Gil Vicente, 0 – Sporting 4: “Leão” reage com competência

O “leão” respondeu à falta de eficácia demonstrada frente ao Maribor com uma exibição personalizada e competente em Barcelos.

João Mario fez um jogo de afirmação em Barcelos (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
João Mario fez um jogo de afirmação em Barcelos (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

O Sporting CP surgiu em Barcelos confiante em dar uma boa resposta ao resultado insuficiente de Maribor, o 1-1 ocorrido na passada quinta-feira. E conseguiu-o. Com um futebol ofensivo bem desenhado e a dar espectáculo sob a batuta do “maestro” João Mário, e com Adrien Silva a “quebrar o gelo” ao fazer um potente remate de meia distância, os “leões” cimentaram um triunfo confortável por 4-0.

Na visita ao Gil Vicente, Marco Silva optou por mexer no “onze” inicial, dando a titularidade a Capel, João Mário e Jonathan Silva. Num sistema táctico de 1-4-3-3, com Adrien mais avançado no terreno no apoio a Slimani, os extremos fizeram bastantes movimentos para o interior do terreno, aparecendo os médios-centro a explorar o espaço criado. Foi de longe a melhor exibição leonina até à data esta temporada, com uma série de combinações e movimentações de rotura que destruíram a frágil defesa do Gil Vicente.

Num jogo que acabou em goleada, viu-se um Sporting que nos três primeiros remates fez dois golos. Para uma equipa que pecava na finalização foi uma resposta certeira. Islam Slimani apareceu bem a combinar com os colegas, tentando sempre segurar a bola de modo a depois efectuar um passe que tivesse como consequência a sua desmarcação, e foi ainda o elemento mais rematador com três tiros à baliza contrária.

Adrien foi o elemento que mais passes fez, com 53, sendo que 86,8% tiveram sucesso. Demonstrou uma grande mobilidade no meio-campo e tentou sempre gerir bem a posse de bola leonina. Nani apareceu muito bem nos corredores, com dez cruzamentos e arriscando bastante nas diagonais para o centro do terreno, de forma a fugir da marcação e criar superioridade numérica neste corredor. Contudo foi o elemento que mais vezes perdeu a bola, cerca de 25 no total.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

Na defesa, Sarr mostrou-se bastante assertivo nos lances, ganhando a maioria dos duelos aéreos e mostrando um bom posicionamento defensivo. Fez oito alívios e quatro desarmes. Maurício voltou a fazer uma exibição pobre, errando demasiados passes na fase de construção baixa – acertou apenas 66%, 30% no meio-campo ofensivo leonino -, e também perdendo muitas bolas divididas – ganhou apenas 66% dos duelos aéreos, 70% do total das bolas divididas e perdeu a posse cerca de 17 vezes. Jonathan Silva fez uma exibição razoável, dando profundidade ao corredor quando tinha segurança suficiente para o fazer. Contudo perdeu a bola 18 vezes e mostrou por vezes alguma falta de entrosamento, que é normal visto ser uma cara nova na equipa.

João Mário, o novo “rei da selva”

João Mário fez uma primeira parte como médio box-to-box e na segunda já jogou como médio mais ofensivo, perto do avançado. Trouxe uma clarividência total ao jogo ofensivo leonino, com uma tomada de decisão e visão de jogo perfeitas, e geriu bem o ritmo do jogo e explorou convenientemente os espaços nos corredores laterais e entre linhas.
Criou seis oportunidades de golo, fez dois remates e fez ainda duas magníficas assistências. Teve também 95% dos passes certos, sendo que 36 deles foram no meio-campo adversário, e tentou ainda o cruzamento por cinco vezes.

A nível defensivo fez ainda cinco recuperações de bola e dois desarmes. Mesmo jogando muitas vezes perto do avançado, João Mário entende na perfeição todos os momentos do jogo e dá também um bom contributo a nível defensivo.

William fez nove recuperações de bola, por vezes revelou não ter o posicionamento ideal, sobretudo em lances mais rápidos, mas ainda assim fez uma boa exibição a nível defensivo. Perdeu apenas por sete vezes a posse de bola e geriu bem a fase de construção baixa, garantindo sempre uma linha de passe segura ainda que, por vezes, pudesse ter simplificado certos passes para os colegas. Rosell entrou bem para o seu lugar, fazendo uma exibição calma e racional, e conseguiu ainda efectuar 19 passes com uma taxa de sucesso de 84,2%.

O Sporting encaminhou 40,1% dos seus ataques pelo corredor lateral direito, espaço onde Adrien, João Mário e Nani se entenderam na perfeição, criando muitas combinações perigosas para os “leões”.

Os pupilos de Marco Silva fizeram 19 remates à baliza, contra apenas sete do Gil Vicente. Teve uma posse de bola de 68,5% sendo que o acerto no passe rondou os 82,4%, número bastante razoável e que revela bem a qualidade de passe de elementos como Adrien ou mesmo João Mário. O Sporting ganhou ainda cerca de 55,7% dos 54 duelos com os adversários.