Época 2013/14: O problema de topo do “leão”

A equipa do Sporting CP protagonizou um campeonato muito positivo mas algo faltou na disputa pelo título. Exploramos as pistas.

Ideia generalizada no futebol em Portugal é a de que “os títulos ganham-se com os pequenos”. Uma espécie de chavão que o Sporting provou esta temporada poder ser esse o caminho. Porém, nem sempre o suficiente para rechear as vitrinas dos museus.

O segundo lugar dos “leões” na Liga portuguesa e o regresso à Liga dos Campeões surpreenderam muita gente, perante o sétimo posto da época anterior. Resta perceber o que faltou aos comandados de Leonardo Jardim para darem um passo mais e chegar ao primeiro lugar. Desde que o campeonato luso tem 16 equipas e 30 jornadas, nenhuma sagrou-se campeã com os mesmos 67 pontos que o Sporting somou em 2013/14 – o mínimo foi 69 pontos, do FC Porto, em 2006/07 e 2007/08 -, mas o desempenho leonino esteve a par de alguns dos melhores do clube na última década. O que faltou então ao “leão”?

Olhando friamente para os números, o grande problema parece estar na forma como não conseguiu lidar com os outros clubes do topo da tabela. Podemos especular sobre falta de experiência e maturidade do seu jovem plantel, poucas opções em comparação com os rivais, ou qualquer outro motivo. Certo é que o Sporting falhou rotundamente frente aos adversários que ficaram nos cinco primeiros lugares, e dominou por completo os restantes.

clique a imagem para ler em detalhe (foto: Diogo Caldas via photopin cc/infografia: GoalPoint)

Nos jogos fora de casa conseguiu resultados semelhantes aos dos encontros em casa; marcou 61,1% dos seus golos nas segundas partes, denotando perseverança; mas falhou nas partidas mais complicadas. Somou apenas um ponto frente ao Benfica, em casa, logo à terceira jornada, e o único triunfo neste lote foi em Alvalade, 1-0 sobre o FC Porto. Arrancou ainda mais três empates, um com o Estoril (quarto classificado), fora, e dois com o Nacional (quinto), somando derrotas na visita ao Estádio da Luz e na recepção ao Estoril de Marco Silva. No total, apenas sete pontos registados em 24 possíveis no “mini-campeonato” dos cinco primeiros.

Num exercício inverso, se contabilizarmos somente os encontros sem os cinco primeiros, o cenário é surpreendente. Neste caso, o Sporting seria campeão com 60 pontos, mais cinco que o Benfica e sete que o FC Porto, e mais 18 que o Estoril. Ao invés da fraca concretização ante os cinco primeiros (0,5 golos por jogo), os “leões” foram os reis dos golos frente aos clubes do sexto lugar para baixo, com 2,27 tentos por jogo. Os 2,72 pontos por partida dão bem a ideia da superioridade leonina neste capítulo.

A frieza dos números é esta, e é discutível, mas parece evidente que o mesmo Marco Silva que ganhou ao Sporting em Alvalade na última jornada da Liga tem pela frente a tarefa de mudar a sorte da equipa frente aos mais directos adversários, sob pena de o “salto” final de que a equipa precisa ficar curto demais.

Que razões considera estarem na base da performance menos conseguida do Sporting contra os rivais mais directos? Deixe-nos a sua opinião.