EUA 2 – Portugal 2: Quando no meio não está a virtude

O jogo até começou bem para Portugal, ao marcar logo aos cinco minutos, mas depois o meio-campo das “quinas” eclipsou-se e os EUA cresceram.

Num último suspiro, Silvestre Varela acorreu a um cruzamento perfeito de Cristiano Ronaldo e empatou o encontro com os Estados Unidos. Fica para a derradeira jornada do Grupo G a decisão do futuro luso na prova, mas também a ideia de que nem tudo foi feito para evitar a sina da calculadora.

Portugal começou bem, ao inaugurar o marcador aos cinco minutos, por Nani, mas depois o meio-campo das “quinas” eclipsou-se. Comandados por um excelente Jermaine Jones, os EUA contra-atacavam com facilidade, equilibraram nos passes completos no “miolo” (88%), em especial no passe curto (87,3% contra 89,3% de Portugal), e beneficiaram da superioridade numérica nesta zona – e da fraca capacidade de R. Meireles em recuperar posição. A lateral-esquerda de Portugal sentiu problemas até Meireles tapar esse buraco – o lateral-direito F. Johnson teve uma auto-estrada pela frente, rematando duas vezes à baliza de Beto na primeira parte (depois desapareceu). Note-se que dos 14 cruzamentos dos EUA, 13 surgiram da direita do seu ataque – 41% das investidas norte-americanas foram por este flanco.

Clique na imagem para ler em detalhe (foto: J. Trindade; Steindy / Infografia: GoalPoint)
Clique na imagem para ler em detalhe (foto: J. Trindade; Steindy / Infografia: GoalPoint)

Portugal usou e abusou dos cruzamentos (26 no total). Poderia ser um detalhe importante em termos ofensivos, mas os EUA apresentaram um sucesso no jogo aéreo de 67%, contra apenas 33% dos lusitanos. Assim, dos 26 cruzamentos portugueses, apenas oito tiveram algum tipo de aproveitamento. A turma das “quinas” rematou muito, 21 vezes, inclusive 11 na grande área, mas apenas sete foram na direcção da baliza, o que comprova que um dos problemas da equipa de Paulo Bento esteve na ineficácia atacante. Mas também defensiva. Dos 30 desarmes, apenas 17 foram eficazes (56,7%), o que contrasta com os 73,7% frente à Alemanha.

Resumindo, e olhando para os números, Portugal teve bola, não errou muitos passes, teve muitos cruzamentos, rematou e criou ocasiões, mas paradoxalmente falhou em todos os sectores: foi ineficaz no desarme defensivo, pouco incisivo na pressão e recuperação de bola a meio-campo, teve fraca pontaria e capacidade no futebol aéreo.

Moutinho, Nani e Jermaine Jones

João Moutinho, Nani e Ronaldo estiveram uns furos acima dos restantes. Moutinho efectuou 82 passes, mais do que qualquer outro, com aproveitamento e 91%. Todo o jogo de Portugal passou por ele. Nani esteve inconformado, com quatro remates e seis cruzamentos, sendo apenas ultrapassado neste pormenor pelos dez de Veloso (que jogou o segundo tempo a lateral-esquerdo). Ronaldo foi quem mais rematou em todo o jogo, sete vezes, tal como acontecera com a Alemanha. Sem o brilho habitual, foi ainda assim dos melhores de Portugal. Do lado americano o destaque vai para Jones, imperial a defender e a atacar. Rematou três vezes, marcou um golo, fez passes decisivos, foi quem mais driblou na sua equipa (quatro vezes) e foi o pêndulo dos EUA.

Apontamento táctico

Dois aspectos negativos foram observados por parte de Portugal. Ronaldo, ao jogar a extremo-esquerdo e sem intensidade defensiva, obrigou o médio-centro a fechar esse corredor lateral, para ajudar André Almeida – em dificuldades no um-contra-um. O segundo aspecto deficitário deste jogo foi o pressing fraco feito por Miguel Veloso e Raul Meireles. A zona à entrada da grande área foi um autêntico “buraco” na primeira parte. Por outro lado, Portugal conseguiu, com as diagonais de Ronaldo e Nani, ter algumas boas dinâmicas no momento ofensivo, sendo que a entrada de Éder foi bastante importante no pressing aos centrais adversários.

Na segunda parte, com a entrada de William, a selecção melhorou na presença à frente da defesa e também acelerou a construção baixa. Varela trouxe verticalidade a um sector onde Meireles a nível ofensivo não estava a fazer nada positivo. Miguel Veloso demonstrou falta de rotina na posição de defesa-esquerdo, estando constantemente fora da posição correcta no momento defensivo.

O “Apontamento Táctico” é assinado por Miguel Pontes.

O que acha que correu mal a Portugal, depois de ter estado a ganhar? A turma lusa ainda vai a tempo de qualificar-se? Deixe-nos a sua opinião, obrigado.