O momento do Sporting confunde e preocupa os adeptos. Os “verde-e-brancos” investiram forte e já deixaram promessas positivas nesta época (vitória frente ao FC Porto, exibição diante do Real Madrid), mas vão somando resultados de “alerta laranja”, sobretudo nas jornadas após compromisso europeu.

Se frente ao Tondela os “leões” acusaram sobretudo uma surpreendente falta de produtividade (apenas dois remates enquadrados, menos do que, por exemplo, o Belenenses na recepção ao Benfica) a ausência de Adrien (já aqui abordada) e a permeabilidade defensiva têm sido apontadas como o principais factores de preocupação.

Mas estará o “leão” realmente mesmo mais susceptível ao golo adversário? Eis alguns números da época actual, comparados com a média da época passada, que nos ajudam a avaliar a questão:

Desempenho (média p/ jg)Liga NOS 15/16Liga NOS 16/17Variação ⬆⬇
Remates permitidos7.96.9
Rem. enquadrados permitidos2.43.0🔻
% Rem. enquadr. permitidos31%44%🔻
% Remates defendidos76%53%🔻
Golos sofridos0.61.3🔻
Acções defensivas51.749.9🔻
Faltas cometidas16.815.6🔻

Fonte: GoalPoint.pt / Opta

Os números confirmam o óbvio, mas com algumas particularidades:

  • Os “leões” permitem em média 6.9 remates por jogo, menos um do que na primeira temporada de Jesus em Alvalade. O problema é que 44% deles são enquadrados, contra 31% da época passada, o que indicia que o adversário está a disparar em condições mais favoráveis do que o fazia em 15/16 e, por isso, está a enquadrar mais remates (3 por jogo, contra 2.4 na época passada)
  • O Sporting tem uma média de 1.3 golos sofridos por jogo, contra 0.6 em 15/16. Todos os golos foram sofridos na sequência de remates de dentro da área, mas aí não ocorrem alterações de maior: dos 21 golos sofridos pelo “leão” na época passada, apenas um surgira de um disparo de fora da área.
  • Os “verde-e-brancos” somam 50 acções defensivas por jogo. Na época passada, a média situava-se nas 52. A principal diferença reside nos alívios: apenas 12 por jogo contra 14 em 15/16.
  • As faltas são em teoria uma variável “negativa”, mas quando evitam situações de perigo iminente passam rapidamente a “positivas” aos olhos dos adeptos (e treinadores): o “leão” cometia mais uma falta por jogo em 15/16 do que o faz neste momento.
  • O factor mais surpreendente acaba por ser a eficácia de Rui Patrício na hora de fazer frente aos disparos enquadrados: o campeão europeu apenas travou 58% dos remates enquadrados sofridos pelo Sporting, contra uma média de 76% na época passada.

Os sinais de alarme leoninos não estarão apenas no momento defensivo, e muito menos centrados nos homens com principais responsabilidades defensivas, sobretudo quando sabemos que o “leão” perdeu figuras como Islam Slimani, que apoiavam o sector recuado muito para lá do que é habitual num jogador dessa posição.

Faremos um “raio-x” mais aprofundado após a 10ª jornada, aquando do regresso do Barómetro GoalPoint. Até lá fica a noção clara, em números, de que o Sporting permite (muito) maiores veleidades aos adversários do que fazia na época passada.