Gil Vicente 1 – Porto 5: Fácil demais para o “dragão”

A expulsão de Jander aos 38 minutos não justifica a prestação do Gil Vicente, que foi totalmente destroçado por um FC Porto competente no passe, na circulação e na eficácia em frente à baliza.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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O FC Porto colocou pressão no SL Benfica, ao golear de forma tranquila o Gil Vicente, em Barcelos, por 5-1. Os “dragões” ficaram temporariamente a três pontos dos “encarnados” (que jogam este domingo), graças a uma exibição de qualidade, tranquila e quase sem sobressaltos, ante um “lanterna-vermelha” sem argumentos.

Este foi, talvez, o jogo mais fácil que o FC Porto teve esta temporada na Liga portuguesa e os números demonstram-no. Não apenas pelos golos marcados, mas também pelas ocasiões de golo criadas. No final da partida os “azuis-e-brancos” somavam impressionantes 26 passes para ocasião de golo, o máximo registado por qualquer equipa até ao momento no campeonato. O máximo anterior pertencia ao Sporting CP, com 20, à quarta jornada, no empate 1-1 com o Belenenses, e os “leões” haviam alcançado 19 à 11ª ronda, no 3-0 aplicado ao V. Setúbal. O melhor registo da formação de Julen Lopetegui havia acontecido logo na primeira jornada, com 17, no 2-0 ao Marítimo.

Eficácia de remate

Em Barcelos, o FC Porto fez cinco golos por intermédio de cinco marcadores diferentes – Casemiro (36’), Bruno Indi (55’, de calcanhar!), Yacine Brahimi (70’), Óliver Torres (79’) e Jackson Martínez (87’) – e pode afirmar-se que o resultado poderia ter assumido outros contornos. Ainda assim, o Porto destacou-se pela eficácia, pois enquadrou 11 dos seus 28 remates (39%) e teve um aproveitamento em golo de 18%.

A expulsão de Jander aos 38 minutos, por duplo amarelo, facilitou a tarefa dos portistas na segunda parte, mas a verdade é que já na primeira o domínio havia sido quase absoluto e já se previa uma vitória mais ou menos tranquila dos visitantes. Uma demonstração de que no ano novo os “dragões” surgem em excelente forma para atacar o que resta da Liga.

Curiosamente, os primeiros 15 minutos mostraram um Gil Vicente atrevido e perigoso, com o seu meio-campo de cinco elementos – num 4-2-3-1 compacto – a ganhar algumas bolas e a lançar transições rápidas, nas quais Paulinho, Jander e Diogo Viana mostravam bom entendimento e dinâmica. O Gil aproveitou bem a falta de ajuda de Herrera e Óliver a Casemiro e o posicionamento subido a defesa portista para criar perigo. Mas aos poucos o Porto começou a acertar no posicionamento e as debilidades do Gil a notar-se. No início os visitantes sentiram dificuldades de penetração perante o grande povoamento gilista na zona em frente ao quarteto defensivo, mas Casemiro resolveu o problema com um portentoso remate de fora da área que abriu o activo.

Três “mosqueteiros” e um D’Artagnan

A marcação impiedosa dos laterais do Gil Vicente em zonas mais interiores, por mais eficaz que aparentava ser, acabou por ser um dos motivos para o descalabro dos da casa. Aos poucos, Brahimi e Cristian Tello começaram a deambular entre as faixas e as zonas mais interiores, arrastando os seus marcadores e obrigando os centrais a compensarem as brechas na defesa. Estes desposicionamentos foram aproveitados pelo tridente atacante do Porto, com a ajuda de Óliver, qual D’Artagnan e os três mosqueteiros (não estamos a falar de Talisca). As penetrações pela zona central e as tabelas rápidas pelo meio resultavam quase sempre em situações de perigo, contribuindo para o excelente registo de passes para ocasião. E os golos começaram a surgir com naturalidade no segundo tempo, perante um Gil reduzido a dez elementos e sem capacidade de resposta.

Óliver foi o “maestro” de uma orquestra afinada, Brahimi o solista virtuoso. O espanhol terminou a partida com 85 passes e 87,1% de eficácia (67 e 86,6% de acerto no meio-campo adversário), cinco passes para ocasião (só Herrera, com seis, teve mais), dois remates (ambos enquadrados), um golo e uma demonstração de qualidade técnica e inteligência de jogo acima da média. O argelino também facturou, fintou, desequilibrou e apresentou 87% de passes certos (em 54, 48 deles no meio-campo contrário), rematou por quatro vezes (uma enquadrada), e fez quatro passes para ocasião. Foram estas as figuras de um FC Porto autoritário e competente.

Destaque também para Jackson, com um golo em cinco remates (três enquadrados), uma assistência e 90,9% dos seus 33 passes certos, algo relevante para um ponta-de-lança. Do Gil há pouco a falar, tal a inoperância a todos os níveis. Salvou-se João Vilela do naufrágio, com três remates (um no alvo), um passe para ocasião, quatro desarmes, oito alívios, cinco intercepções e seis recuperações de bola. E Vítor Gonçalves, que fez o tento de honra gilista (76’), a passe de Caetano. Curiosamente, os dois únicos golos deste jogador nas duas épocas no Gil Vicente aconteceram frente a dois grandes: em 2013/14 ante o Benfica, e agora ao Porto.

Os números finais são elucidativos do que se passou em Barcelos. O Porto acabou com 28 remates (14 em cada parte), 11 enquadrados, sendo que 15 deles aconteceram dentro da área do Gil, o que mostra a facilidade de penetração na defesa. Ganhou 60,5% dos duelos individuais, somou 610 passes com 86,2% de eficácia e registou 74% de posse de bola, número impressionante até para os padrões do “dragão”. O Gil fez dez disparos (apenas três enquadrados), teve somente 26% de posse de bola, confrangedores 58,5% de precisão de passe (em 205) e pode dar-se por satisfeito por não ter sofrido mais golos.