FC Porto 3 – Moreirense 0: Decisão tardia para domínio natural

"Dragões" selaram a 20 minutos do fim um domínio que apenas se confirmou na segunda parte.

Jackson voltou a confirmar o excelente arranque de temporada que vinha protagonizando (foto: J. Trindade / infografia: GoalPoint)
Jackson voltou a confirmar o excelente arranque de temporada que vinha protagonizando (foto: J. Trindade / infografia: GoalPoint)

Se às três jornadas que passaram somarmos dois jogos de grau de dificuldade elevado frente ao Lille, encontramos no desempenho “azul-e-branco” as tendências que caracterizam o FC Porto de Lopetegui, pese embora as alterações que tem incutido no “onze” a cada jogo que passa.

O treinador espanhol vai não só rodando a equipa como também o alterando o que solicita a cada jogador, como que testando todas as (numerosas) soluções ao seu dispor, antes do congestionamento competitivo que se aproxima. No encontro frente ao Moreirense, Julen deslocou o até agora sempre influente Brahimi para o miolo, ao lado de Óliver e Casemiro (deixando a sensação Rúben Neves no banco), entregando as alas a Adrián (esquerda) e Ricardo Quaresma (direita). Ainda no domínio das mexidas, José Angel teve também a sua oportunidade, no lugar de Alex Sandro.

Mas apesar das alterações o Porto 2014/15 vai-se afirmando sempre na mesma matriz: um “dragão” de circulação (599 passes frente ao Moreirense), de preferência eficaz (86% de acerto no passe), com recurso frequente às alas com cruzamentos para a área (23 cruzamentos de bola corrida no jogo de domingo) e remate reservado para zonas de maior perigo (dez disparos em 17 efectuados já dentro da área).

O dilema Quaresma resolvido por Jackson

Para lá das questões internas, sejam elas reais ou meros “filmes”, a utilização de Quaresma cria certamente um dilema ao treinador espanhol. O extremo das “trivelas” junta o melhor e o pior de dois mundos: apesar da substituição aos 75 minutos ninguém fez mais passes para golo (cinco) do que o número 7 portista, mas também ninguém perdeu mais vezes a posse da bola (24 vezes, contra apenas 13 de Brahimi e 15 de Adrián). O português é sinónimo de golo a qualquer momento mas também da necessidade de recuperar e reconstruir jogo. E certamente não será aos 30 anos de idade que irá alterar significativamente estas tendências.

Para lá das dúvidas lançadas por Quaresma surgiu mais uma vez um Jackson que se vai afirmando como candidato não só a melhor goleador mas também a melhor jogador da Liga até ao momento e o embate com o Moreirense voltou a confirmar o seu arranque fulgurante de época: três remates, dois deles enquadrados e dois golos. Pelo caminho o colombiano fez ainda dois passes para golo. Mas não foi dos pés de Jackson que saiu o desbloqueador de um processo defensivo organizado preparado em Moreira de Cónegos.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

Um argelino que joga e faz jogar

O Porto dominava o jogo de forma crescente quando aos  70 minutos Brahimi desbloqueava o impasse, assistindo Óliver no golo que tranquilizou o Porto frente a um Moreirense tímido no ataque mas bem organizado na defesa. A sua assistência foi apenas o culminar de uma preponderância que se manteve durante toda a partida apesar das mudanças posicionais face a jogos anteriores: do meio campo “azul-e-branco” para a frente ninguém fez mais passes do que o argelino (58, 36 deles para o meio-campo adversário) e muito menos com a sua eficácia (97%). A este registo Brahimi juntou a melhoria numa dos pormenores negativos do seu jogo: perdeu a bola apenas por 13 vezes.

O menino talismã

Coincidência ou não, Rúben Neves entrou em jogo precisamente quatro minutos antes de o FC Porto dar corpo à pressão que ia colocando sobre o adversário: o médio rendeu um apagado Casemiro aos 66 minutos. O Moreirense abanou e não mais deu sinais da consistência que havia remetido o FC Porto a uns apagados 45 minutos iniciais, durante os quais apenas permitiram cinco remates dos “dragões” contra quatro disparos de atrevimento por parte dos minhotos. Os 12 remates e 15 cruzamentos portistas realizados na segunda parte provaram ser carga demasiado pesada para a resiliência de uma equipa cujo resultado, apesar de justo, não faz justiça.