Football Manager, o documentário (que vale a pena ver)

Um documentário interessante para todos os que gostam de futebol, tenham ou não jogado alguma vez o mítico "FM".

Já aqui falámos por diversas vezes do videojogo de culto Football Manager, desde a forma como “vive” na vida dos profissionais de futebol à mais recente associação a uma das empresas líderes em dados de desempenho. A cerca de um mês do lançamento de Football Manager 2015 surge o documentário “Football Manager: an alternative reality” (Football Manager: uma realidade alternativa), uma visita ao apaixonado mundo de adeptos, jogadores e dirigentes que mostram que “FM” é muito mais do que apenas um passatempo partilhado por milhões de fãs no Mundo inteiro e que encerra uma cultura com impacto no mundo do futebol.

A SportTV exibiu esta terça-feira, dia 7 de Outubro, o documentário, sendo que recomendamos vivamente o recurso à funcionalidade “restart TV” do seu serviço de televisão de modo a investir cerca de 50 minutos do seu tempo no visionamento deste interessante trabalho, seja ou não um fã de Football Manager. Mas siga ou não o nosso conselho deixamos alguns destaques que extraímos do documentário exibido bem como um link para o visionamento completo.

O trabalho é rico em histórias que farão sorrir os curiosos e trarão um sentimento de identificação aos aficionados. Eis algumas das curiosidades que nos chamaram a atenção.

Os loucos fãs de FM

Desde o adepto que vestia fato e gravata antes de jogar finais importantes, ao “treinador” que quase incendiou a casa tentando recriar um ambiente pirotécnico condizente com uma visita da sua equipa à Turquia, passando pelo jogador que quando convidado a visitar o balneário do “seu” Celtic percebeu ter uma antipatia irracional para com um jogador devido ao seu comportamento “virtual”, o documentário está repleto de referências (na maioria dos casos cheias de humor) ao carácter imersivo com que o jogo envolve quem a ele se dedica.

Os profissionais do futebol que se dedicam a “FM”

Demetrio Albertini é um dos principais exemplos focados no documentário, contando o momento em que, ainda jogador proeminente da Serie A e selecção transalpina, contactou os representantes de Football Manager demonstrando o desejo de ser mais um dos cerca de 1300 “olheiros” de jogadores que contribuem para o realismo da base de dados de Football Manager. Pelo caminho “babyface” Solskjaer fala sobre as horas que juntamente com Jordi Cruyff (filho do mítico Johan Ctruyff) dedicava ao “vício”, para descontentamento das suas namoradas da altura.

O dia em que o filho de McLeish lhe disse quem seria o melhor jogador do Mundo daí a dez anos

O treinador escocês Alex McLeish treinava na época 2001/02 o Glasgow Rangers mas não deu grande importância quando um dos seus “fedelhos” lhe mostrou” a ficha” de um novato que, na sua opinião (baseado nos dados “FM”), iria ser o melhor jogador do Mundo. Alguns anos mais tarde, em conversa com o holandês Ten Cate,  o escocês Alex questionou a hipótese de contar com o empréstimo do então jovem em ascensão da “cantera” catalã. Levou um previsível e rotundo “não”, era tarde demais. O nome do jogador era nada menos do que Lionel Messi e desde essa altura McLeish conta com o filho como olheiro na sua actividade profissional.

As “lendas” falhadas de FM

Mas se FM serve para identificar, sem certezas, algumas potenciais vedetas do futuro, fruto da rede de mais de 1300 olheiros o e critérios cada vez mais apertados de observação, também é verdade que não deixa de ser um videojogo, tendo falhas que permitem a criação de “lendas” como o escocês Mark Kerr, Tonton Zola Moukoko e Freddy Adu (este conhecido pelo menos dos adeptos do Benfica após passagem discreta pelos “encarnados”), jogadores com um rendimento digno de “deuses” no mundo de Football Manager mas cujas carreiras têm sido, na melhor das hipóteses, discretas.

O clube de “Football Manager”

O alcance e influência de “FM” no futebol real tem talvez a sua história mais interessante associada ao ressurgimento do Wimbledon, recriado pelos seus adeptos. A iniciativa motivou os responsáveis da Sports Interactive a patrocinarem o clube (que associação melhor pode ter um jogo cuja premissa é colocar o adepto ao leme de um clube?), ajudando-o na sua ascensão e crescimento, envergando a equipa do Wimbledon até hoje o logótipo do mítico jogo.

Estas são algumas das “histórias” que fazem valer a pena o visionamento deste documentário. O risco, sobretudo para quem nunca experimentou “FM” e gosta de futebol, é mesmo… apanhar o “vício”, também ele retratado com muito humor nos excertos do espectáculo de stand-up comedy “How Football Manager ruined my life” (Como o Football Manager destruíu a minha vida), de Tony Jameson.

Eis o documentário integral. Vale a pena.
http://youtu.be/-UtJC5iR-T4