Fim de uma era? O adeus à Champions de Ronaldo e Messi

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Um dia tinha  de acontecer. Não sabemos se esta época marca ou não o fim de um ciclo ímpar no futebol mundial, no qual Cristiano Ronaldo e Lionel Messi dominaram a seu bel-prazer na mais importante prova da UEFA, mas a verdade é que a Liga dos Campeões 2020/21 não vai ter nem o português, nem o argentino nos quartos-de-final. Algo que acontece pela primeira vez em 16 anos, desde a temporada 2004/05.

A Juventus foi afastada pelo FC Porto esta terça-feira, num jogo épico e inesquecível para o emblema luso, mas de pesadelo para Ronaldo – que ficou em branco nas duas mãos e esteve muito apagado em ambos os confrontos. O Barcelona, por seu turno, pagou cara a goleada por 4-1 sofrida na primeira mão dos oitavos-de-final ante o Paris Saint-Germain, em pleno Camp Nou, e apesar de ter sido a equipa mais perigosa em Paris, acabou por desperdiçar muitas ocasiões, incluindo um penálti, por Messi, que também terminou a sua caminhada na competição.

Os números de Ronaldo e Messi no adeus à prova

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Estes são os números finais (os principais) dos dois craques na UCL 2020/21 – o argentino é líder global dos GoalPoint Ratings. Estatísticas abaixo do melhor que já conseguiram nas suas carreiras na Champions? Claramente. Se este facto é reflexo de um ocaso das carreiras ou dos complicados contextos colectivos em que cada um se insere – e que são inegáveis -, isso saberemos a seu tempo. Já a temporada passada foi a primeira em 15 sem os dois “aliens” do futebol mundial nas meias-finais, e agora foi mesmo antes dos quartos-de-final que ambos se despediram.

Os dois craques realizaram seis jogos cada, CR7 com um pouco mais de minutos nas pernas, os dois com duas assistências, o argentino com mais um golo que o português, embora dos cinco que Messi apontou, quatro tenham sido alcançados de grande penalidade, enquanto Cristiano fez dois dos 11 metros. De bola corrida, o atacante da Juve fez dois, o mágico do Barça só um. Juntando isto aos passes para golo, Messi contribuiu para 64% dos tentos do Barça, enquanto este esteve em campo, enquanto Ronaldo ficou-se pelos 38%.

[ Todos os remates de Ronaldo (23) e Messi (37), a azul os enquadrados, a amarelo os golos (os de penálti estão sobrepostos) ]

Em cima os mapas de remates dos dois jogadores. Cristiano fez 23 (3,6 por 90m), 11 deles enquadrados, enquanto Messi lidera em números totais de disparos na prova, com 37 (6,2 por 90m), sendo que 20 deles levaram a melhor direcção. Independentemente da eficácia ou não destes lances, fica aqui patente que qualquer um dos dois não teme o remate, seja de onde for, incluindo de bem longe (cada um fez um tento de fora da área).

Pelo caminho alguns “landmarks” interessantes. No adeus, Messi marcou um golo (falhou um penálti), fez um belo jogo e igualou o máximo de passes ofensivos valiosos (21) esta época na prova, que já lhe pertencia. Aliás, entre os sete registos mais altos em jogos esta época nesta variável, Messi inscreve o seu nome em quatro deles, dominando em absoluto a prova no adeus, com um total de 89 destes passes, mais 35 (!) que o segundo valor mais alto, pertencente ao colega de equipa Jordi Alba.

Cristiano Ronaldo, com um total de 25, está muito longe dos números de Messi neste pormenor, o que até se entende, tratando-se o argentino muito mais de um “armador” de jogo e o português um jogador que actua mais em zonas de finalização.

[ Todos os passes ofensivos valiosos* de Ronaldo e Messi nesta Champions ]

*passes verticais eficazes para os últimos 25 metros

A prova ainda tem muitos jogos para disputar, é certo, mas o argentino é dono de mais alguns máximos esta época: mais remates num jogo (11), mais enquadrados (7), mais remates de fora da área (8). Desta feita, Cristiano ficou longe desses registos, mas pode gabar-se de ter ganho o confronto entre ambos, tendo mesmo marcado dois dos golos da Juve em Camp Nou.

[ Todos os dribles tentados por Ronaldo (20) e Messi (47), a azul os eficazes (10-29) ]

Desta feita, Messi não liderou nos dribles, mas esteve perto, terminando como o terceiro registo mais alto até ao momento (7,8), muito longe dos astronómicos 10,5 de Neymar e dos excelentes 8,6 de Lucas Ocampos, do Sevilla, mas foi o segundo em eficazes, 4,8, perto dos 5,0 de Neymar, mas com percentagem de sucesso maior (62% contra os 48% do brasileiro). Quanto a passes para finalização, também o segundo registo mais alto, de 3,8 por 90 minutos, atrás de Juan Cuadrado, que chegou aos 4,1, mas caiu aos pés do “dragão”.

Enquanto adeptos de futebol e testemunhas privilegiadas de um duelo de década e meia entre dois dos melhores futebolistas de sempre do futebol mundial… será que voltaremos a ver ambos ao mais alto nível e a lutar até ao fim pelo ceptro europeu?

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