(artigo originalmente publicado a 29 de Abril de 2018)

Trinta e duas jornadas depois está tudo empatado entre os grandes rivais da capital. O Benfica perdeu com o Tondela e acumulou a sua segunda derrota caseira consecutiva, enquanto o Sporting foi a Portimão vencer e confirmar a sua boa fase.

Assim chegamos à recta final de uma “maratona” de 34 jogos, com os rivais lisboetas igualados em pontos (77) e até em golos sofridos (22). Mas o que pode “esconder” essa igualdade? Nos jogos de sábado, por exemplo, os guardiões de ambas as equipas tiveram um desempenho bem distinto. Enquanto Bruno Varela sofreu três golos nos quatro remates que foram à sua baliza, Rui Patrício enfrentou três remates e sofreu apenas um golo.

A série do jovem português, que até foi considerado pelos adeptos como o melhor guarda-redes no mês de Março, não parece assim tão boa à luz dos números recentes. Nas últimas oito jornadas, Bruno Varela tem tantas defesas como golos sofridos, e desde a vitória em Paços de Ferreira que não faz mais do que uma defesa num jogo.

É por isso lógico questionar: como estaria o Benfica com Rui Patrício na baliza, e como estaria o Sporting com Bruno Varela a defender as suas redes? As contas são simples. Sabemos a percentagem de remates que defende cada um deles, dentro e fora da área, assim como sabemos a quantidade de remates enquadrados permitidos por cada equipa em cada uma dessas zonas.

SLBSCP
Golos sofridos (de dentro da área)1920
Golos sofridos (de fora da área)32
Remates enquadrados permitidos (dentro da área)4667
Remates enquadrados permitidos (fora da área)3338
Vitórias por diferença de um golo513

Fonte: GoalPoint/Opta

Por aqui já se pode verificar que, apesar da contagem de golos sofridos ser igual (22), a diferente eficácia dos guarda-redes disfarça algumas coisas. Rui Patrício defendeu 69% dos remates direccionados à sua baliza de dentro da área e 95% dos disparos feitos de fora da área. Nos mesmo parâmetros, Bruno Varela apresenta eficácias de 58% e 87%, respectivamente. Apliquemos então essas percentagens à quantidade de remates permitidos por cada equipa.

SLBSCP
Golos sofridos2222
Golos sofridos (com Bruno Varela nas 32J)19,4 + 4,328,2 + 5,0
Golos sofridos (com Rui Patrício nas 32J)14,4 + 1,820 + 2
Diferença BV vs. RP-7,5+11,2

Fonte: GoalPoint/Opta

Com Rui Patrício na baliza, o Benfica teria sofrido sensivelmente 16 golos na Liga NOS, menos seis que aqueles que sofreu na realidade, enquanto o Sporting já levaria 33 golos sofridos com Varela, mais seis do que o Braga, por exemplo.

Não é fácil converter esta diferença em pontos a mais e a menos, mas tendo o Sporting vencido pela margem mínima em 13 das 24 vezes que conquistou os três pontos, é fácil perceber o impacto que teriam 11 golos sofridos a mais nas suas contas.

Aqui, nem estamos a contabilizar outro tipo de acções em que Bruno Varela peca constantemente, apenas a eficácia entre os postes. Nas saídas aéreas, por exemplo, Bruno Varela é o pior da Europa e tem sucesso em 50% das vezes contra os 90% de Rui Patrício, pecando ainda na ajuda ao controlo da profundidade, visto que só sai da baliza 0,2 vezes a cada jogo. É um número bem diferente de Ederson na época passada (1,2 / jogo), e que nos levou no início da época a indicar cinco opções para a baliza encarnada com características (e qualidade) muito mais em linha com as do brasileiro.

Tudo somado, fica bem à vista a importância que tem um guarda-redes em qualquer equipa, sobretudo numa que lute por títulos. Uma simples troca de guarda-redes e o Sporting teria, teoricamente, o dobro dos golos sofridos do seu principal rival. O decisivo dérbi do próximo sábado provavelmente não o seria, e sabe-se lá como estariam as contas pelo título.

GoalPoint-Bruno_Varela_2017_vs_Rui_Patrício_2017-infog
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