Mais um Europeu de Sub-17 chegou ao fim e Portugal confirmou o excelente trabalho desenvolvido pela federação nos escalões de formação. Numa final 100% ibérica, os jovens lusos levaram a melhor sobre a Espanha no desempate por grandes penalidades, após 80 minutos regulamentares que terminaram empatados 1-1.

Se outras edições revelaram talentos como Mario Götze, Cesc Fàbregas, Nuri Sahin, Toni Kroos e, mais recentemente, Paul Pogba, desta feita quais os nomes que se destacaram neste Europeu em Baku aos quais devemos estar muito atentos no futuro?

Trazemos-lhe 10 jovens que impressionaram os nossos olheiros e que consideramos suficientemente talentosos para terem um futuro risonho. Quem sabe em Portugal…

Kai Havertz (Alemanha)
Canhoto de pura classe
Extremo
Bayer Leverkusen

Kai Havertz é um dos maiores talentos alemães da sua geração. Actua como extremo, preferencialmente agarrado à linha do corredor direito, de modo a flectir para o centro e desferir venenosos remates com o seu apurado pé esquerdo, que tantos estragos provoca.

Trata-se de um jovem de apenas 16 anos e com uma fisionomia bastante interessante, uma vez que possui uma estatura elevada e é franzino, característica pouco comum em extremos. Tecnicamente evidencia-se pela excelência no drible e na tomada de decisão que revela nos passes aos seus colegas de equipa.

João Filipe (Portugal)
O “inato”
Extremo
SL Benfica

João Filipe é talvez o maior talento em bruto da selecção de Portugal. Ainda com uma maturação física pouco desenvolvida, que necessita de ser trabalhada de modo a acompanhar a elevada qualidade técnica que possui, este craque do Benfica recorre facilmente à finta, às mudanças de direcção, ao remate com os dois pés, passes em habilidade, toda uma panóplia de movimentos que consegue realizar a partir dos corredores.

Por vezes deixa-se entusiasmar pela própria criatividade, não optando pela solução mais simples e mais eficiente.

Che Nunnely (Holanda)
A “seta” holandesa
Extremo
Ajax

A Holanda é uma escola de extremos de alto gabarito, como Arjen Robben, ou Depay, mais recentemente, e Nunnely vem na senda deste estilo de jogador, espalhando o terror sempre que toca na bola e embala numa das suas rápidas e incisivas incursões pelo lado direito do ataque holandês.

Baixo mas muito ágil, este pequeno “rato atómico” foi um dos maiores desestabilizadores da selecção “laranja”, com cruzamentos muito perigosos e sempre com uma alta intensidade de jogo.

https://www.youtube.com/watch?v=jyuKbB_oBDg

Atakan Akkaynak (Alemanha)
O “cérebro” germânico
Médio-centro
Bayer Leverkusen

Atakan Akkaynak
Atakan Akkaynak, Alemanha

Akkaynak é um tormento para qualquer comentador desportivo ou scouter, mas também para o treinador da equipa adversária. Este alemão de ascendência turca joga como médio-centro e é o típico organizador de jogo, um pouco ao estilo de Sahin e Gündogan, que gosta de ter bola e ser o patrão da equipa.

Com uma visão de jogo muito acima da média, acompanhada por uma técnica de passe muito apurada, Akkaynak “devorou” o meio-campo sempre que jogou, baixando para manter equilíbrios defensivos, ou subindo no terreno para aparecer em posição de finalização. Mais uma jóia da coroa que o Leverkusen exibe neste Europeu Sub-17.

José Gomes (Portugal)
O “homem-golo”
Ponta-de-lança
SL Benfica

José Gomes é letal. Este é já um nome conhecido dos seguidores mais atentos das camadas jovens do SL Benfica, um “matador” que esta época jogou no escalão acima (juniores) e que marcou 18 golos em 23 jogos pelos “encarnados”. Avançado alto mas muito móvel, José Gomes é um perigo à solta na área adversária, sempre bem posicionado para cabecear, ou vindo mais atrás buscar jogo para combinar com os seus colegas.

