A Qualificação da República Checa

A selecção checa venceu o Grupo A de qualificação para o Euro 2016 com mais dois pontos que a surpreendente Islândia e mais quatro que a congénere turca.

Com um empate e apenas duas derrotas (na visita à Islândia e em casa com a Turquia), o destaque vai para a dupla vitória sobre a Holanda, a abrir e a fechar a qualificação, empurrando de forma surpreente a “laranja (pouco) mecânica” para fora do Europeu.

Destaque para o número anormal de golos sofridos na qualificação pelos checos. Foram 14 ao todo, o que dá uma média de 1.4 golos sofridos p/partida. Das 24 equipas apuradas a República Checa foi a que teve a média de golos sofridos mais elevada.

Em relação a jogadores, Bořek Dočkal foi a grande estrela desta qualificação checa, mas sobre ele falaremos mais à frente…

Euro 2016 Preview | República Checa
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O Historial no Euro

Os checos venceram o Europeu uma vez, ainda como Checoslováquia. Corria o ano de 1976 quando um tal de Antonin Panenka surpreendeu o mundo ao decidir uma final contra a Alemanha Ocidental com uma grande penalidade, tão inesquecível como imitada (nem sempre com suficiente talento).

No Europeu de 1996, já como República Checa e depois de eliminar Portugal com um “chapéu” de um senhor chamado Karel Poborský, foi a vez da Alemanha se vingar e conquistar o título europeu, com um “golo de ouro” de Oliver Bierhoff.

Já no Euro 2004 em Portugal, os checos voltaram a estar em grande nível, vencendo os três jogos da fase de grupos, mas acabam eliminados nos quartos-de-final frente à Grécia, com o jogo a ser decidido com um “golo de prata” de Dellas.

Curiosidade: nos 11 anos que vigorou o “sistema de morte súbita”, primeiro através do “golo de ouro” e depois com o “golo de prata”, a República Checa foi a única selecção a ser eliminada por ambos os métodos.

A Equipa

Pavel Vrba foi apontado como selecionador checo no final de 2013, após ter ganho duas ligas nacionais com Victorian Plzen e atingido por duas vezes a fase de grupos da Liga dos Campeões com o clube checo. Vrba foi ainda considerado treinador checo do ano por cinco vezes!

Substituindo no cargo o antigo técnico Michel Bilek, o novo técnico pretende recuperar o prestígio e a performance da equipa checa, depois do fracasso que foi o não apuramento para o Mundial de 2014.

A convocatória é liderada pelos jogadores do Arsenal Tomáš Rosický e Petr Čech. Ainda que este Rosický, capitão da selecção, tenha estado lesionado até Abril e jogado 19 minutos (!) pelo Arsenal esta época.

Ausente dos 23, estará o médio do Sparta de Praga Martin Frydek, lesionado há já algum tempo, que será substituído pelo jovem avançado de 20 anos Patrik Schick do Bohemians.

Euro 2016 Preview | República Checa
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A Figura: Petr Čech

Longe vão os tempos em que era difícil escolher uma só figura da República Checa e em que Petr Čech nem sequer era uma delas. A par de Rosický e Plašil, é um dos últimos resistentes de uma talentosa geração que não foi substituída à altura, mas é o único deles que ainda vai jogando ao seu melhor nível.

A transferência para o Arsenal deu-lhe uma “nova vida” e apesar dos ocasionais erros, ainda conserva os reflexos e a agilidade que em tempos o colocaram no lote dos melhores guarda-redes do mundo.

A liderança que exerce a partir de trás também será essencial num grupo muito equilibrado, onde a experiência pode fazer a diferença.

Aposta GoalPoint: Bořek Dočkal

Borek Dockal
Borek Dockal, República Checa

A memória dos portugueses quando se fala em extremos-direitos checos é Karel Poborsky, o que coloca a fasquia bastante elevada para qualquer jogador. Mas muita atenção a este Bořek Dočkal.

Tem 27 anos e as suas únicas experiências fora do seu país foram na Turquia e na Noruega, mas Dočkal tem vindo a provar, ao serviço do Sparta de Praga, que tem futebol para voos bem mais altos.

Como já referimos foi o melhor na qualificação entre os checos, registando quatro golos e duas assistências. Mas onde o checo brilhou a grande altura esta época foi na boa campanha da sua equipa na Liga Europa.

Aí, apesar de menos goleador, registou cinco assistências em doze jogos, e criou uma média de três oportunidades de golo por jogo, um dos registos mais altos em toda a prova. Não sendo um tecnicista, é um jogador rápido, acutilante e objectivo, e muito dificilmente não despertará no Euro a atenção de clubes maiores.

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DataJogoHoraCanalEstádio
Seg. 13 JunREP. CHECA vs Espanha14h00RTP 1Stade Toulouse
Sex. 17 JunREP. CHECA vs Croácia17h00RTP 1Stade Guichard, St. Etienne
Ter. 21 JunREP. CHECA vs Turquia20h00Sport TVStade Bollaert-Delelis, Lens

“Talvez não tenhamos tantos nomes famosos como no passado, mas talvez por isso trabalhamos muito mais para obter melhores resultados.” – afirmou o seleccionador checo numa entrevista recente.

E é com esta atitude que a República Checa deverá enfrentar os adversários claramente mais poderosos, nas duas primeiras jornadas do grupo D (Espanha e Croácia).

Sem os “mágicos” de outrora (que saudades de Pavel Nedvěd), Pavl Vrba fará uso da experiência internacional e do espírito de resiliência dos checos de forma a minimizar a sua própria fragilidade defensiva, que ficou bem patente na qualificação.

Obtendo um resultado positivo nas duas primeiras partidas, fica tudo em aberto para, na terceira rondam discutir com a Turquia o apuramento para a fase seguinte do Euro 2016.