Estoril 2 – Benfica 3: “Águia” adormece mas acorda a tempo

“Encarnados” entraram fortes na partida mas adormeceram sobre a margem de dois golos. “Canarinhos” ainda assustaram mas expulsão abriu o jogo e Lima fechou as contas.

Talisca deu frente ao Estoril sequência à veia goleadora que vinha demonstrando (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Talisca deu frente ao Estoril sequência à veia goleadora que vinha demonstrando (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

O Estoril recebeu este sábado o Benfica num jogo de elevada importância para o conjunto orientado por Jorge Jesus, face ao empate da noite anterior entre Sporting e FC Porto.

José Couceiro adoptou um 4x2x3x1 na tentativa de anular as principais peças do Benfica, que surpreendeu com uma entrada forte em campo e com dois golos de Talisca em apenas seis minutos.

O avançado brasileiro foi a grande surpresa do “onze” inicial dos “encarnados”, uma vez que era dado como inapto pela sua lesão no jogo frente ao Moreirense, em casa. Mantendo o “onze” base e o sistema táctico tradicional, 4x1x3x2, foi do Benfica que surgiu o primeiro lance de perigo e até mesmo o golo.

A equipa de Jorge Jesus entrou a pressionar forte no meio-campo contrário e o Estoril foi incapaz de travar as investidas pelo corredor central, deixando muito espaço para Talisca comer metros e aparecer na cara de Kieszek para fazer o primeiro da partida aos três minutos.

Pressão alta

O segundo golo dos “encarnados” surgiu novamente por intermédio de Talisca. Aos nove minutos, uma perda de bola no meio-campo defensivo do Estoril permitiu a Gaitán ficar isolado, e este só teve de assistir o avançado brasileiro.

Gaitán e Salvio apresentaram um posicionamento interessante ao longo dos 90 minutos. Num terreno com menos largura do que o habitual, seria de esperar que o Benfica descongestionasse e apostasse muito no jogo lateral, mas a verdade é os extremos argentinos apareceram muitas vezes a jogar pelo meio, dificultando a marcação da defesa do Estoril. Defensivamente também contribuíram para que o Benfica recuperasse muitas bolas no seu meio-campo ofensivo, anulando a primeira fase de construção dos “canarinhos”.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

A formação “encarnada” esteve perto de chegar ao 3-0 mas acabou por adormecer em cima do resultado e o Estoril cresceu no jogo, diminuindo a desvantagem por Diogo Amado. Jardel e Samaris voltaram a demonstrar alguma inconsistência posicional. O central brasileiro não estava em linha com Luisão, o que fez com que Kléber, jogador em maior destaque do Estoril, aparecesse no espaço deixado nas costas. Por seu lado, o médio grego não compensou devidamente o espaço à frente dos centrais e não recuperou a tempo de evitar o remate de Diogo Amado.

O Benfica foi para o intervalo com 62,2% de posse de bola e uma eficácia de passes de 75,2% contra 37,82% e 62,6%. No primeiro tempo o Estoril ganhou 60,3% dos duelos, superando o Benfica (39,7%) significativamente. Estes números ficaram mais evidentes a partir do 2-1 quando o Estoril passou a exercer maior pressão sobre Enzo e Samaris e fez subir a sua linha defensiva para ir à procura do golo do empate.

Superioridade numérica

A iniciativa de jogo passou pelos pés de Enzo e Samaris. O argentino apresentou uma eficácia de passe de 79,1% ao longo dos 90 minutos e o camisola 7 do Benfica foi o jogador com um maior aproveitamento de passes, 84,8%. Os “encarnados” alinharam com um bloco médio-alto, pressionando o Estoril logo na sua primeira fase de construção, mas José Couceiro conseguiu ler bem o jogo ainda na primeira parte e alterou a forma de jogar, apostando num futebol mais directo para Kléber segurar a bola e deixar a equipa respirar e subir no terreno.

O avançado brasileiro foi quem mais batalhou na frente de ataque do Estoril, surgindo como a grande referência ofensiva da equipa. Jardel teve muitas dificuldades para conseguir travar Kléber, que chegou ao golo do empate aos 53 minutos em mais uma má abordagem defensiva por parte do Benfica. Maxi e Luisão foram demasiado passivos na abordagem ao lance de Kuca que conseguiu depois descobrir Sebá, com o brasileiro a encontrar Kléber que só teve de encostar. Samaris voltou a falhar na compensação a Luisão e permitiu que Sebá aparecesse isolado na cara de Artur.

O crescimento do Estoril deveu-se à forma como José Couceiro rectificou alguns aspectos defensivos. Rúben Fernandes e Mano acertaram as marcações a Salvio e Gaitán e acabaram o jogo como os jogadores com mais duelos ganhos, 87,5% e 66,7%, respectivamente.

O jogo ficou mais equilibrado após o golo do empate mas a expulsão de Matías Cabrera aos 66 minutos fez com que Jorge Jesus voltasse a adoptar a fórmula da semana passada em casa frente ao Moreirense. Samaris saiu para dar o lugar a Ola John, fazendo recuar Enzo para a posição “6”, e Gaitán passou para o meio, alinhando como organizador de jogo. Ainda antes da expulsão, Talisca deu o lugar a Derley, com o técnico do Benfica a arriscar mais.

O Benfica voltou a controlar a partida e não precisou de muito tempo para chegar novamente à vantagem. Aos 70 minutos, Lima fez o 3-2 na sequência de um movimento interior de Salvio que descobriu Derley nas costas da defesa. O brasileiro rematou e Lima apareceu para finalizar no segundo poste.

Os “encarnados” conseguiram gerir a vantagem até ao final da partida, com o Estoril a refrescar o sector intermédio e ofensivo com as entradas de Babanco e Balboa aos 79 minutos para os lugares de Filipe Gonçalves e Kuca, respectivamente. A equipa de José Couceiro passou a arriscar mais, com o Benfica a adoptar uma atitude expectante e a apostar nas transições ofensivas com Ola John a ser a grande referência para as saídas rápidas.

Ofensivamente as duas equipas conseguiram aparecer com regularidade dentro da área adversária para finalizar. O Estoril somou sete remates dentro da área e o Benfica nove. Na segunda parte, foi o Benfica que ganhou mais duelos, 61,1%, contra 38,9%, o que se deveu em parte à descida de Enzo no terreno.

Com este resultado, o Benfica reforça a liderança e aumenta para quatro e seis o número de pontos para o Porto e Sporting.