Destaca-se pela excelência na recepção de bola e finalização, mas tem também um drible e condução de bola assinaláveis. Pode ser um jogador a ter em conta para resolver o eterno problema de pontas-de-lança na selecção das “quinas”.

Brahim Diaz (Espanha)
“Puro-sangue” andaluz
Médio-ofensivo
Manchester City

Brahim Diaz é, a nosso ver, o maior “diamante” descoberto neste Europeu em Baku. É já jogador do Manchester City, que o caçou nos escalões jovens do Málaga e que já actuou pela equipa Sub-21 dos ingleses. Diaz pode jogar nas alas ou como segundo-avançado, destaca-se pela rapidez na condução de bola, dribles fantásticos e imprevisíveis e ainda por um sentido de baliza inato e constante. Cada vez que tem a posse da bola procura acelerar o jogo ao máximo, fazendo diagonais e movimentos de rotura, ou desmarcando os seus colegas com passes em bandeja para golo.

Diogo Dalot (Portugal)
O “TGV” portuense
Defesa-direito
FC Porto

Diogo Dalot
Diogo Dalot, Portugal

Diogo Dalot é um “touro” à solta na lateral-direita, num constante vaivém durante os 80 minutos de jogo. Joga no FC Porto e é um dos jogadores mais maduros e de maior potencial desta selecção portuguesa. Fisicamente forte, consegue impor-se no capítulo defensivo, sendo muito eficaz na recuperação de bola e faz sempre as transições de forma irrepreensível. A nível ofensivo destaca-se pela qualidade dos cruzamentos, mas também arrisca no momento de decidir se remata ou faz o passe de rotura.

Reiss Nelson (Inglaterra)
Potência britânica
Avançado
Arsenal

Nelson é um avançado que actua no Arsenal e que foi o jogador de maior destaque na selecção inglesa. Dono de uma velocidade e potência extrema, com e sem bola, este jovem consegue sempre colocar o ritmo de jogo num patamar mais elevado. A nível técnico-táctico é também muito evoluído, demonstrou muita qualidade com a bola nos pés, sendo sempre uma dor de cabeça para os defesas adversários.

Rafik Guitane (França)
“Made in” Le Havre
Médio-centro
Le Havre

Rafik Guitane é mais um talento que sai da famosa academia francesa do Le Havre, de onde germinaram Paul Pogba ou Ryad Mahrez. Joga como número 10, médio-ofensivo-centro, e apesar de ser um “baixinho”, tem uma qualidade de condução de bola e passe bastante acima da média.

Procura incessantemente o passe de rotura para os seus avançados e extremos, mas tenta também o remate em diversas ocasiões. Pode melhorar ainda no aspecto defensivo, quer nos duelos com os seus oponentes quer na parte da pressão ao portador da bola.

Manu Morlanes (Espanha)
O “filósofo” da “roja”
Médio-centro
Villarreal

Morlanes é o grande pensador do meio-campo da selecção espanhola, sempre calmo, inteligente e com uma excelente visão periférica, consegue decidir o que fazer com a posse de bola de forma impecável. Gere todo o ritmo da sua equipa com uma tremenda astúcia, através do passe curto ou longo. A nível de posicionamento revela sempre conhecer todos os aspectos da fase defensiva, sendo uma âncora sempre que necessário.

São ainda de referenciar outros jogadores, que apesar de não entrarem no nosso “top 10”, demonstraram uma qualidade, maturidade e potencial imensos. Entre eles temos Mokkedeme, Leite, Vinagre, Chong, Fernandes, Gedson, Kluivert, Hanratz e ainda Lunin. Jovens que, se completarem um percurso normal de crescimento, têm tudo para deixar a sua marca nos próximos anos.