Espanha 🆚 Portugal | Ensaio a fazer lembrar 2016

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Portugal foi a Madrid retribuir a visita de Espanha a Lisboa, no passado mês de Outubro, em jogo de preparação para o EURO’2020… e também retribuiu o resultado. Tal como no anterior duelo ibérico, as duas formações não marcaram qualquer golo, apesar de terem disposto de algumas ocasiões para tal. Uma partida que revelou a identidade das duas selecções, uma Espanha dominadora, com “vício” de ter bola, um Portugal sólido e pragmático que teve neste compromisso um útil ensaio geral para os embates com França e Alemanha

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Portugal já a pensar em França e Alemanha

Quem conhece a selecção de Espanha sabe que “la roja” gosta de ter bola, mesmo que às vezes se esqueça de que o futebol tem balizas, e foi isso que aconteceu na primeira metade do encontro, perante uma formação lusa numa espécie de 4-4-1-1, com Cristiano Ronaldo mais adiantado. Homens da casa muito mandões, a empurrar Portugal para o seu terço defensivo diferente quase todo o tempo, mas sem grande objectividade, com um futebol muito rendilhado.

Sensivelmente a meio da etapa inicial, Espanha tinha incríveis 73% de posse de bola, mas nenhuma das equipas registava remates, embora Portugal já tivesse um golo anulado (marcado por José Fonte). E chegou ao descanso com dois disparos, contra um dos portugueses, mas remates enquadrados nem vê-los. A maior parte dos jogadores da casa tinham um posicionamento médio acima da linha de meio-campo, os portugueses o inverso.

O jogo reiniciou-se partido, com lances de perigo nas duas áreas, e aos 60 minutos, bom trabalho de Cristiano Ronaldo, a cruzar para cabeceamento perigoso de Diogo Jota. O meio-campo português estava mais impositivo e a controlar melhor os movimentos espanhóis, que só no último quarto-de-hora, já com as muitas substituições a terem lugar, voltou a assumir o controlo e o domínio dos acontecimentos, com boas trocas de bola na frente.

Perto do fim foi Rui Patrício a negar o golo à Espanha, e nos descontos, Alvaro Morata, isolado, acertou na barra. Conclusão? Espanha igual a si própria, sem efectividade no último terço. Portugal sólido defensivamente, por vezes cínico, sem necessitar de bola para controlar os acontecimentos. Será assim no “grupo da morte”?

[ O passe mais frequente em Portugal foi entre José Fonte e… Rui Patrício ]

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O MVP GoalPoint👑

Na primeira parte, na segunda, ao longo de todo o jogo. Sérgio Busquets foi o MVP da partida, embora não com um GoalPoint Rating extraordinário, somente um 6.1, mas que reflecte a espécie de “ancora” que o jogador do Barcelona foi para a “la roja”. O “trinco” terminou a primeira parte com oito recuperações de posse e no final somava 12, o máximo da partida. Destaque também para 91% de eficácia nos 53 passes realizados.

Outros GoalPoint Ratings 🔺🔻

Danilo Pereira 5.9 – Na primeira parte foi quase um central, perante a pressão espanhola, e acabou por ser o melhor português, com três acções defensivas no meio-campo contrário e outras tantas intercepções.

Raphaël Guerreiro 5.8 – O melhor de Portugal ao intervalo, em especial pelos quatro desarmes operados, mas teve muitos problemas perante Ferrán Torres. Terminou com o máximo de desarmes (5).

Nélson Semedo 5.7 – O autor do primeiro remate de Portugal, subiu sempre que pôde, mas esteve muito amarrado a funções defensivas, apesar de Espanha pouco ter usado as linhas. Terminou com nove recuperações e quatro desarmes.

José Fonte 5.7 – Sólido, com posicionamento irrepreensível. Fez cinco alívios e dois bloqueios de remate.

Bruno Fernandes 5.4 – Deu algum critério ao “miolo” luso, terminando com três passes para finalização e dois cruzamentos eficazes (100%).

Rui Patrício 5.3 – Apesar do domínio completo dos espanhóis, o guardião luso teve pouco trabalho (só 2 defesas) e só no final foi salvador, com uma grande defesa a remate de Ferrán Torres.

João Félix 5.3 – Pouco em jogo, como, aliás, a maior parte dos jogadores lusos, somou mais acções defensivas (2) do que ofensivas (0). Saiu ao intervalo.

Pepe 5.3 – Menos em jogo que Fonte, ainda assim recuperou quatro vezes a posse e fez três alívios.

Cristiano Ronaldo 5.3 – Com tão pouca bola, Portugal não conseguiu servir bem o seu capitão, ainda assim, CR7 criou uma ocasião flagrante em dois passes para finalização e ganhou dois de três duelos aéreos ofensivos.

Diogo Jota 5.1 – Teve na cabeça a melhor oportunidade de Portugal, no primeiro tempo, uma ocasião flagrante falhada. De resto esteve discreto.

William Carvalho 5.1 – Jogou perto de meia-hora e completou 22 dos 23 passes que realizou.

Pedro Gonçalves 5.0 – Entrou ao intervalo para se estrear pela selecção e a sua presença coincidiu com o melhor período luso. Mas acabou com pouco impacto no jogo.

Nuno Mendes 5.0 – Apenas 11 minutos em campo não foi suficiente para dar nas vistas.

Sérgio Oliveira 4.9 – Passou algo despercebido, com 83% de eficácia de passe e dois desarmes.

João Palhinha 4.9 – Jogo discreto do médio, com destaque para 12 passes certos em 14.

Rafa Silva 4.9 – Não conseguiu dar velocidade ao jogo, somando apenas um drible eficaz em dois tentados.

Renato Sanches 4.8 – Um dos mais activos na primeira parte, saiu a meio do segundo tempo com o pior rating, com três faltas cometidas e oito perdas de posse em 28 acções com bola.

Entre os espanhóis:

Ferrán Torres 6.0 – Um dos melhores da selecção espanhola, autor de quatro remates (um enquadrado), seis acções com bola na área lusa e dois dribles completos em quatro tentativas.

José Gayà 6.0 – O lateral-esquerdo deu poucas “abébias” no seu flanco, somou o máximo de acções com bola (99) e criou uma ocasião flagrante, perdida por Pablo Sarabia.

Álvaro Morata 6.0Com quatro remates, foi um dos mais perigosos e, já nos descontos, isolado, perdeu uma flagrante, atirando à barra. Somou o máximo de acções com bola na área contrária (9).

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