugar ao vazio nas bancadas. No dérbi do Ruhr, para muitos o embate mais importante desta 26ª jornada, o Dortmund não deu hipóteses ao rival, cilindrou o Schalke por… 4-0 e atingiu a marca dos 800 triunfos na Bundesliga.

Haaland inaugurou a contenda, Raphael Guereiro bisou e Thorgan Hazard também deixou a sua impressão digital no marcador. Com o resultado, os anfitriões chegaram aos 72 golos na prova e passaram a amealhar 54 pontos, menos um ponto e mais um jogo do que o Bayern Munique, que apenas entra em cena no domingo, diante do União Berlim. Por sua vez, o Schalke chegou, na tarde deste sábado, à marca dos 40 golos sofridos, ao oitavo desafio sem vitórias na competição, e prossegue com 37 pontos, sendo ultrapassado no sexto lugar por Wolfsburg e Freiburg.

A equipa da casa entrou com tudo e dominou os primeiros instantes do duelo, pressionando alto a última fase de construção dos contrários, com triangulações envolventes e constantes, e foi “carregando” sobre o rival do Ruhr e coleccionando oportunidades, pecando apenas na finalização dos lances. Contra a corrente de jogo, Caligiuri, aos 26 minutos, ainda ameaçou o golo dos visitantes, mas Burki, atento, defendeu a dois tempos.

Porém, dois minutos volvidos o sujeito do costume – Haaland, pois claro – fez o que melhor sabe e inaugurou o marcador. Brandt fez a abertura, sobre o lado direito, Thorgan Hazard cruzou com as medidas certas e o artilheiro norueguês atirou com precisão para o fundo das redes adversárias. Na Bundesliga, em nove jornadas são dez golos e contabilizando todas as provas foi o 13º em 12 partidas oficiais pelo Dortmund.

Manteve-se o predomínio dos amarelos e, em cima do intervalo, houve mais um golo, com sangue e pés portugueses. Brandt assistiu e Raphaël Guerreiro, descaído sobre o flanco esquerdo, rematou forte e rasteiro, dilatando a vantagem.

Ao intervalo, os números não mentiam e consubstanciavam a vantagem dos comandados de Lucien Favre no decurso dos primeiros 45 minutos de jogo. Haaland, com um golo em duas tentativas de remate e 16 acções com a bola, ditava leis e impunha a sua imensa qualidade. Raphael Guerreiro, com um golo em três remates e apenas dois passes falhados em 20 – 91% de eficácia, também brilhava. Além dos marcadores dos golos, realce para a exibição de Hakimi, que carrilou bastante jogo pelo corredor direito e juntou-se ao top 3 dos melhores. 

O festival continuou e, apenas três minutos após o descanso, num contra-ataque bem urdido, a bola passou pelos pés de Haaland, Brandt – que participou em todos os golos – e chegou Hazard, o Thorgan, que ampliou o marcador para uma almofada confortável de três golos neste “Revier dérbi”.

O rolo compressor dos “auri-negros” não tirou o pé do acelerador e foi massacrando o eterno rival. Ao minuto 63, num lance de entendimento com Haaland, Raphael Guerreiro, de trivela – com direito a dicas do também campeão europeu Ricardo Quaresma? – bisou, naquele que foi o quarto remate que fez no encontro, e apontou o sétimo tento em 21 jornadas da prova. 

Aos 70 minutos, além dos quatro golos de vantagem, o domínio do Dortmund era avassalador, face às inúmeras fraquezas e falta de respostas do Schalke 04: 11 remates contra sete, uma eficácia de 100% no que concerne aos remates com direcção à baliza – quatro tiros e quatro golos -, versus os três tiros do rival, quatro cantos contra nenhum dos visitantes, 49% dos duelos ganhos contra 39,5%, 456 passes para 338 e 58% de posse de bola contra 42%.

A falta de jogos começo a fazer-se sentir por volta do minuto 70, altura em que vários jogadores dos dois emblemas começaram a queixar-se de cãibras e alguns tiverem de ser substituídos. Os minutos foram passando até ao apito final do árbitro Deniz Ayteki

Raphael Guerreiro 7.6Exibição assombrosa do internacional luso neste quinto triunfo consecutivo do Dortmund no campeonato. Em quatro remates, apontou dois golos. Mas não se ficou por aqui, teve uma eficácia de 92% no que diz respeito aos passes, falhando apenas cinco em 59 tentativas, e alcançou quatro passes progressivos certos. No total foram 90 acções com a bola nos 86 minutos em que foi utilizado, com quatro recuperações de posse, cinco desarmes e duas intercepções, e demonstrou estar em excelente forma física.

Haaland 7.3 O suspeito do costume. O internacional norueguês tem apenas 19 anos, mas uma frieza ímpar e não deixa os seus créditos por pés alheios. Mortífero na “Hora H”: em dois remates, marcou um golo, fez uma assistência, perdeu apenas um dos três duelos ofensivos aéreos que protagonizou. Do lado dos vice-líderes da Bundesliga, realce ainda para as performances de Hakimi (6.5), Thorgan Hazard (6.2) e de Brandt (6.2).

Schubert 2.8 – o guardião do Schalke 04 teve uma tarde para esquecer. Além de não ter ficado bem em dois dos quatro golos sofridos, apenas acertou dois dos dez passes longos tentados e acabou por não registar nenhuma defesa.