Quando discutimos as opções para as laterais da selecção nacional o cenário é bem distinto, dependendo do flanco de que falamos. Se do lado direito o “problema” de Fernando Santos é o excesso de opções de qualidade, com Ricardo Pereira, João Cancelo e Nélson Semedo entre os nomes grandes do futebol europeu na posição, do lado esquerdo o cenário não é algo distinto.

Raphaël Guerreiro tem dado conta do recado e pouco se pode apontar ao luso-francês sempre que foi chamado, mas as alternativas escasseiam. Mário Rui tem sido a habitual segunda opção, mas o jogador do Napoli não convence Ancelotti, que não raras vezes opta mesmo por adaptar Hysaj ou Di Lorenzo em detrimento do português de 28 anos.

É, por isso, natural que Fernando Santos esteja sedento de alternativas a poucos meses do Europeu, e há um nome surpreendente a surgir com grande impacto na Ligue 1. Gil Dias passou de extremo-direito a novo dono de todo o corredor esquerdo do Mónaco de Leonardo Jardim, e apresenta números impressionantes tendo em conta a sua adaptação recente.

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Com 730 minutos de utilização no campeonato francês, o jovem de 23 anos parece estar a adorar a sua “nova pele” no sistema de três centrais do Monaco e é líder entre os jogadores que mais desarmam nos cinco principais campeonatos da Europa, à frente de nomes como Ndidi, Laimer e Wan-Bissaka, habituais neste ranking.

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Gil Dias, que estatisticamente deu nas vistas em Portugal pela sua capacidade de drible, não perdeu no entanto esse também importante atributo para a sua nova posição. Entre jogadores que ocupam habitualmente as laterais, só 12 em toda a Europa driblam mais do que o ex-jogador do Rio Ave. Gil Dias tenta 4,3 dribles a cada 90 minutos e tem sucesso em 49% dessas tentativas, o que equivale a uma média de 2,1 dribles completos a cada jogo.

 

Apesar de ainda não ter qualquer golo ou assistência, o esquerdino destaca-se ainda pela boa eficácia de cruzamento (25%) e pelo facto de fazer quase dois remates por jogo, números impressionantes para um “lateral”.

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Não sabemos se Leonardo Jardim teve a visão de perceber que podia capitalizar um jogador numa posição com lacunas na selecção nacional, mas o que é facto que é a aposta está a resultar, e de que maneira. Continuando a exibir-se a este nível, Gil Dias pode e deve ser considerado como uma alternativa viável a Raphaël Guerreiro que, recorde-se, também se revelou como lateral no campeonato francês.