Estoril 2 – Porto 2: Kuca e companhia batem o pé ao “dragão”

Estoril confirma estatuto de adversário complicado para um FC Porto que não foi capaz (mais uma vez) de traduzir em vitória um maior ascendente.

Kuca foi uma dor de cabeça constante para os "azuis-e-brancos" (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Kuca foi uma dor de cabeça constante para os “azuis-e-brancos” (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

Após mais um empate do FC Porto na Amoreira (o mesmo resultado que na época anterior), o mais óbvio será analisar os deméritos de um FC Porto que até entrou a vencer fruto de um excelente golo de Brahimi aos vinte minutos. No entanto, torna-se necessário realçar devidamente o mérito de um Estoril que após um jogo europeu na longínqua Moscovo, com menos 24 horas de descanso (no mínimo, dadas as diferenças não só de calendário mas de distâncias dos compromissos europeus de ambas as equipas) se bateu de forma afirmativa diante de um FC Porto que procurava não deixar fugir o Benfica e um surpreendente Vitória na classificação.

Adrián assiste mas não traz sorte

O lançamento de Adrián no “onze” dos “dragões”, no lugar de Tello, era uma das duas evidências (a outra seria Óliver) da outrora mais expressiva rotatividade de Lopetegui, uma alteração que os mais supersticiosos adeptos “azuis-e-brancos” teriam razões para estranhar dado o histórico recente de resultados associados à titularidade do ex-Atlético de Madrid.

E se a titularidade de Adrián será o argumento fácil na hora de questionar um novo tropeção do “dragão” na luta pelo título, a verdade é que o espanhol esteve tudo menos ausente desta partida: é dele a assistência para o golo de Brahimi, que abriu o activo (aos 20 minutos), saindo dos seus pés um total de três passes para golo (o segundo registo mais produtivo, atrás de Quaresma com quatro).

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

Kuka e Rafael estorvam “dragão”

Após a entrada forte do Porto o golo estorilista não tardaria: aos 27 minutos Kuca empata a partida a passe de Emídio Rafael, precisamente dois dos “amarelos” em maior evidência durante a partida. Kuka foi um constante quebra-cabeças para a defesa “azul-e-branca”, criando três ocasiões para os colegas para lá do golo que assinou. Já Emídio Rafael, para lá da valiosa assistência, foi dos mais interventivos no momento defensivo, com quatro cortes e três alívios eficazes, dando o seu contributo assim para estancar as frequentes investidas do Porto, sobretudo no último terço da partida. No capítulo defensivo, e num sector que pese os dois golos sofridos revelou quase sempre grande organização, Anderson Pereira é também merecedor de elogio pela quantidade de intervenções positivas que teve ao longo da partida: sete cortes, cinco passes interceptados e quatro alívios são números que traduzem uma produtividade invulgar.

O primeiro tempo terminaria empatado, traduzindo o relativo equilíbrio que advinha de um Porto com maior iniciativa e um Estoril sempre disponível para o contra-ataque perigoso: oito remates para os da casa contra dez dos “dragões” (dois a três em remates enquadrados). A segunda parte seria necessariamente diferente, ainda que somando mais um golo para cada emblema.

Final de partida animado

Apesar do empate, Lopetegui resistiria à frequente tentação de operar alterações ao intervalo. A decisão de mudar o rumo dos acontecimentos a partir do banco chegaria aos 63 minutos, com a troca de Adrián por Vincent Aboubakar: o FC Porto preparava-se para atacar com maior acutilância o último reduto “canarinho”. Os números do segundo tempo traduzem isso mesmo: os “dragões” fizeram dez remates contra cinco dos estorilistas, aumentando a posse de 69% para 73%. Mas apesar da maior pressão seria o Estoril a colocar-se em vantagem através de uma grande penalidade conquistada e convertida por Tozé aos 81 minutos, jovem jogador dos “dragões” cedido por empréstimo ao Estoril. Nesse momento, Lopetegui chamou Óliver para o lugar de Maicon, apostando tudo num último assalto ao castelo “amarelo” que renderia frutos já para lá dos 90 minutos: seria precisamente Óliver o marcador do golo do empate do Porto, pouco antes do apito final de Artur Soares Dias.

O jogo terminaria com um FC Porto que, apesar dos 20 remates efectuados, seria mais uma vez incapaz de bater um tradicionalmente difícil Estoril que poucos sinais deu do previsível desgaste da jornada europeia e que soube aproveitar os momentos concedidos pelo FC Porto (exemplo: as 20 perdas de posse de Herrera, particularmente infeliz neste capítulo) de modo a obter um empate moralizador para os próximos desafios.