França 2 – Portugal 1: Uma linha Maginot à portuguesa

Noite de estreias e regressos termina em derrota. Portugal foi crescendo no jogo mas fragilidades nas laterais ditaram desfecho final.

Apesar da derrota existiram alguns pontos positivos na estreia de Santos, a exibição de William foi uma delas (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Apesar da derrota existiram alguns pontos positivos na estreia de Santos, a exibição de William foi uma delas (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

A entrada forte dos “bleus” surpreendeu a defensiva portuguesa. A selecção orientada por Didier Deschamps adoptou o 4x3x3 como sistema inicial, privilegiando o jogo lateral. Na estreia de Fernando Santos como seleccionador nacional, Portugal alinhou em 4x4x2 losango com Ronaldo e Nani na frente de ataque.

Benzema concluiu uma jogada que teve início na esquerda e que terminou com um remate no corredor direito para ser desviado pelo avançado do Real Madrid. Os gauleses procuraram situações de superioridade numérica nos corredores com o tridente ofensivo de Portugal, composto por Danny, Ronaldo e Nani, a terem poucas preocupações defensivas. Tiago, Moutinho e André Gomes sentiram dificuldades para pressionar no meio-campo e ao mesmo tempo apoiar os laterais nas suas missões defensivas.

Do ponto de vista de organização defensiva, o sector mais avançado não criou muitos obstáculos na construção de jogo da selecção adversária. Ronaldo e Nani permitiram à França sair com segurança e sem pressão. Com a qualidade técnica e táctica que o meio-campo francês evidencia, a tarefa do sector intermédio da selecção das quinas tornou-se muito complicada. Depois de entrar no meio-campo defensivo de Portugal, a França conseguia circular a bola com liberdade suficiente para encontrar situações que pudesse explorar.

Benzema e Griezmann foram uma autêntica dor de cabeça para a defesa portuguesa. O avançado francês não deu descanso a Pepe e Bruno Alves e apareceu muitas vezes fora da sua posição natural, arrastando a marcação e abrindo espaço para a entrada de Pogba, Matuidi, Valbuena ou até mesmo Griezmann.

 

 

Crescimento táctico

A selecção das “quinas” conseguiu encontrar o seu ponto de equilíbrio e começou a acertar nas marcações. Moutinho e André Gomes apareceram mais no apoio a Cédric e Eliseu, respectivamente. Os dois laterais entraram mal e defensivamente comprometeram. No capítulo ofensivo conseguiram dar soluções, aproveitando os movimentos interiores de Ronaldo e Nani para aparecerem nas suas costas, imprimindo verticalidade aos seus corredores.

As duas referências ofensivas da selecção fixaram-se em posições mais centrais, entre os laterais e os centrais, e a partir daí exploravam as jogadas. Com a imprevisibilidade e técnica que lhes são ímpares, a defesa gaulesa sentiu dificuldades em acompanhar os seus movimentos e parar os ataques lusos. Portugal conseguia chegar à baliza defendida por Mandanda mas sem nunca o conseguir assustar.

No final do primeiro tempo, Portugal não somava nenhum remate à baliza contrariamente a França, que levava três para a de Rui Patrício.

As entradas de Ricardo Carvalho e William Carvalho por Bruno Alves e André Gomes contribuíram para uma maior segurança defensiva. O médio do Sporting assumiu a posição de médio-defensivo e Tiago passou a jogar mais adiantado. Com esta alteração Portugal passou a ganhar mais segundas bolas, algo que não se verificou nos primeiros 45 minutos. O meio-campo português ganhava a primeira bola mas chegava sempre atrasado às segundas, fruto da maior dinâmica e agressividade de Cabaye, Pogba e Matuidi.

Portugal pressionou e tentou de todas as maneiras chegar ao empate, mas foi a França que acabou por ampliar a vantagem. Ronaldo teve na cabeça uma grande oportunidade para empatar mas Mandanda levou a melhor e defendeu.

Um minuto depois de Tiago e Nani terem cedido os lugares a Éder e Quaresma, Pogba fez o 2-0 em mais uma jogada que teve início num lançamento lateral na esquerda e acabou com o remate de Pogba na direita.

João Mário somou a sua primeira internacionalização, entrando aos 76 minutos para o lugar de Ronaldo. Portugal passou a jogar em 4x3x3 com Éder, Quaresma e Danny na frente. Na sua primeira acção em jogo, João Mário sofreu grande penalidade. No regresso de Quaresma à selecção, o extremo do Porto converteu e reduziu para 2-1. Vieirinha ainda entrou aos 85 minutos, num período em que Portugal passou a jogar um futebol mais directo, apostando em cruzamentos largos para Éder.

No final do jogo, Portugal realizou seis remates contra sete de França, dos quais dois foram enquadrados com a baliza. A posse de bola foi divida com 50% para cada lado.

A obra ainda vai a meio. Sistema táctico e dinâmicas novas exigem um período de adaptação. As ideias do “engenheiro” precisam de tempo e espaço para serem interiorizadas.

Com os empates no Arménia – Sérvia e no Albânia – Dinamarca, uma vitória terça-feira em casa da selecção nórdica coloca Portugal numa posição mais confortável. A Dinamarca explora muito o jogo interior, devido à dinâmica do meio-campo e aos movimentos diagonais de Eriksen. Os dois laterais são muito competentes no processo ofensivo da equipa o que permite à selecção dinamarquesa variar o seu estilo de jogo e ser imprevisível nas suas acções.

Francisco Gomes da Silva
Nascido em 1993 e licenciado em Economia. Um campo, uma bola e 22 jogadores, uma paixão que despertou bem cedo na sua vida. Jogou até aos 19 anos, seguindo-se passagens como treinador-adjunto dos Sub-19 e Sub-15 do Grupo Desportivo Alcochetense. Paralelamente iniciou-se na área de comunicação através de análises tácticas e técnicas para sites e revistas em Portugal. Colabora ainda com o Departamento de Prospeção do Benfica na condição de observador.