“(…) em Portugal o actual líder ganhou em média 1,9 pontos por jornada ao último classificado e percebemos que pior que isto só em França (…)”

O ar que se respira está perto do insuportável para quem realmente gosta de futebol. Nas redes sociais os adeptos perdem-se em trocas de compilações de vídeo. De golos? Não, nada disso. De entradas duras e agressões, que representam tudo menos a essência do futebol. Pouco interessa a recorrência ou o contexto, o que interessa é reduzir a qualidade de jogadores como Islam Slimani, João Mário, Renato Sanches e Samaris (entre outros) à expressão de alguns lances infelizes que protagonizam no passado mas que, aos olhos de quem realmente gosta de futebol, nada dizem sobre as reais qualidades que trazem esses jogadores na memória dos adeptos que os apoiam.

Culpa de quem? Todos sabemos. Culpa de quem teria por missão não só liderar clubes, associações e instituições ligadas ao espectáculo do futebol como também defendê-lo, nem que fosse pela noção clara de que só promovendo um consumo saudável da “bola” esta poderá prosperar. Ao invés subsiste a prioridade para a sobrevivência, a auto-preservação e justificação perante os seus, com pouca ou nenhuma atenção dada ao futuro.

Os adeptos esses vão atrás destas prioridades, naquela que é apenas mais uma expressão da ingenuidade colectiva de um povo cuja História está pejada de exemplos de serena aceitação das falácias de quem o lidera, nos vários domínios. Pouco interessam as questões de formação ou consciência crítica. Esta alienação e instrumentalização parece afectar de forma transversal toda a gente, desde o pós-doutorado ao honesto membro da working class. Como já disse no passado o futebol em Portugal é isto, um fenómeno capaz de despir qualquer cidadão dos mais basilares processos de capacidade crítica, qual zombie hipnotizado pelas falácias de quem já se percebeu nunca terá uma postura condizente com as responsabilidades.

No meio desta “miséria” surge a Liga, por intermédio do seu presidente, falando na Liga NOS como a mais competitiva da Europa, fundamentando a conclusão com a diferença pontual dos três primeiros de sempre, como se uma Liga realmente competitiva não fosse muito mais do que a competição entre os clubes que sempre a dominaram. Do cómico passamos ao básico quando percebemos que em Portugal o actual líder ganhou em média 1,9 pontos por jornada ao último classificado e percebemos que pior que isto só em França (2 pontos) e que melhor que nós… até a igualmente tripolar Liga espanhola. Voltaremos muito em breve a este tema da competitividade da Liga NOS, com números, mas desde já a conclusão: isto não vai lá com contas criativas que apenas institucionalizam o desequilíbrio do nosso futebol, vai lá com actos.

Tudo isto podia fazer-nos esmorecer, nós que desde a primeira hora não cedemos na ambição de liderar uma nova forma de encarar o futebol em Portugal: mais objectiva, mais sustentada mas também mais divertida e saudável. No fundo um approach que realmente valorize a paixão que temos pelo espectáculo, mais do que a qualquer clube. Não esmorecemos. Só desde o início do ano são cerca de 10 mil aqueles que decidiram acompanhar o nosso trabalho mais de perto, a maioria deles muito jovens, entre os 18 e os 24 anos, o que nos confirma a previsão que sempre nos deu confiança: a noção de que um futebol português saudável, inteligente, crítico, forte e decente se construirá pelos próximos e não pelos que estão. E é para esses que continuaremos a trabalhar, a inovar e a fazer mais, totalmente apaixonados pelo futebol.
Obrigado pelo incentivo. Da nossa parte cá estaremos para o retribuir.