Odefesa-central brasileiro Felipe, é (para já) o único reforço do FC Porto para uma posição crítica no insucesso dos “dragões” da época passada. A confiança dos dirigentes portistas no valor do “zagueiro” de 27 anos ficou bem expressa nos 6,2 milhões de Euros pagos ao Corinthians pela sua contratação, valor bastante alto para um jogador da sua idade e com pouca margem de valorização. A expectativa é portanto totalmente desportiva.

Tiradentes, cogumelos e skate

A história de vida do novo reforço do Porto é bem curiosa. Nascido na cidade paulista de Tiradentes, o portentoso defesa-central só se tornou jogador profissional em 2011 quando já tinha 21 anos.

Na altura jogava no União Mogi, modesto clube do 8º escalão do futebol brasileiro, e o futebol era para ele um hobby ao nível do basquetebol e do skate, desportos que também praticava quando não tinha que ajudar a sogra na… entrega de cogumelos.

A coisa manteve-se assim até que um DVD lhe mudou a vida, depois do treinador do Bragantino ter detectado qualidades que ainda hoje saltam à vista nos seus números, nomeadamente o elevado poder de impulsão.

FC Porto | Felipe, o "tira bolas" de Tiradentes
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O jogo aéreo é mesmo uma das principais características do brasileiro, registando uma eficácia de 70% nos duelos pelo ar, número que entre os centrais portistas só foi superado a época passada por outro brasileiro e por pouco tempo… Maicon.

Mas há mais do que apenas jogo aéreo no futebol de Felipe. Repare-se que, na comparação com os dois centrais mais utilizados pelo FC Porto na última época, Felipe só não leva vantagem nas intercepções, sendo que nos alívios regista números muito acima da média.

A grande predominância dos alívios em relação às intercepções revela que estamos na presença de um central que não complica, optando pela maneira mais simples de tirar a bola de zonas de perigo, ao invés de arriscar a recuperação da posse controlada.

Upgrade mas…

Fica claro que, em relaçao aos centrais com que o FC Porto terminou a época 16/17, Felipe representa um claro upgrade, sobretudo ao nível do voluntarismo e do jogo aéreo. No entando não podemos deixar de referir que para jogar num clube que preveligia a posse de bola, Felipe terá que tentar adaptar algumas das suas características.

Se conseguir ser menos impulsivo na abordagem aos lances sem com isso perder a intensidade defensiva, poderá tornar-se num dos bons centrais da Liga NOS e formar uma boa dupla com Marcano ou com o regressado Diego Reyes.

Veremos se Nuno Espírito Santo é capaz de tirar o melhor do brasileiro e se o Porto volta a ter algo que não tem desde que deixou de conquistar títulos: um “patrão” no eixo defensivo.

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