FC Porto 2 – Marítimo 0: Domínio total sem deslumbrar

A equipa de Lopetegui poderia ter tido uma noite mais descansada, ao invés acabou por ter um inesperado teste perante uma equipa inferior a todos os níveis.

Jackson entrou na Liga a a marcar, embora longe do fulgor que é capaz de apresentar (foto: J. Trindade / Infografia: GoalPoint)
Jackson entrou na Liga a a marcar, embora longe do fulgor que é capaz de apresentar (foto: J. Trindade / Infografia: GoalPoint)

Muita posse de bola, números de passe e eficácia ao nível da melhor Alemanha “mundialista”, futebol de ataque e pressão constante, superioridade total e avassaladora sobre o Marítimo. O FC Porto poderia ter ganho de forma tranquila no jogo de estreia na Liga portuguesa, mas acabou por ter um teste complicado, como se de mais um exame de pré-época se tratasse. O 2-0 final foi justo, mas não espelha as dificuldades portistas em criar ocasiões de golo.

Olhar para este “dragão” e analisar os seus números é um exercício curioso e revelador da filosofia do seu treinador. Muito jogo pelos flancos, movimentação contínua dos médios mais avançados e dos extremos, combinações ofensivas rápidas, pressão em bloco alto, defesa (por vezes exageradamente) subida – que o Marítimo poderia ter aproveitado, mas que não o conseguiu.

Podemos começar mesmo por este último detalhe, para arrumar de vez com a questão maritimista. Os insulares foram eficazes a defender, ponto final. Poderiam ter aproveitado o ocasional espaço entre o jovem Rúben Neves (a surpresa da noite) e Óliver Torres e Herrera, para daí lançar bolas para as costas da muito subida defesa portista. Fê-lo poucas vezes, numa delas quase deu golo, mas foi confrangedora a incapacidade para fazer melhor. Explicação? No final do jogo, o Marítimo somou apenas 212 passes e teve somente 60,8% de eficácia neste capítulo (daqui resultaram sete remates, apenas dois enquadrados), por falta de qualidade dos seus jogadores e pressão imediata dos “dragões”.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

Rúben e Óliver a carburar

Quanto aos da casa, dois destaques. Primeiro Rúben Neves, um jovem com apenas 17 anos que Lopetegui não teve medo de lançar, ganhando a aposta. O “trinco” foi o primeiro organizador de jogo da equipa, tendo chegado ao intervalo com três remates, dois enquadrados – um deles resultou no 1-0 -, 36 passes com 89% de eficácia e muita maturidade. Acabou substituído, mas com 50 passes e 92% de eficácia. Muito bem!

Contudo, a estrela da companhia “azul-e-branca” foi mesmo Óliver Torres. O médio espanhol, emprestado pelo Atlético de Madrid, acabou a partida com mais passes (logo após os defesas), 79, e impressionantes 91,1% de eficácia, seguindo-se o desequilibrador Brahimi (51 passes, 86,2% de eficácia) e Rúben Neves, com os valores já referidos. Óliver foi também o que mais passes fez no meio-campo adversário, 53, sendo 86,8% deles certos, e a seguir aos defesas foi o jogador que mais tocou na bola, 90 vezes, seguido de Quaresma (86) e Brahimi (73). Foi ainda o “rei” das recuperações de bola (mais uma vez sem contar com os defesas), com sete. Um caso sério nesta equipa, a defender, a combinar, a fintar, a distribuir, quer a interior-esquerdo, quer mesmo a segundo avançado, zona onde surgiu inúmeras vezes, atrás de Jackson Martínez, entre as linhas contrárias. Precisa de rematar mais (não o fez nesta partida), mas arrancou dois passes para ocasião, aqui suplantado apenas por Brahimi (quatro).

Muito Quaresma, mas mal

Nos pontos menos positivos esteve Ricardo Quaresma. Esforçado, o português foi o que mais rematou, oito vezes, mas nenhum acertou no alvo. Efectuou 17 cruzamentos (Alex Sandro foi segundo, com oito), mas apenas quatro tiveram sequência, e perdeu a bola 23 vezes, mais do que qualquer colega (Alex Sandro com 20, Brahimi com 16, Óliver 12). Talvez por isso o Porto tenha atacado preferencialmente pela esquerda (onde esteve Brahimi, primeiro, e Tello, depois), em 42,9% das vezes.

No final, a reter igualmente alguns valores que são um claro indicador da “escola” espanhola que Lopetegui tenta implementar no FC Porto: 697 passes e 89% de eficácia, 77,1% de posse de bola (contra 22,9%), 25 remates, 13 deles bem direccionados e 16 efectuados já dentro da grande área maritimista.

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