FC Porto | André Silva anda “perdido em campo”? 🔎

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Recuperamos Soares, o homem cuja chegada trouxe golos mas também dilemas ao Dragão. E se os golos serão bem-vindos, já os dilemas parecem cobrar “factura” a NES e comandados nas últimas jornadas. O treinador portista parece ter optado pelo 4-3-3, com André Silva descaído na direita, em alternativa a um 4-2-2 com Soares e Silva numa zona mais central, no ataque. E se Soares parece não sofrer com a opção, já os números do jovem avançado portista não permitem grandes dúvidas. Senão vejamos:

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Apesar de algumas melhorias marginais (aproveitamento de ocasiões flagrantes, assistências e passes para finalização), que constituem mais uma recuperação para o esperado num avançado de “grande”, face a pontos fracos naturais num jovem avançado, a quebra de André Silva na “nova função” é por demais evidente.

O portista remata agora quase metade do que fazia até à 19ª jornada e com menor acerto, marcando naturalmente menos golos. A sua taxa de concretização mantém-se (num nível pouco vistoso para um avançado, mas, como referimos, natural na idade), mas como se percebe nos números da visita a Braga, menos tentativas… menos golos. Apesar da maior generosidade ofensiva dos “dragões”, André Silva dispõe agora de apenas 0,7 ocasiões flagrantes a cada 90 minutos, quando até à chegada de Soares, usufruía de precisamente uma ocasião flagrante de golo a cada jogo completo.

A qualidade técnica que oferece acaba por ter reflexos numa posição mais recuada, com Silva a registar mais passes para finalização e a contabilizar mais assistências (3) nos nove jogos pós-Soares do que as que somou nos 19 anteriores (2). No entanto, tudo o resto denuncia uma quebra de rendimento que não deverá escapar à análise do técnico portista, somada à perda de preponderância: até à chegada do brasileiro André jogava em média 87 minutos por jogo, disputando agora cerca de 72.

Por fim, A quebra na eficácia de passe para o último terço do jovem também prenuncia dificuldades pois situa-se agora abaixo da média dos jogadores referência que, nos “grandes”, jogam pelas alas ou mesmo no apoio ao homem mais avançado (Alan Ruiz 72%, Salvio 75%, Brahimi 69,8% para referir alguns exemplos).

Conclusão: o conceito de um jogador “perdido em campo” é subjectivo, mas se lhe associarmos a noção de menor desempenho fruto do cumprimento de funções que não parecem ser aquelas para as quais um jogador está talhado, face às suas características, então a conclusão é a de que a afirmação de Rodolfo Reis é tudo menos um mito.

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